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o nosso outono

Novembro.

Estamos no mês 11. 

Dito assim, surge-nos desde logo a ideia de estarmos a chegar ao final de mais um ano. 

Mas novembro não é só o mês que antecede o Natal, o fim do ano. Novembro também é muito mais que a associação inata ao dia de todos os santos. Novembro é a simbologia do outono. E o outono é a estação do deixar ir, abandonar o que está a mais em nós, despojar, despir.

Durante o percurso dos dias, vamos alimentando os nossos corpos e mentes, com diversos apetrechos. Ora materiais, ora sentimentais. E esse mesmo tem um tempo de vida em nós. Mas, pelo hábito antigo e humano, de posse, teimamos em alimentá-los para lá da sua morte. Assim carregamos diversos bens materiais e sentimentais/ sensoriais, durante uma longa parte dos nossos caminhos. E pesam, cada vez mais. E voltamos a reinventar maneiras de os manter, com o receio de deixarmos de ser quem somos, só porque abdicamos deles. 

Pois o Outono é a simbologia do despojar, do saber largar o que já não precisamos, o que já morreu. Seja um bem material ou mesmo uma memória, um sentimento que permaneceu mas já não é mais do que um pensamento constante e martirizante, uma história que nos persegue nas sensações, provocando-lhes mal-estar e ansiedades…se olharmos bem uma árvore, como se fossemos nós, podemos meditar sobre a forma como a mesma vai largando e deixando ir todas as suas folhas. Ora, porque elas que um dia foram preciosas formas de contemplação, agora não passam de simples matéria morta que já não faz parte da árvore e à terra devem regressar. Só assim a árvore irá deixar cair-se no inverno dos sentimentos e da presença interior com ela própria, com vista a renovar-se e deixar chegar o novo. 

Agora meditemos a árvore em nós. 

Tudo o que desejamos que mude, o novo que chegue até nós, as novas experiências, etc.…só vai acontecer quando deixamos cair o velho, o desnecessário que outrora foi importante, mas que agora só pesa. 

Logo, o Outono é uma oportunidade de refletir sobre o que já não precisa e deixar ir, sem medos de perda de identidade ou de ficar nua perante si mesma. Seja material ou sentimental, as historias que conta a si próprio sobre a falsa necessidade de a manter é uma perda de tempo. Deixe o novo chegar, mas para isso faça o seu Outono.

Dê a si mesmo(a) essa oportunidade. 

Partilho convosco um pensamento que acabou de me chegar…

“Nascemos sem trazer nada, morremos sem levar nada. Mas mesmo assim seguimos lutando para sermos donos de alguma coisa” …. Anónimo.

Aproveito para lhe desejar um excelente novembro, não deixe de visitar todo o site etherlive71, a Revista Et(h)er dos Dias, os Podcasts, e partilhar todos os conteúdos.

Até breve.

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Eu gosto é do verão… mas não só



