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Regresso do Vinil

Com a crescente procura, os discos de vinil regressaram ao mercado e, principalmente, à moda – não é à toa que no ano anterior se venderam mais vinis do que cd’s, em Portugal.
Para dar resposta a este aumento de procura do vinil, as marcas de audio responderam de imediato, colocando no mercado um vastíssimo número de produtos , adaptáveis a todas as carteiras.
Vou deixar alguns exemplos de gira discos que farão as delícias dos apreciadores do “velhinho” vinil.
Assim, e para que ninguém fique de fora, a alemã Pro – Ject lançou o multipremiado Elemental, que se encontra à venda em imensos locais, Fnac, Worten etc., com um custo que ronda os 150/200 euros.
Se pretende um produto já com maior qualidade , a inglesa Rega, disponibiliza o sua gama Planar que está disponivel a partir de 250 euros, dependendo da exigência de cada um.
Como nos anos 90 o vinil caiu em desuso, muitos dos fabricantes de audio, deixaram de incorporar nos seus produtos uma entrada phono.
Esta lacuna foi por isso aproveitada pelos fabricantes de gira discos e outros, para criarem um produto que fosse ligado a uma fonte Aux, presente em todos esses amplificadores, e assim oferecer aos consumidores de vinil uma alternativa dedicada.
Assim e para os leitores que tenham um amplificador nesta situação, tem a oportunidade de adquirir uma fonte independente de phono, por exemplo da Nad , o PP2 , 100 euros , ou da Rega , o Fono MM ou MC, dependendo da agulha que se utilize, por valores que rondam os 250 euros.
Espero que este artigo possa contribuir para que todos mantenham a sua paixão pelo fantástico vinil.

NAD PP-2
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The show must go on…

Voltar a ver Freddy Mercury, através de Ramy Malek, no grande ecrã foi um momento mágico. “It´s a Kind of Magic” de alguém que marcou uma história, na música, na irreverência e na vontade de se expressar através do seu sonho de ser musico.

Li algumas criticas mais duras ao filme. Mas não é delas que quero falar, até porque este é um daqueles filmes que cada vai olhar para ele de forma diferente. Em especial aqueles que viveram esta época, que ouvem Queen e que sentem os Queen. Eu sou um deles. Tinha quase todos os vinys e cantava musicas como “Love of my life” ou “Who wants to live forever”, ” We will Rock You” ou “Radio Ga Ga”, entre tantas outras…e soletrava cada letra, cantava sózinho pelo corredor de casa…enfim, um adolescente que viveu os Queen, que admirava a voz de Freddy Mercury. E que ficou triste pela sua morte, precoce e a dar inicio aos fantasmas de uma doença letal que foi varrendo algumas figuras miticas da minha geração. 

Mas uma morte que foi dando lugar a inúmeros rumores sobre a vida de Freddy Mercury, que foram apagando silenciosamente o fenómeno genial como musico e compositor. Passadas várias decadas desde a sua morte, este filme traz acima de tudo, uma homenagem justissíma a uma lenda da musica. Como ele queria ser recordado. Como uma lenda, e não como uma mera vitima de SIDA ou pelas suas opções sexuais. Tudo o que saía da musica pertence ao seu elo extritamente privado.

Fiquei contente, como amante da música dos Queen, que o reconhecimento chegue pelo grande ecrã.

E fica a voz inconfundível de alguém que nasceu para mudar o rumo da musica no mundo, e nas gerações.

You Are the Champion.
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Ouvir música em casa é outra coisa.

Ouvir musica em casa é outra coisa!

Hoje em dia, com a evolução própria do século XXI, já quase não paramos para ouvir musica em casa.
O que antes na nossa juventude era tão raro como ter um rádio, um leitor de cassetes ou um giradiscos dos nossos pais, tornou-se hoje obsoleto e a música passou a ser apenas uma distração no carro ou no trabalho.
O fator emocional já não conta, foi claramente substituido pelo consumo digital, fácil e geralmente distante de afeto.
Adquirir um sistema com amplificadores, gira discos, CD’s ou streamers e colunas, quando bem escolhidos, podem ser uma enorme fonte de prazer.
É claro que como em tudo na vida as nossas carteiras e as mulheres atuam como juízes, sendo que as últimas capricham pelo fator estetico, que para elas se torna mais importante que tudo o resto. Mas já não não é preciso perder o sono para se adquirir um sitema de 3 peças de audio e uns cabos para que voltemos a apaziguarmo-nos com o gosto de ouvir musica.
Em breve, deixarei opções que certamente irão alegrar os que gostam de ouvir boa musica.
Em baixo, segue uma coletânea adequada para um serão de castanhas e jeropiga!

Jack Savoretti. -Dr Frankenstein
22- Gavin James
Mountains – Emilie Sandé
Better – Declan J Donovan
City of Stars. – Ryan Gosling …
Minimal sounds. Rita Redshoes
Rise Up. – Andra Day
One – Damien Rice
Os Peixinhos. – Tribalistas
Homenagem aos Tribalistas que visitarão o nosso país.
Porto dia 23 Outubro, lá estarei!!
Quiet one – Big litltle lions
Small window. – Luluc
No need to stay. – Sample anwser
Apocalypse – Cigarretes After Sex
Feel you – old see brigade

Um Abraço.

