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4 anos de Musica em DX. Entrevista exclusiva com Luis Sousa

O Música em DX existe desde Março 2014, a nossa primeira reportagem aconteceu em 29 de Março desse ano. Começou por ser um projeto familiar dedicado à fotografia de concerto, e na continuação da nossa procura de divulgar bandas, concertos, e eventos maiores acabámos por transformar no que o MDX é hoje. Ao longo do tempo fui-me cruzando com várias pessoas que foram admirando o que fazemos, e essas mesmas pessoas foram-se propondo a fazer coisas para o MDX também. Já muitas pessoas passaram pelo projeto, hoje em dia somos cerca de 15 pessoas com participação esporádica mas muito calorosa sempre que estão connosco.
Acabámos de comemorar o nosso 4º aniversário com uma belissima festa no Sabotage Club em Lisboa, continuemos com a mesma paixão, dedicação e rock’n’roll nas veias por mais tempo! :)”
LuisMDX-B&W-003Luis Sousa – Responsável e criador da plataforma Musica em DX. Ver em www.musicaemdx.pt

Olá Luis Sousa.
Em primeiro lugar, Parabéns de todo o Universo Et(h)eriano pelo o teu projecto…
E começava precisamente pelos 4 anos de vida do MusicaemDx,
Et(h)er – Como é criar e fazer crescer um projecto destes, puramente amador e puramente gratuito?
Luis Sousa – Olá Carlos, antes de mais muito obrigado pelo vosso interesse em falar connosco, e pela mensagem de parabéns. Bom, quando se cria um projeto deste tipo, e falo apenas na minha experiência com o MDX, não se sabe muito bem o que vai acontecer. Começamos com o entusiasmo de tentar fazer algo diferenciador, no nosso caso num meio onde já existiam alguns projetos de referência idênticos ao nosso – blog de música – e honestamente nunca nos preocupámos em perguntar como era, como se faz, como é que as coisas acontecem. Fomos andando devagar, passo a passo, conhecendo os intervenientes no meio, e começando a comunicar com quem nos interessava, como dizes e bem, de forma amadora, em regime pós-laboral, e sem qualquer fonte de rendimento, como até hoje. Respondendo diretamente à tua questão, não há uma fórmula, há algumas regras que deves respeitar, e as coisas vão acontecendo naturalmente, eu diria.
 
E. – O que te levou a criar o MusicaemDX? Além da paixão, também sentiste que havia uma lacuna que podias preencher?
LS – O projeto nasce entre familiares, numa viagem de família à serra da estrela. A minha sobrinha já colaborava com blogs de música como fotógrafa, eu também já fotografava há algum tempo –  música como festivaleiro, sempre com a máquina “no bolso” e em outros registos completamente diferentes – fotografia de viagem e de paisagem – e com isto e em conversa nessa viagem decidimos juntar-nos para criar algo diferenciador sim, onde a fotografia fosse o elemento principal. Seria uma forma de explorarmos e desenvolvermos a nossa técnica como fotógrafos e, em paralelo, tentar mostrar coisas que não víamos noutros blogs. Daí a envolver-me no mercado e a ser mais solicitado para divulgar artistas ou eventos foi um passo curto.
 
E. – Nestes 4 anos deste a conhecer vários músicos e bandas, até mesmo salas de espetáculo. Sentes-te já, mesmo que seja um pouco, o patrono deles? E qual tem sido, para ti, o contributo mais importante que o Musica em Dx já deu à musica?
LS – Patrono? Nada disso, muito longe até. A nossa função é a de mostrar ao nosso público o que pensamos ter qualidade, nos registos que mais nos definem, sendo que, apesar de filtrarmos bastante, até acabamos por ser ecléticos. Obviamente que sendo um blog de música com menos projeção que uma revista ou jornal de “grande tiragem” acabamos também por estar acessíveis e atrair projetos – e aqui refiro-me a projetos de todo o tipo de intervenientes, dos músicos aos promotores – que também eles que estão a começar, o que em muitos casos nos torna quase como “Pais”, os primeiros que falaram ou divulgaram determinado projeto. Isto reflete-se também nas nossas reportagens, ao longo destes anos temos estado em vários locais onde somos a única publicação a fazer reportagem. Não somos a favor das modas nem dos movimentos “isto é que está a dar”, andamos antes atrás do que nos atrai em determinado momento, sem perder a atenção que queremos dar a outros artistas ou eventos maiores. O maior contributo acaba por ser este, ajudar projetos a chegar a pessoas que provavelmente, e isto sem qualquer presunção da nossa parte, sem a nossa presença num primeiro momento, demorariam mais tempo a aparecer.
 