Para mim, não há como o verão. Mais luz, mais calor, e isso só por si já bastaria. Já nos tempos da escola, o objetivo-mor era suportar os três períodos até chegarem as férias do verão, as «grandes». Posto isto, é evidente que a situação do outono é bastante complicada. 
O outono, aparentemente, tem tudo contra ele. São os dias que começam a ficar mais pequenos, o frio a vergar aos poucos o calor, a chuva que, se começar a cair, há de ter dificuldade em parar. Os incondicionáveis do verão não têm como apreciar o outono. Até o inverno tem a seu favor o facto de no seu reinado os dias começarem a crescer.
No entanto, se perdoarmos ao outono a desfeita de nos empurrar para longe o verão, poderemos tirar muito proveito dele. A verdade é que nos outonos mais quentes (e até têm sido muitos) chegamos a ansiar por um pouco mais de frio para podermos saborear as castanhas que estão ali a assar à nossa espera, lançando aquele fumo branco que nos desperta não só o olfato, mas todos os outros sentidos. Castanhas ao calor não sabem bem, pois em grande parte são feitas para nos aquecer no outono, enquanto física e psicologicamente nos preparamos para o inevitável frio do inverno, esse a ser contornado já sem a ajuda do prestimoso fruto outonal. Por isso, secretamente, ansiamos por um pouco de frio, quiçá uma nuvem mais densa e lenta a cruzar o céu, o tempo bastante para devorar a dúzia delas embrulhada em papel, que já não é de lista telefónica, esse objeto que deixou de fazer sentido no nosso mundo. 
Penso, também, que grande parte do encanto da castanha se deve ao facto de ser fruto sazonal, impedindo-nos que nos fartemos dele e que por ele ansiemos durante largos meses. Um pouco como as cerejas, o fruto anunciador do verão.
Já alimentados pela castanha, começamos a saber desfrutar melhor da estação intermédia entre o verão e o inverno, os dois extremos mais amados e odiados. E, então, podemos reparar nas cores, no rubro das folhas que caem e correm pelo solo e do sol que se põe também em tons laranja, tal como na temperatura branda que ainda se aguenta nas horas de luz. E perceber, então, que há muito a aproveitar e viver na estação de «passagem», até porque não tarda nada está aí o inverno, esse sim com um feitio frequentemente insuportável.
(Foto Rui Azeredo)

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Aproxima-se o Outono…

Calma, sei que ainda estamos com tempo de Verão, mas a verdade é que a época de Outono aproxima-se a passos largos e quando dermos conta já as folhas estão a cair das árvores.
Nesse sentido, trago hoje duas sugestões cinematográficas, uma clássica e que outra que ainda não estreou. Comecemos pela mais antiga, então.
Com o Outono já se sabe que chega também o início de mais um ano lectivo que é precisamente a temática da minha primeira sugestão, o clássico “O clube dos poetas mortos” de 1989.
 

Recheado com um grande naipe de actores, a começar pelo gigante Robin Williams numa fantástica interpretação como o professor John Keating que vai leccionar uma turma onde podemos encontrar Robert Sean Leonard talvez mais conhecido pela sua participação na série “Dr House”, Ethan Hawke conhecido pelo filme “Dia de treino” por exemplo e Josh Charles, conhecido pelo seu papel do advogado “Will Gardner” na série “The Good wife”, entre outros actores.
Robin Williams aqui interpreta um professor de inglês numa escola clássica nos anos 50 com regras muito rígidas. O “Professor Keating” encoraja os alunos a pensarem “fora da caixa”, a serem originais ao mesmo tempo que lhes dá a a conhecer “O clube dos poetas mortos” que irá mudar para sempre a vida dos alunos e a maneira como estão habituados a ver o mundo. Como seria de esperar, o desafiar de regras históricas nesta escola não irá cair bem entre algumas pessoas com um pensamento mais clássico nomeadamente o director que tudo fará para que as coisas voltem ao normal e tradicional.
Este brilhante drama ganhou vários Óscares em 1990, para melhor argumento, melhor filme, melhor direcção e é claro, melhor actor principal para Robin Williams que festejou efusivamente. A não perder por quem gosta de bom cinema.
Avancemos agora para 2018, quando estreará aquele que será o último filme de outro “gigante de Hollywood”, o Sr Robert Redford.

                                     

Intitulado “The old man & the gun”, este filme que só poderemos ver dia 8 de Novembro em Portugal é baseado na história verídica de Forrest Tucker um criminoso de 70 anos que conseguiu fugir da conhecida prisão de “San Quentin” e que executou uma série de golpes evitando as autoridades. De momento encontra-se nomeado para dois prémios, no festival de cinema de Londres e de Toronto. Segundo Robert Redford será a sua despedida do grande écran, o que por si só já dá um bom motivo para ver esta película. Conta também com a participação de Sissy Spacek, Cassey Affleck e Danny Glover, entre outros.
Espero que apreciem as minhas sugestões. Bom cinema.
RMS