 

Foto:  retirada do site de um dos melhores críticos de audio em Portugal,
Hificlube.pt
Este sistema é made in Itália, composto por amplificador e leitor de cd da Audio Analogue , acolitado pelas belas italianas da Sonus Faber.
Boa musica sem loucuras.
Estas e outras peças encontram na Imacustica, com lojas em Lisboa e Porto.
Imacustica.pt

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Existem sitios…e existem Aqueles Sítios. Forte Santa Catarina

Existem sitios que gostamos e que até voltamos algumas vezes…mas depois existem aqueles sítios dos quais fazemos visita regular.

Qual a diferença entre uns e outros? A forma como somos recebidos, como nos sentimos reconfortados pelo lugar, pelo que ele nos oferece e como nos oferece.

O Restaurante do Forte de Santa Catarina é um desses Sitios. Desde a qualidade da comida , até à decoração e ao atendimento personalizado, é um espaço onde vou e quero ficar. 

Tem a melhor esplanada da Figueira da Foz. Se não conhece, então ainda não esteve no melhor lugar da cidade para ver de facto o mar, o rio, o enquadramento de sinergias que nos espantam a alma e nos enriquecem os sentidos.

O Pôr do sol tem um encanto particular. Não consegues ficar ausente desse momento único na esplanada principal do restaurante.

E neste ultimo sábado, os promotores do projecto, irmãos de nome Rui e Pedro, organizaram um “adeus” ao Verão de 2018. E foi uma festa única na cidade. Uma festa com musica dos anos 80 e 90. 

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Acreditem que regressei a um passado longínquo e repleto de memórias das festas de garagem, musicas de perder as estribeiras, outras de encostar a ganga às pernas da vizinha ou mesmo de saltarmos como simples miúdos.

E foi ver gente de idades bem distintas, sem preconceitos ou preceitos mais rígidos, a socializarem, a partilharem danças e passos de dança e a conviverem num espaço que merece uma atenção diferente e audaz.

E foram audazes, o Rui e o Pedro. Mas quem quer ser diferente tem de o ser. Não basta parecer, há que o ser. Assim foi e será, pelas ideias e projectos que se avizinham.

E mesmo que haja as eternas vozes discordantes, quais Velhos de um Restelo abandonado, por falarmos de um local do Estado e histórico… pois bem, eu sempre pergunto porque é que os vemos sempre no meio das multidões que desfrutam desses locais? Porque, lá no fundo, também reconhecem que quando bem feito, estes espaços conseguem finalmente sobreviver e viver fora do esquecimento…Porque a Historia é mais do que uma ideia, é um legado a ser desfrutado com empreendedorismo e audácia…e respeito pelo seu passado.

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Mas termino deixando a boa noticia que voltaremos ao Forte de Santa Catarina, para um podcast com o Rui e o Pedro, esses bons irmãos com uma mão cheia de boas ideias. A Não Perder.

E vão, conheçam e apreciem…e digam alguma coisa….por aqui queremos saber sempre a vossa opinião…

Partilhem o artigo e partilhem a ideia.

be Et(h)er, be T(h)ere.

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u2

Os U2 voltam a Portugal, treze anos depois da ultima vez em Lisboa.

Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen, Jr, voltam à cidade onde já muitas vezes foram felizes.

Recordo concertos como Zoo Tv Tour ou a Popmart Tour e por último a Vertigo Tour, já no novo Estádio José de Alvalade a 14 de Agosto de 2005. Mas ainda antes deste regresso a Lisboa, os U2 tocaram em Coimbra, a 2 e 3 de Outubro de 2010.

O inico desta banda da era do post-punk, deu-se em 1976, quando em Dublin, Larry Mullen, Jr, colocou um aviso no boletim da Escola, questionando quem desejava, dos colegas músicos, formar uma banda. Bono, The Edge, Adam Clayton e Dick Evans responderam e os primeiros trabalhos passaram por covers dos Beatles e dos Stones, e a banda chamou-se Feedback. Mas alteraram o nome, quando em 1977, pouco depois de Dick Evans deixar a banda (para formar os The Virgin Prunes), agora sim para U2.

Na história da banda irlandesa, a nível musical, eu escolho 3 álbuns memoráveis na carreira inconfundível dos U2,

