Uma viagem.
Olha-se a estrada, traça-se o percurso, estima-se o tempo, prepara-se a mala, enche-se o carro e…vai-se…vai-se com sorriso nos lábios, o corpo renovado, a alma inspirada.
Assim são as férias. Aquele momento em que se soltam amarras ao tempo, aos relógios e despertadores, aos horários e compromissos, até se esquecem as responsabilidades…e nos entregamos ao lazer, ao tempo com tempo, à abstração do calendário…Lemos o livro que há muito ganhava pó na cabeceira, fazemos noitadas como se o amanhã não existisse, conversamos com os amigos e fazemos novos amigos, rimos, dormimos, corremos sem cronômetros, tomamos aquele banho que já apetecia, não adiamos as ilusões ou os sonhos.
Porque viajamos. Mesmo que seja pelo país, pela região ou até pela cidade…mas viajamos.
Ou apanhamos o avião e vamos. Até o horizonte deixar de ter limite, onde o panfleto nos deixou sonhar ou a promoção nos fez voar. Vamos de mala cheia ou com uma pequena mochila nas costas…preparamos o passaporte, fazemos coleção de carimbos, partilhamos fotos e selfies de locais únicos, sempre com um sorriso de fazer brilhar o olhar. E o instagram, o Facebook, os likes e os comentários, as mensagens privadas a perguntar:” Onde andas tu?” , e até as buscas no Google para percebermos onde alguém afinal está…
Depois regressamos. Voltamos e arrumamos. Organizamos as fotos e os ímans do frigorífico. Contamos muitas histórias, chamamos amigos para lhes mostrarmos onde andámos. E ficamos com a sensação de peito insuflado com ar novo. Mas de efémero também. Passou tudo tão depressa. Amanhã já tenho de regressar. Estava bem a ir de novo.
Mas tudo fica na memória…até à próxima viagem.