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Diário do E(q)uilíbrio

Discurso de Michael Jordan na Homenagem a Kobe Bryant

E hoje terminamos mais uma semana. A primeira deste diário. Durante o fim de semana continuaremos a postar os dias.

Mas hoje o tema que escolho para reflexão é uma pergunta muito simples,

O que queremos para a nossa Vida?

E seguido de outra questão,

E o que pretendemos fazer para alcançar aquilo que queremos?

Podem ser questões que já vos assolaram vezes e vezes. São questões Cliché, mas porque são importantes, logo clichés…

Afinal nascemos, crescemos, aprendemos, somos educados e formados, desejamos uma vida independente, vivemos muito do nosso tempo com objectivos e a desejar alcançá-los… mas quando somos colocados perante a questão… o que de facto queres para a tua vida?… a resposta é uma mistura entre amplitude e algo vago… a resposta na maioria é Ser Feliz!… Ok… mas e o que pretendes ou estás disposto a fazer para Ser Feliz?… E entramos nos soluços, nas respostas pré concebidas… “então, quero ter um bom emprego, encontrar alguém que me faça feliz, ter filhos, uma casa de sonho, um carro de sonho, viajar…” ou então ” eu quero ter um emprego onde me sinta feliz, quero ter a minha casa, as coisas que me fazem feliz, ter amigos e estar com amigos, viajar, ter dinheiro, não ter grandes preocupações…” e acrescento ainda “quero aproveitar cada momento, quero sentir cada momento, não me quero preocupar muito com o amanhã, logo se vê…quero aceitar a vida como ela e com aquilo que ela me dá…”

Mas afinal o que queres para ti? Se pudesses dizer apenas duas palavras, o que seria? E em três palavras apenas, diz como pretendes fazer para conseguires?

A Vida… isto é uma palavra. Uma simples palavra. Podia ser outra qualquer que definisse tudo isto. Felicidade é também uma palavra apenas, que tantas vezes torna o sentido de ser feliz tão perdido que nos perdemos em malabarismos intelectuais, sociais e filosóficos, para conseguir definir o que de facto é para nós a felicidade… assim como a vida. Por isso tantas vezes temos dificuldade em sabermos responder à segunda questão, porque não sabemos bem responder à primeira…

E porquê?

Não sou detentor de nenhum absolutismo, logo de nenhuma absoluta verdade… mas partilho convosco que muitas vezes me vou colocando estas questões. Sempre que defino objectivos concretos para mim… e dou-vos um exemplo claro… há vários anos atrás, vivia um momento de duvidas pessoais. Tinha de fazer uma escolha. Uma escolha que iria impactar na minha vida futura, mas também na vida de outras pessoas. Recordo-me de escrever estas duas questões, não textualmente assim, mas o sentido era o mesmo…

E respondi várias vezes a elas… e várias vezes risquei o que escrevi. E voltava a responder e de novo riscava. Até que fiz algo diferente. Comecei a fazer uma lista das palavras que repetidamente escrevia como resposta e repetidamente as riscava. E ainda tenho essa lista…

Eu escrevi isto há 16 anos atrás… mas podia ter sido à mais ou menos tempo… mas ao fazer esta lista deparei-me com a questão… mas afinal o que é que eu realmente quero para mim? E foi ai que percebi que a resposta não está nas palavras que escrevo ou nas ideias que possa rabiscar… está no que eu de facto quero para mim, no que sinto ser o propósito naquele momento que me faz sentido lutar, ir, acreditar… e não precisei de escrever, porque andava perdido em frases feitas e na percepção básica da nossa formação… felicidade… e se repararem, eu não escrevi nada de negativo… tudo o que eu desejava era positivo…

Mas vivemos um tempo estranho, assustador muitas vezes, demasiado incerto, quase irreal. Porque de facto a vida, aquilo que é mais do que uma palavra, é isto mesmo… o sentido do inesperado. E é nessa magnitude que eu tenho encontrado as respostas objetivas para mim… dentro de mim… tal como o Kobe Bryant encontrou para ele, dentro dele… mas observando a Vida, o que lhe trazia, as oportunidades que descobria e a forma como as aproveitava, os desafios que era sujeito e o caminho que escolhia para os enfrentar… o respeito pelos outros e pelo que os outros representavam, mestres do seu caminho… mas ao mesmo tempo permitia-se… permitia-se ao desassossego, permitia-se à frustração, permitia-se ao inexplicável, permitia-se acima de tudo… aprender com as escolhas que ia fazendo.

Eu, na altura, permiti-me escolher. E permiti-me abraçar as consequências da escolha. E permiti-me viver cada dia aprendendo com essas consequências, assumindo-as de braços abertos, independente de serem positivas ou negativas… porque eram fruto de uma escolha minha, de uma decisão que tomei conscientemente naquele momento. E permiti-me aprender e apreender, porque sentia que quanto mais aprendia, mais descobria que esta experiência inabalavelmente única que é viver, é incerta, muitas vezes nos deita abaixo, tantas vezes nos faz sorrir, como tantas vezes nos faz chorar, que perdemos, que ganhamos, que conseguimos mas também muitas vezes não conseguimos, que alcançamos e falhamos, que amamos e odiamos, que sonhamos, desejamos, mas que sempre que caímos, nos erguemos… até um dia… um dia que nunca sabemos qual é… mas até esse dia chegar, eu sei o que é a felicidade para mim… É percorrer o Caminho que eu escolho para mim, a cada dia, independente da forma como o faço, permitindo-me viver, aprender e conquistar o que me permito…independentemente do resultado, estou cá!

E a seguir pergunto-me, o que quero agora para mim? E o que pretendo fazer para alcançar?

“Não faças planos para a vida, para não atrapalhares os planos que vida tem para ti.” Agostinho da Silva

Até amanhã…

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adeus sem dizer adeus…

Augustina. Obrigado Augustina Bessa Luís.

A morte levou-a. Mas não levou a sua memória, as suas palavras, os seus livros e ensaios. A morte pode vir vestida de tecido e levar um corpo, que não apaga o que a vida escreveu.

Faltou tanto. Falta sempre quando se parte. Mas a si apenas me lembra uma coisa, a notabilidade de um Nobel que lhe assentava tão bem. Mas a sua simplicidade aparente não o desejava. Não se deseja tudo aquilo que se merece. E merecia-o.

“Acabarei como aquele que disse que pouco louvou na vida e se arrepende de não ter louvado ainda menos.”

O livro e as folhas nele contidas, foram sendo redigidas pela audácia de uma mulher sem medos. E sempre na roça das frases, devastando ideias e ideais, voçê não se prostrou perante os pensamentos alheios. E escreveu, escreveu e deu a saborear tantas historias, que hoje recordo com a paz de quem olha o seu nome e sente mais do que isso, mais do que as capas, os titulos ou os louvores…sente a paz de uma sabedoria unica e transversal ao seu tempo…

“O privilégio de se ser uma vítima do nosso sentimento de superioridade, é difícil de suportar. Assusta muita gente, parece uma heresia em tempos como os nossos. E, no entanto, é fundamental, para que uma obra seja feita.”

Obrigado Augustina Bessa Luís.

E nunca se diz adeus a quem nunca nos disse adeus…