  1. The Unforgettable Fire (1984), co-produzido por Brian Eno e Daniel Lanois, que trouxe ao álbum um ambiente experimentalista e onde um “(Pride) In The Name of Love” trazia já agregado uma motivação mais activista da banda (que começara já no passado com “Sunday Bloody Sunday),  foi um tributo a Martin Luther King, Jr. Este álbum entrou para número um nas tabelas inglesas e alcançou o número 12 de vendas nos U.S. A banda conseguiu suportar o álbum com uma tour internacional, de onde lançaram o EP ao vivo “Wide Awake in America” em 1985;
  2. The Joshua Tree (1987), foi considerado por muitos críticos, como uma obra prima. Com este álbum, os U2 conseguiram terem o terceiro álbum a entrar como número um no UK, e o seu primeiro álbum a atingir o topo da tabela nos U.S. Mas o grande recorde foi que em Inglaterra, conseguiu atingir Platina em apenas 28 horas. Músicas como “With our Without you” e “I Still Haven´t Found What I´m looking for”, criaram um legado na vida dos U2, que com este álbum e com uma Tour internacional que foi o maior sucesso de 1987, mereceram serem capas de revistas reconhecidas como a Time. E a partir deste álbum os U2 decidiram fazer um documentário sobre a sua Tour nos EUA, gravando mesmo material novo ao longo da mesma, de onde resultaria outro álbum de qualidade “Rattle&Hum”, que mereceu várias críticas, e que após o mesmo, os U2 fizeram um longo hiato,
  3. Achtung Baby (1990), novamente com Brian Eno e Daniel Lanois,. Foi uma reinvenção de sucesso da sonoridade original da banda. Mas entraram com este álbum numa fase mais eletrónica e de dança, que foi inspirada pela fase dos 70`s de David Bowie e do cenário de Manchester, Achtung Baby foi mais eclético e aventureiro do que os últimos álbuns da banda. Deste trabalho saíram músicas notáveis como “Mysterious Ways” e o único “One”.

Agora que regressam a Portugal com um novo trabalho, os U2 trazem mais de 40 anos de trabalho. Falamos de uma das principais bandas mundiais e que tem deixado um legado de música e concertos por estes anos fora.

Vamos ver qual o feedback dos dois concertos no Altice Arena, esperando sinceramente que o som do local não deixe ficar mal a sonoridade dos U2.

A ver vamos.

E para vocês, qual o melhor álbum dos U2?

Apresentem as vossas respostas.

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4 anos de Musica em DX. Entrevista exclusiva com Luis Sousa

O Música em DX existe desde Março 2014, a nossa primeira reportagem aconteceu em 29 de Março desse ano. Começou por ser um projeto familiar dedicado à fotografia de concerto, e na continuação da nossa procura de divulgar bandas, concertos, e eventos maiores acabámos por transformar no que o MDX é hoje. Ao longo do tempo fui-me cruzando com várias pessoas que foram admirando o que fazemos, e essas mesmas pessoas foram-se propondo a fazer coisas para o MDX também. Já muitas pessoas passaram pelo projeto, hoje em dia somos cerca de 15 pessoas com participação esporádica mas muito calorosa sempre que estão connosco.
Acabámos de comemorar o nosso 4º aniversário com uma belissima festa no Sabotage Club em Lisboa, continuemos com a mesma paixão, dedicação e rock’n’roll nas veias por mais tempo! :)”
LuisMDX-B&W-003Luis Sousa – Responsável e criador da plataforma Musica em DX. Ver em www.musicaemdx.pt

Olá Luis Sousa.
Em primeiro lugar, Parabéns de todo o Universo Et(h)eriano pelo o teu projecto…
E começava precisamente pelos 4 anos de vida do MusicaemDx,
Et(h)er – Como é criar e fazer crescer um projecto destes, puramente amador e puramente gratuito?
Luis Sousa – Olá Carlos, antes de mais muito obrigado pelo vosso interesse em falar connosco, e pela mensagem de parabéns. Bom, quando se cria um projeto deste tipo, e falo apenas na minha experiência com o MDX, não se sabe muito bem o que vai acontecer. Começamos com o entusiasmo de tentar fazer algo diferenciador, no nosso caso num meio onde já existiam alguns projetos de referência idênticos ao nosso – blog de música – e honestamente nunca nos preocupámos em perguntar como era, como se faz, como é que as coisas acontecem. Fomos andando devagar, passo a passo, conhecendo os intervenientes no meio, e começando a comunicar com quem nos interessava, como dizes e bem, de forma amadora, em regime pós-laboral, e sem qualquer fonte de rendimento, como até hoje. Respondendo diretamente à tua questão, não há uma fórmula, há algumas regras que deves respeitar, e as coisas vão acontecendo naturalmente, eu diria.
 
E. – O que te levou a criar o MusicaemDX? Além da paixão, também sentiste que havia uma lacuna que podias preencher?
LS – O projeto nasce entre familiares, numa viagem de família à serra da estrela. A minha sobrinha já colaborava com blogs de música como fotógrafa, eu também já fotografava há algum tempo –  música como festivaleiro, sempre com a máquina “no bolso” e em outros registos completamente diferentes – fotografia de viagem e de paisagem – e com isto e em conversa nessa viagem decidimos juntar-nos para criar algo diferenciador sim, onde a fotografia fosse o elemento principal. Seria uma forma de explorarmos e desenvolvermos a nossa técnica como fotógrafos e, em paralelo, tentar mostrar coisas que não víamos noutros blogs. Daí a envolver-me no mercado e a ser mais solicitado para divulgar artistas ou eventos foi um passo curto.
 