E. – Tu como eu somos do tempo das poucas e raras revistas de musica em Portugal, como a tão celebre BRAVO (alemã), a Musica&Som, ou mesmo o mais famoso e procurado, o jornal Blitz. Como amante de musica, achas que o surgir da internet ajudou para que as pessoas se abrissem mais à musica, nas suas mais variadas formas?
LS – A internet democratizou sem qualquer dúvida a música em todas as suas vertentes. Exemplo, um artista para produzir um novo trabalho, no seu limite, não precisa sequer de sair de casa para o fazer chegar a milhares, para não dizer milhões, de pessoas. O mesmo se passa com quem divulga estes artistas, entre a suposta imprensa “a sério”, os designados blogs, ou ainda as pessoas que fazem a sua comunicação, agenciamento ou promoção. Esta nova forma tornou-se também incrivelmente mais barata que há uns anos atrás. Apesar de ser importante de manter, há artistas que nunca chegam a ter os custos de produção de discos ou cds, preferem as plataformas digitais porque isto as faz chegar de forma mais barata e rápida aos seus fãs. Por outro lado, a maioria das pessoas que hoje consome música já vagamente compra papel, e em cada vez mais raros casos persiste em comprar cd’s ou discos de novas bandas. No seu dia a dia ouve música nos spotify’s e bandcamp’s da vida, e lê música também de forma digital. Repara na tendência até demonstrada pela Blitz com o anúncio da redução do nº de edições em papel. Perceberam que não conseguem vencer a tendência demonstrada pelos blogs, e decidiram poupar custos com a produção da edição física em papel. É a realidade dos nossos dias.
 
E. – Para onde queres levar o MusicaemDx?
LS – Bom, é uma questão difícil. Como sabes o MDX existe à conta de muita carolice, de muita vontade “pro bono” de todos os que colaboram livremente com a revista, e de muito tempo pessoal “roubado” ao nosso dia a dia. Essa é uma pergunta que deve ser feita não só a todos os responsáveis por blogs de música, como também aos profissionais deste mercado. Que futuro queremos? Continuar a insistir na existência dos blogs como projetos que se situam num mercado onde todos os seus agentes têm rendimento da sua atividade – pouco ou muito, não interessa para o caso – exceto estes blogs? Continuar a ajudar artistas, promotores de eventos, agentes, produtores, etc, a ganhar o seu merecido ganha-pão a troco de nada ganho e muito dinheiro gasto? Ou por outro lado, profissionalizar estas estruturas, que hoje são 100% amadoras, e fazer ver ao mercado que queremos ser parte ativa e respeitável, integrante no mesmo ciclo de que eles já fazem parte? Não te sei dizer agora, é uma discussão que terá que ser tomada publicamente. Se daqui a um ano me perguntares o mesmo talvez tenha a resposta mais clara.
 
E – Termino com um desafio para ti, aliás dois. Aqui vão,

  • – Imagina que tens um turista adolescente à tua frente, grande fã de musica, mas não conhece nada de bandas e autores portugueses. Como o convencer a ouvir?

LS – Não é difícil. Se ele já cá está é um bom principio, porque se interessa por Portugal. Começava por lhe explicar que em termos criativos estaremos a atravessar uma das décadas mais ricas de sempre, e, para o demonstrar poderia levá-lo a qualquer uma das salas lisboetas que habitualmente frequentamos. Do Cais do Sodré ao Bairro Alto ou à Graça, de 2ªfeira a Domingo, temos todos os dias concertos de excelentes bandas da chamada nova música portuguesa.
 

  • Nomeio-te director do festival de verão do Universo Et(h)er. Qual o cartaz que gostavas de ter?

LS – Digamos que os meus “quase 45 anos” de idade me levariam a uma escolha diversa. Desde as bandas da minha adolescência – Sisters Of Mercy, Bauhaus ou Peter Murphy, Depeche Mode, New Order, Metallica, The Mission – a vários exemplos da música de hoje, seria seguramente um cartaz de vários dias e ao mais alto nível.
 
Grato Luis. Grato a toda a equipa do Musica em Dx.
E contamos com muito mais anos do projecto, sempre com óptimas reportagens e grandes descobertas. Da parte do Et(h)er, estamos cá para vos acompanhar.
Fotos: Jorge Buco
 

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SEXTILE, SORRIR PARA O ABISMO, por musicaemdx

Publicado com a permissão de http://www.musicaemdx.pt

A noite de segunda-feira trouxe consigo a chuva e o vento, mas a passagem dos Sextile, oriundos dos Estados Unidos e neste momento sediados em Los Angeles, pelo Sabotage Club, fez com que mais de uma centena de pessoas abandonassem os seus sofás entre outras coisas a favor de mais uma noite cheia de emoções e energias fortes, ásperas e quentes. Estas casas cheias numa noite de segunda-feira não deixam ninguém indiferente, e se deixam, não deveriam de deixar.  São noites que se saboreiam de uma forma diferente para a maioria e que deixam a sua marca distinta.

20180226 - Sextile @ Sabotage Club

A sonoridade dos Sextile produz um impacto duradouro e extravagante. Um impacto que se sente no corpo todo, que nos entra na cabeça através dos estampidos da bateria de Melissa e dos sintetizadores de Eddie e que a voz de Brady e a guitarra de Cameron fazem explodir em nós.