E. – Nestes 4 anos deste a conhecer vários músicos e bandas, até mesmo salas de espetáculo. Sentes-te já, mesmo que seja um pouco, o patrono deles? E qual tem sido, para ti, o contributo mais importante que o Musica em Dx já deu à musica?
LS – Patrono? Nada disso, muito longe até. A nossa função é a de mostrar ao nosso público o que pensamos ter qualidade, nos registos que mais nos definem, sendo que, apesar de filtrarmos bastante, até acabamos por ser ecléticos. Obviamente que sendo um blog de música com menos projeção que uma revista ou jornal de “grande tiragem” acabamos também por estar acessíveis e atrair projetos – e aqui refiro-me a projetos de todo o tipo de intervenientes, dos músicos aos promotores – que também eles que estão a começar, o que em muitos casos nos torna quase como “Pais”, os primeiros que falaram ou divulgaram determinado projeto. Isto reflete-se também nas nossas reportagens, ao longo destes anos temos estado em vários locais onde somos a única publicação a fazer reportagem. Não somos a favor das modas nem dos movimentos “isto é que está a dar”, andamos antes atrás do que nos atrai em determinado momento, sem perder a atenção que queremos dar a outros artistas ou eventos maiores. O maior contributo acaba por ser este, ajudar projetos a chegar a pessoas que provavelmente, e isto sem qualquer presunção da nossa parte, sem a nossa presença num primeiro momento, demorariam mais tempo a aparecer.
 
E. – Tu como eu somos do tempo das poucas e raras revistas de musica em Portugal, como a tão celebre BRAVO (alemã), a Musica&Som, ou mesmo o mais famoso e procurado, o jornal Blitz. Como amante de musica, achas que o surgir da internet ajudou para que as pessoas se abrissem mais à musica, nas suas mais variadas formas?
LS – A internet democratizou sem qualquer dúvida a música em todas as suas vertentes. Exemplo, um artista para produzir um novo trabalho, no seu limite, não precisa sequer de sair de casa para o fazer chegar a milhares, para não dizer milhões, de pessoas. O mesmo se passa com quem divulga estes artistas, entre a suposta imprensa “a sério”, os designados blogs, ou ainda as pessoas que fazem a sua comunicação, agenciamento ou promoção. Esta nova forma tornou-se também incrivelmente mais barata que há uns anos atrás. Apesar de ser importante de manter, há artistas que nunca chegam a ter os custos de produção de discos ou cds, preferem as plataformas digitais porque isto as faz chegar de forma mais barata e rápida aos seus fãs. Por outro lado, a maioria das pessoas que hoje consome música já vagamente compra papel, e em cada vez mais raros casos persiste em comprar cd’s ou discos de novas bandas. No seu dia a dia ouve música nos spotify’s e bandcamp’s da vida, e lê música também de forma digital. Repara na tendência até demonstrada pela Blitz com o anúncio da redução do nº de edições em papel. Perceberam que não conseguem vencer a tendência demonstrada pelos blogs, e decidiram poupar custos com a produção da edição física em papel. É a realidade dos nossos dias.
 
E. – Para onde queres levar o MusicaemDx?
LS – Bom, é uma questão difícil. Como sabes o MDX existe à conta de muita carolice, de muita vontade “pro bono” de todos os que colaboram livremente com a revista, e de muito tempo pessoal “roubado” ao nosso dia a dia. Essa é uma pergunta que deve ser feita não só a todos os responsáveis por blogs de música, como também aos profissionais deste mercado. Que futuro queremos? Continuar a insistir na existência dos blogs como projetos que se situam num mercado onde todos os seus agentes têm rendimento da sua atividade – pouco ou muito, não interessa para o caso – exceto estes blogs? Continuar a ajudar artistas, promotores de eventos, agentes, produtores, etc, a ganhar o seu merecido ganha-pão a troco de nada ganho e muito dinheiro gasto? Ou por outro lado, profissionalizar estas estruturas, que hoje são 100% amadoras, e fazer ver ao mercado que queremos ser parte ativa e respeitável, integrante no mesmo ciclo de que eles já fazem parte? Não te sei dizer agora, é uma discussão que terá que ser tomada publicamente. Se daqui a um ano me perguntares o mesmo talvez tenha a resposta mais clara.
 
E – Termino com um desafio para ti, aliás dois. Aqui vão,

  • – Imagina que tens um turista adolescente à tua frente, grande fã de musica, mas não conhece nada de bandas e autores portugueses. Como o convencer a ouvir?

LS – Não é difícil. Se ele já cá está é um bom principio, porque se interessa por Portugal. Começava por lhe explicar que em termos criativos estaremos a atravessar uma das décadas mais ricas de sempre, e, para o demonstrar poderia levá-lo a qualquer uma das salas lisboetas que habitualmente frequentamos. Do Cais do Sodré ao Bairro Alto ou à Graça, de 2ªfeira a Domingo, temos todos os dias concertos de excelentes bandas da chamada nova música portuguesa.
 

  • Nomeio-te director do festival de verão do Universo Et(h)er. Qual o cartaz que gostavas de ter?

LS – Digamos que os meus “quase 45 anos” de idade me levariam a uma escolha diversa. Desde as bandas da minha adolescência – Sisters Of Mercy, Bauhaus ou Peter Murphy, Depeche Mode, New Order, Metallica, The Mission – a vários exemplos da música de hoje, seria seguramente um cartaz de vários dias e ao mais alto nível.
 
Grato Luis. Grato a toda a equipa do Musica em Dx.
E contamos com muito mais anos do projecto, sempre com óptimas reportagens e grandes descobertas. Da parte do Et(h)er, estamos cá para vos acompanhar.
Fotos: Jorge Buco
 

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SEXTILE, SORRIR PARA O ABISMO, por musicaemdx

Publicado com a permissão de http://www.musicaemdx.pt

A noite de segunda-feira trouxe consigo a chuva e o vento, mas a passagem dos Sextile, oriundos dos Estados Unidos e neste momento sediados em Los Angeles, pelo Sabotage Club, fez com que mais de uma centena de pessoas abandonassem os seus sofás entre outras coisas a favor de mais uma noite cheia de emoções e energias fortes, ásperas e quentes. Estas casas cheias numa noite de segunda-feira não deixam ninguém indiferente, e se deixam, não deveriam de deixar.  São noites que se saboreiam de uma forma diferente para a maioria e que deixam a sua marca distinta.

20180226 - Sextile @ Sabotage Club

A sonoridade dos Sextile produz um impacto duradouro e extravagante. Um impacto que se sente no corpo todo, que nos entra na cabeça através dos estampidos da bateria de Melissa e dos sintetizadores de Eddie e que a voz de Brady e a guitarra de Cameron fazem explodir em nós.

Passaram por Portugal, estiveram no Porto no domingo e em Lisboa na segunda para os últimos concertos da tour do segundo álbum, Albeit Living, que foi editado em Agosto passado, e fazem questão de o dizer, como se nos estivessem a avisar que esta noite poderá ter muito mais nela que apenas mais um concerto a uma segunda feira no Cais do Sodré.

20180226 - Sextile @ Sabotage Club

E não, isto não é apenas mais uma noite, mais um concerto, mais uns copos a ouvir música. Os Sextile são intensos. Intensos daquela forma que até o nosso corpo estranha essa mesma intensidade. Intensos de uma forma que se mete debaixo da nossa pele, um incómodo necessário para continuar vivo ou para não cair no abismo.

Existem muitos momentos, sem luz, muitos momentos com uma luz ténue e em quase todos os momentos uma luz que pulsa mais forte que o ritmo.

20180226 - Sextile @ Sabotage Club

Arrebatadores, cheios de uma ira intensa e apaixonada, soam exactamente como eu imagino que soa quase toda a América soa neste momento, revoltada, agitada, nervosa. Prontos a explodir a qualquer momento.

One Of These é quase isso, e Who Killed Six é exactamente isso.

A casa enche um pouco mais à medida que o concerto avança, assim como a energia explosiva que emana especialmente de Brady, como se ele fosse o escape dos outros membros da banda, como se por ele fluísse toda a electrizante batida.

20180226 - Sextile @ Sabotage Club

Ripped e Sterilezed, assim a menos de um metro de distãncia da banda, a observar as expressões de cada um deles, têm uma batida hipnótica, arrojada, industrial puxada pelos sintetizadores que Eddie e Cameron dirigem.

Mellissa conduz com ritmo completamente certo a energia entusiasmada de Eddie que ataca os seus sintetizadores com um sorriso na cara enquanto produz e reproduz a repetição ampliada, aumentada pela guitarra de Cameron e a voz de Brady parece estar quase sempre no ponto de ruptura como se a qualquer instante fosse sucumbir à sua própria revolta.

Quiseram sair sem um encore mas não era possível. Como poderiam sair sem um encore no último concerto da tour? Como poderiam sair sem um encore depois de um concerto assim?

O concerto foi curto, pouco ultrapassou os sessenta minutos, todos eles intensos, electrizantes, repetitivos, duros, ásperos. Intensos. Intensos como se estivéssemos uma hora a olhar para o fundo do abismo enquanto o nosso coração quase chega à boca para que no último momento, quando tudo cessa possamos respirar fundo e querer mais.

Queremos mais.

Texto – Isabel Maria
Fotografia – Luis Sousa

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canal et(h)er dos dias no vimeo


Hoje inauguramos outra peça deste projecto.
O canal do et(h)er dos dias no Vimeo.
Através do simbolo do VIMEO que encontrão  no lado esquerdo, nas ligações directas, no V. Depois é só escolherem os meus Likes do lado esquerdo também ( isto já na pagina do Vimeo).
Irão futuramente encontrar videos meus, como pequenos filmes, reportagens das entrevistas do podcast, etc.
Mas irão também encontrar canais de pessoas que trabalham muito com cinema, com documentários, com musica, com teatro, etc.
E precisamente para começar, eu escolhi o canal do Michal Marczak. Nascido em 1982, na Polonia, Michal é cineasta/ director de fotografia, e realizou trabalhos como o videoclip dos Radiohead “I promisse”. Outros trabalhos foram conduzidos por Michal quer com os Radiohead, quer com Tom Yorke, como “Beautiful People ( Under the Sun)” onde Tom trabalhou com Mark Pritchard.
O seu ultimo trabalho, “All These Sleepless Nights”  foi premiado em 2016, no Festival de Sundance, com o premio de melhor realizador.
Deixo-vos com o trailer desse mesmo filme.