Passaram por Portugal, estiveram no Porto no domingo e em Lisboa na segunda para os últimos concertos da tour do segundo álbum, Albeit Living, que foi editado em Agosto passado, e fazem questão de o dizer, como se nos estivessem a avisar que esta noite poderá ter muito mais nela que apenas mais um concerto a uma segunda feira no Cais do Sodré.

20180226 - Sextile @ Sabotage Club

E não, isto não é apenas mais uma noite, mais um concerto, mais uns copos a ouvir música. Os Sextile são intensos. Intensos daquela forma que até o nosso corpo estranha essa mesma intensidade. Intensos de uma forma que se mete debaixo da nossa pele, um incómodo necessário para continuar vivo ou para não cair no abismo.

Existem muitos momentos, sem luz, muitos momentos com uma luz ténue e em quase todos os momentos uma luz que pulsa mais forte que o ritmo.

20180226 - Sextile @ Sabotage Club

Arrebatadores, cheios de uma ira intensa e apaixonada, soam exactamente como eu imagino que soa quase toda a América soa neste momento, revoltada, agitada, nervosa. Prontos a explodir a qualquer momento.

One Of These é quase isso, e Who Killed Six é exactamente isso.

A casa enche um pouco mais à medida que o concerto avança, assim como a energia explosiva que emana especialmente de Brady, como se ele fosse o escape dos outros membros da banda, como se por ele fluísse toda a electrizante batida.

20180226 - Sextile @ Sabotage Club

Ripped e Sterilezed, assim a menos de um metro de distãncia da banda, a observar as expressões de cada um deles, têm uma batida hipnótica, arrojada, industrial puxada pelos sintetizadores que Eddie e Cameron dirigem.

Mellissa conduz com ritmo completamente certo a energia entusiasmada de Eddie que ataca os seus sintetizadores com um sorriso na cara enquanto produz e reproduz a repetição ampliada, aumentada pela guitarra de Cameron e a voz de Brady parece estar quase sempre no ponto de ruptura como se a qualquer instante fosse sucumbir à sua própria revolta.

Quiseram sair sem um encore mas não era possível. Como poderiam sair sem um encore no último concerto da tour? Como poderiam sair sem um encore depois de um concerto assim?

O concerto foi curto, pouco ultrapassou os sessenta minutos, todos eles intensos, electrizantes, repetitivos, duros, ásperos. Intensos. Intensos como se estivéssemos uma hora a olhar para o fundo do abismo enquanto o nosso coração quase chega à boca para que no último momento, quando tudo cessa possamos respirar fundo e querer mais.

Queremos mais.

Texto – Isabel Maria
Fotografia – Luis Sousa

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MINI FÉRIAS EM MADRID, PRETEXTO PARA TESTAR UMA POSSÍVEL AQUISIÇÃO MIRRORLESS, pelo et(h)eriano Luis Sousa

Coincidiram os factos ir até Madrid para umas mini-férias para matar saudades de compadres lusos e a Colorfoto/Fujifilm.pt emprestar-me a Fuji X-T20 (em estudo para possível aquisição destinada a fotografia de concerto) para testar como se comporta esta pequena maravilha em fotografia de viagem.
As 380gr que pesa não enganam, é talvez uma das máquinas fotográficas mais portáteis que já experimentei até hoje, que a juntar à 35mm f2, torna-se o par perfeito candidato a que nos esqueçamos que o levamos ao pescoço.
Das poucas voltas que dei pela “baixa” da cidade, registei algumas fotitas, em modo automático, para ver como se comportaria também desta forma em diferentes condições de luz (sol + sombra parece-me sempre o desafio mais engraçado). Bom, cá ficam alguns exemplos para registo. Apenas alguns crops, reenquadramentos, e qse nada de resto de edição precisamente para mostrar o quão nice é a máquina 🙂
Não posso deixar acabar este post sem um agradecimento enorme à Anabela Carvalho (Colorfoto), e à Fujifilm.pt, pela forma inexcedível como fizeram tudo por tudo para que a X-T20 chegasse às minhas mãos.
A prioridade sempre foi testar em concerto (para o Música em DX, está em https://www.musicaemdx.pt/2017/12/01/slow-possible-no-sabotage-club-reportagem-fotografica/), é para este fim que a estou a testar bem como a X-T2 (outro post, outro mundo, outro tudo), mas, aproveitando o facto de ir a Madrid onde supostamente iria também fotografar concerto – acabou por não se concretizar – não poderia deixar de testar esta pequena maravilha “de bolso” fotografando na rua.
Podem ficar com mais info sobre a Fuji X-T20, e quem sabe decidirem-se pela aquisição desta, ou similar, a Fuji está em campanha de reembolso, e por isto é aproveitar.
Como sempre, comentem, bem ou mal, mas comentem!
Abreijos!