Espero que gostem desta primeira escolha. O canal vai ser assim, com uma escolha e com muito mais a mostrar. Descubram e divulguem.
O canal é no simbolo do V.
 

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noiserv. UM musico – Muita Musica.


 
Descobri a musica de noiserv através de um primo. Quando me sugeriu a escutar, referiu-me desde logo que teria muito a ver comigo. E não se enganou.
As letras, os ritmos misturados e a capacidade de criar e recriar no meio de vários instrumentos, faz de noiserv um momento único de musica.
Revejo-me em tantas canções, como o “vinte e três” ( que surge na primeira publicação sobre noiserv), em “quinze”, mas também naquelas onde apenas são os instrumentos que falam.
Recordo um episódio curioso. Certo dia, um daqueles em que as nuvens estavam dentro de mim e não a taparem o lindo sol que brilhava lá fora, e coloquei o álbum 00:00:00:00. Cada musica é um numero, como se tratasse de uma qualquer viagem de tempo. e foi nesse tempo que me revi tanto em “vinte e três”,
ABRIR A JANELA VOZES A GRITAR,
QUERO ACORDAR ALGUÉM
TER A MEMÓRIA A CORRER
ATRÁS DE MIM, O MUNDO
AINDA NÃO PAROU
OLHAR PARA TRÁS SEM MEDO
DE MORRER, NÃO PERDER
O QUE QUERO LEMBRAR
DEIXAR CAIR PARA ONDE VAIS,
COISAS SIMPLES E REAIS
e tudo o que ele dizia, a forma como deixava cada nota musical cumprir o seu propósito, eu limpava o meu rio. Deixei-o correr. Foi inspirador. E de facto, o Mundo ainda não tinha parado.
Fiquem e desfrutem de mais um pouco de noiserv. E procurem em

O espaço de noiserv no Spotify.
Deixem-se ir na corrente. Descubram e experimentem.
 

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THE LEGENDARY TIGERMAN, A ENTREVISTA SOBRE O INICIO DE UMA NOVA ETAPA COM MISFIT, por musicaemdx

Publicado com a permissão de www.musicaemdx.pt

 
É já nesta Quinta-feira, dia 22 de Fevereiro, que The Legendary Tigerman começa a tour portuguesa de “MISFIT”, disco lançado mundialmente em Janeiro pela Sony Music. Com uma carreira a solo que leva quase duas décadas, falámos um pouco com Paulo Furtado sobre este seu mais recente trabalho que acaba por marcar uma nova fase da carreira do Lendário Homem-Tigre.

Música em DX (MDX) – Misfit é um disco diferente do anterior por várias razões. Do conhecimento público vem o facto de pela primeira vez não teres trabalhado completamente sozinho nele, o que só de si acaba por abarcar novas experiências. Sentes que Misfit marca uma nova etapa de The Legendary Tigerman?
Paulo Furtado – Sim, claramente. É muito relevante para o som do disco e para o projecto o facto de neste momento isto ser mais uma banda do que um one-man-band, e desde o início que pensei em compor para esta formação, e ter isso em conta na escolha das músicas. O facto de MISFIT ser parte de um projecto maior, que também é cinema e fotografia, também o distingue de tudo o que está para trás.
MDX – Pela primeira vez em quase vinte anos, The Legendary Tigerman entra então em estúdio para gravar acompanhado (com Paulo Sagadães e João Cabrita). O que é que te motivou a levá-los para estúdio? Desde True que tocam juntos. Essa experiência foi preponderante?
Paulo Furtado – Bem, esta transformação não foi exactamente pensada, foi acontecendo. Primeiro entrou o Sega, e durante algum tempo tocámos com as duas baterias em palco e havia uma mistura do one-man-band com a bateria, e passado uns tempos o Sega estava a tocar o concerto todo, e de repente aquilo fazia sentido. O Cabrita também começou assim, como convidado em algumas canções em concertos especiais, porque ele tinha escrito arranjos para o True, e de repente havia uma linguagem musical nova e fresca, que tinha sido criada ao vivo, e para mim fazia sentido tentar compor para este formato. Foi isso que veio a acontecer no MISFIT.
MDX – Misfit, o desajustado. Não é segredo para ninguém, dado que já o disseste publicamente, que este foi um sentimento que te acompanhou ao longo do teu crescimento e até mesmo enquanto adulto. Sentes-te mais perto de ti mesmo neste disco do que nos cinco anteriores?
Paulo Furtado – Sim, sempre senti isso, na realidade, desde muito novo, e de repente também me pacifiquei com esse sentimento, porque é fixe e bom ser desajustado num mundo que nem sempre é o mais correcto e interessante. É bom fazer coisas que nem toda a gente goste, não preciso que muita gente goste de mim, alguns até prefiro que não gostem!
Claro que há um preço a pagar por isso, mas na realidade, não creio que conseguisse fazer as coisas de outra maneira. Mas sempre fui muito honesto em todos os discos que fiz, sinto-me muito próximo de todos, eram exactamente os disco que queria fazer em cada um dos momentos.
MDX – Numa altura em que se discute “a morte do rock’n’roll” para outros géneros musicais, tens uma faixa que se chama “Fix of Rock’n’Roll”. É alguma espécie de statement em relação ao assunto ou mera coincidência?
Paulo Furtado – Não é coincidência, claro. Como não é coincidência que o disco seja de alguma forma mais pesado que os anteriores, tive vontade de fazer um disco de rock´n´roll neste momento, e com esta formação. Em todas as décadas se fala da morte do Rock´n´Roll, mas acho que ainda não é desta. Acho que isso nunca irá acontecer, há-de sempre haver um puto a pegar numa guitarra eléctrica e a sentir esse energia, que é muito diferente de tudo o resto.

                                   

MDX – Para a escrita das letras em que é que vais buscar referências? À tua vida, às tuas experiências ou também tens, por exemplo, alguns autores literários nos quais também te inspiras?
Paulo Furtado – Neste disco quis ser mais influenciado pela estrada e pelo universo que criei para o Fade into Nothing, o filme que criei com o Pedro Maia e a Rita Lino, e que no fundo foi o início de todos este processo. Tentei escrever muito pelo olhar do personagem principal do filme, a quem dou corpo, chamado MISFIT, mas claro que a experiência pessoal e a vivência acabam por estar sempre presentes na escrita das canções. E, no fundo, toda a arte com que contacto me influencia, seja um quadro, um filme, um livro. Acho que há sempre qualquer coisa que te vai abrindo portas e janelas na pessoa que és, e isso acaba por influenciar a tua arte, também.
MDX – Como disseste, Misfit foi também um trabalho que, por consequência, acabou por destacar outras paixões tuas: o cinema e a fotografia. Ao mesmo tempo que surgia “Fade Into Nothing”, nascia também a composição de “Misfit”. De que forma é que estas experiências ganharam vida e como é que se reflectem verdadeiramente no disco?
Paulo Furtado – Bem, já respondi a uma parte desta questão, creio, mas de facto forcei-me a escrever por outros olhos, e tentar fazê-lo de uma maneira rápida e intuitiva, e na realidade o grosso do disco foi escrito diariamente entre Los Angeles e Death Valley, durante a rodagem do filme. Há muita coisa cruzada entre o filme e o disco, muitas ideias que muitas vezes são desenvolvidas no diário, ou podem ter uma justificação nas canções. Há muitas pistas para isso no disco e no filme, para quem as queira procurar. Para mim era importante precipitar uma escrita mais rápida e intuitiva, menos reflectida.
MDX – Gravar num estúdio em pleno deserto reforça um bocadinho a ideia do Misfit, havendo este isolamento bastante literal. Existe todo este imaginário que acaba por se tornar muito gráfico enquanto ouvimos o disco. O que é que te impulsionou a ir gravar para um estúdio no deserto (para além de, obviamente, o estúdio ser excelente)?
Paulo Furtado – Por um lado, queria muito gravar no Rancho, desde que ouvi as primeiras Desert Sessions, e quando visitei o estúdio a primeira vez senti uma energia muito especial, senti que aquele era um local muito inspirador. Por outro lado, queria muito estar fora da minha zona de conforto e dos instrumentos e sons que conheço bem, e também que precisávamos desse isolamento, como músicos que pela primeira vez estavam a gravar um disco. A escolha dos instrumentos para os arranjos finais ou certas sonoridades das guitarras, por exemplo, foram decisões tomadas lá, com o que estava disponível. Creio que tudo isto era efectivamente necessário para chegarmos à sonoridade de MISFIT. E tendo escrito o disco naquela zona, e sendo o deserto uma influência tão grande neste albúm, fazia todo o sentido.

MDX – Passado todo este tempo, que distância emocional, ou até fictícia, consideras haver entre o alterego The Legendary Tigerman e a pessoa Paulo Furtado? Aliás, será que existe sequer, hoje em dia, alguma diferença entre os dois?
Paulo Furtado – Creio que essa diferença se foi acentuando, ao longo dos anos, na realidade. Talvez no início não houvesse tantas diferenças assim entre mim e a persona de palco, talvez estivéssemos os dois sempre ligados e a mil. Hoje em dia crescemos, ambos, mas de maneiras muito diferentes, creio. Permitiu-me a mim viver melhor e fazer mais coisas, creio, e permitiu-me também crescer muito em palco e disco, como Tigerman.
MDX – Sentes que com o tempo fica menos difícil expressares-te e dares forma às tuas emoções através da tua música?
Paulo Furtado – De certo modo acho que sim, apesar de eu fazer um grande esforço para não me repetir e tentar reformular o modo como faço música, de disco para disco. Quando chega o momento de fazer um disco ou fazer um concerto, não creio que as coisas sejam verdadeiramente mais fáceis, há uma grande exigência, sempre.
MDX – Voltando um pouco atrás no tempo, como é que alguém tímido e com esse sentimento de não pertença ganha coragem de subir ao palco e fazer deste universo – em que acabas sempre por te expor – a sua vida?
Paulo Furtado – Não te sei explicar exactamente como isso aconteceu. Acho que no fundo fui recebendo mais do que perdia, no sentido que foi um modo de poder continuar a desenquadrar-me, ainda que inserido na sociedade, e consegui exprimir coisas que provavelmente não conseguiria exprimir de outro modo. E a energia que sentes ao fazer um concerto de Rock´n´roll, é algo extraordinário. Quando tudo corre bem num concerto, quando consegues ligar-te ao público e que ele se ligue a ti, naquele momento perfeito de partilha e comunhão, isso é das coisas mais bonitas que pode acontecer, para mim. Não acontece sempre, mas é uma coisa que procuro sempre, e creio que estar em palco é algo de muito, muito especial, à qual me fui afeiçoando cada vez mais e ganhando cada vez mais respeito.
MDX – Tendo sido o desenho o teu primeiro talento natural, de que forma é que este se foi mantendo presente na tua vida?
Paulo Furtado – Curiosamente, hoje em dia só desenho nas férias. É a única coisa que realmente me acalma e relaxa. Desenho plantas. Talvez um dia volte a desenhar e pintar outras coisas.
MDX – Sentes que o cinema e a fotografia se vão tornar uma parte mais constante da tua vida profissional no futuro?
Paulo Furtado – Sinto que já são, mas muita vezes opto por deixar isso numa segunda linha, ou passa um pouco mais despercebido do grande público.
MDX – Para além do cinema e da fotografia, recentemente também produziste aquele que será o disco a solo de Sean Riley, que vai abrir os teus concertos na tour de Misfit portuguesa. Já no ano passado também tinhas assumido a produção de “Lucifer”, disco dos The Poppers. Qual é o maior contraste entre ser músico e produtor?
Paulo Furtado – No fundo continuas a ser músico, enquanto produtor. A grande diferença é que tens um olhar externo em relação às canções, consegues ter um olhar mais crítico e vislumbrar caminhos de produção mais facilmente, porque não são as tuas canções, são canções de outras pessoas, são escritas passando por processos emocionais que muitas vezes influenciam o modo como são tocadas e arranjadas. Como produtor, tenho distância em relação a isso, e consigo perceber mais facilmente o que a canção ou o disco precisam. Por mais próximo que esteja, é um olhar de fora. No cinema é a mesma coisa, quem está atrás da câmara (com todas as exceções, porque não acredito em regras e há sempre mil modos de fazer as coisas) não deve estar a montar um filme, porque há uma memória e uma ideia do dia de rodagem, por exemplo. Imagina que houve uma cena super difícil de filmar, mas que no final consegues. Alguém que não saiba disso terá um olhar muito mais pragmático em relação a ela. Voltando à música, esse olhar mais distanciado também ajuda a reconhecer as mais valias de cada um também, bem como das canções, e tentar ao máximo ajudar a maximizar tudo isso. No fundo, todas as experiências que vais tendo te vão fazendo crescer como músico e produtor.
MDX – Tendo uma estética muito própria, como é que te consegues abstrair dela quando trabalhas no papel de produtor com outros artistas?
Paulo Furtado – Bem, nunca me abstraio totalmente da minha estética, creio. Qualquer autor que tenha uma assinatura e visão não pode abstrair da sua estética, e acho que isso também é claro na cabeça de quem me procura. No fundo o que acontece é que coloco a minha experiência e essa estética ao serviço de outras pessoas e de outras visões. Mas antes de qualquer trabalho desse género, ou mesmo quando faço bandas sonoras de cinema ou teatro, e faço muitas e muitas vezes, e bastante diferentes do que as pessoas esperam do ponto de vista sonoro, tento explicar tudo isto ao máximo, e perceber se faz realmente sentido trabalharmos juntos. Às vezes, pura e simplesmente, não faz. E é importante perceber isso antes.
MDX – Enquanto artista tens uma relação muito especial com França. A tour de Misfit começou precisamente por lá e as pessoas adoram-te. Como é que surge esse arrebatamento com França?
Paulo Furtado – Não sei, surgiu de uma maneira natural, creio, sempre houve gente que se interessou por aquilo que faço, por lá. E creio que é um país que sempre gostou de Blues e Rock´n´Roll.
MDX – Quinta-feira começa a tour por Portugal no Lux. Nos teus concertos a temperatura costuma subir muito rapidamente. O que é que te dá mais prazer durante um concerto em relação a ti em palco e à reação do público?
Paulo Furtado – Quando num pequenino momento, parece que somos um só. É um sentimento incrível.
Agenda concertos Portugal
22 de Fevereiro – Lux Frágil – Lisboa
2 de Março – Porto – Hard Club
9 de Março – Arcos de Valdevez – Sons de Vez
10 de Março – Aveiro – Teatro Aveirense
15 de Março – Évora – Teatro Municipal Garcia de Resende
16 de Março – Castelo Branco – Teatro Avenida
17 de Março – Alcobaça – Cine-Teatro de Alcobaça João D’Oliva Monteiro
23 de Março – Tondela – ACERT
24 de Março – Braga – Theatro Circo
29 de Março – Coimbra – TAGV
Entrevista – Sofia Teixeira | Blog BranMorrighan
Fotografia – Rita Lino | The Legendary Tigerman