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(Re)visão

O passarinho verde

Diz a lenda do século XIX, que todos aqueles que demonstram, sem motivo aparente, uma enorme alegria é porque teriam acabado de ver um passarinho verde. A ave associada a esta lenda seria um periquito. A mesma que servia para levar, presos no bico, bilhetes trocados entre namorados. A ave de quem se encanta por algo ou alguém que acabou de ver.

Ao longo da nossa vida queremos ver muitos. Poisam muitas vezes no peitoril da nossa janela ou varanda, quando menos esperamos, fazendo-nos mostrar o nosso melhor ar de satisfação. Também sorrimos quando apenas os vemos voar a uma distância maior, mas suficientemente perto para os conseguirmos identificar. No entanto, o que os torna únicos é a sua capacidade de se transformarem em múltiplas coisas. Não é difícil, enquanto vamos somando dias, encontrar um passarinho verde em forma de livro, de brisa, de luar, de uma tarefa profissional bem executada, e uma música, de um copo de vinho ou simplesmente de uma lareira acesa.

A verdade é que o passarinho verde mais esplendoroso, transformando-se por isso também no mais desejado, é aquele que nos aparece em forma de gente. Capaz de nos deslumbrar, nesta maneira de se apresentar. E é esta a forma que precisa mais do nosso cuidado e proximidade. A beleza do bater das suas asas não se limitará apenas a instalar-se nos nossos sentidos, ao longo dos períodos, longos ou curtos, em que voa perto de nós. A enorme atenção que lhe dispensamos pela importância que lhe reconhecemos, vai fazer com que o passarinho verde nos fique para sempre. Mesmo que ele tenha voado, sem intenções de regressar. Mesmo que ele tenha desaparecido em definitivo, matando-nos de saudade.

Ver um passarinho verde, ultrapassa em muito o significado da sua cor, associada à esperança e à paz. É também deixar-nos, por mais ou menos tempo, felizes.

A corrida da felicidade é uma longa maratona que fazemos pela espetacular natureza da vida.

Sem passarinhos verdes, onde encontraremos resistência para a fazer?

José Rodrigues assina (Re)visão.
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(Re)visão

A diferença entre amar e amar perdidamente.

Quem já amou alguém, pelo menos uma vez na vida, sabe bem a diferença entre amar e amar perdidamente. Ama quem acorda e tem a noção das horas que são e se faz bom ou mau tempo na rua. Ama perdidamente quem pensa na pessoa que ama muito antes de pensar nas horas que são, e na rua, mesmo no inverno mais tempestuoso, vê sempre um sol radiante. Ama perdidamente quem sorri sem motivo, mesmo quando está sozinho, resolvendo rir de si mesmo. Ama quem acha que não existe ninguém mais belo no mundo do que a pessoa que se ama. Ama perdidamente quem acha que o mundo é um espaço demasiado pequeno para tão grande amor.

Ama quem acha que quando as mãos se reencontram podem misturar-se. Ama perdidamente quem acha que misturar mãos é muito mais do que as unir e que não sabendo onde estão, é deixá-las perderem-se. Ama quem olha enquanto sente uma forte e repentina chuvada de verão, que deixa um cheiro intenso a relva e a terra. Ama perdidamente quem deixa misturar bocas e pescoços e desaperta fivelas e botões enquanto o temporal decorre. Ama quem respira fundo e se deixa adormecer. Ama perdidamente quem acha que é proibido dormir até chegar a madrugada.

Ama quem junta um mais um ou dois mais dois e encontra um resultado. Ama perdidamente quem acha que encontrar lógica nos assuntos do coração é como caminhar a pé pelo meio de um deserto e não se preocupa que a vida inteira pode passar sem se encontrar um oásis. 

Ama quem combina números e letras, cores e temperaturas, desenhos e símbolos. Ama perdidamente quem acha que não existe um número total de combinações pois elas podem ser feitas com tudo e mais alguma coisa, de forma espontânea. Ama quem acha que a cor dos olhos da pessoa amada repousa na pele de um rosto bonito. Ama perdidamente quem os olhos têm uma cor indefinida e que reflete o brilho de um sol que aquece a pele e aparece sempre inteiro. Ama quem desenha sempre um sorriso na pessoa amada. Ama perdidamente quem acha que o rosto já tem tudo e por isso o sorriso se desenha sozinho, completo e íntimo, como aquela parte da natureza que o homem não tem o direito de modificar, mesmo que as luas, sejam elas quais forem, o queiram fazer.

Ama quem acha que tem apenas um coração dentro do peito. Ama perdidamente quem acha que talvez exista mais do que um coração dentro do peito, porque continua a viver mesmo depois de o entregar por completo a alguém que se ama…

José Rodrigues assina o artigo (Re)visão.
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adeus sem dizer adeus…

Augustina. Obrigado Augustina Bessa Luís.

A morte levou-a. Mas não levou a sua memória, as suas palavras, os seus livros e ensaios. A morte pode vir vestida de tecido e levar um corpo, que não apaga o que a vida escreveu.

Faltou tanto. Falta sempre quando se parte. Mas a si apenas me lembra uma coisa, a notabilidade de um Nobel que lhe assentava tão bem. Mas a sua simplicidade aparente não o desejava. Não se deseja tudo aquilo que se merece. E merecia-o.

“Acabarei como aquele que disse que pouco louvou na vida e se arrepende de não ter louvado ainda menos.”

O livro e as folhas nele contidas, foram sendo redigidas pela audácia de uma mulher sem medos. E sempre na roça das frases, devastando ideias e ideais, voçê não se prostrou perante os pensamentos alheios. E escreveu, escreveu e deu a saborear tantas historias, que hoje recordo com a paz de quem olha o seu nome e sente mais do que isso, mais do que as capas, os titulos ou os louvores…sente a paz de uma sabedoria unica e transversal ao seu tempo…

“O privilégio de se ser uma vítima do nosso sentimento de superioridade, é difícil de suportar. Assusta muita gente, parece uma heresia em tempos como os nossos. E, no entanto, é fundamental, para que uma obra seja feita.”

Obrigado Augustina Bessa Luís.

E nunca se diz adeus a quem nunca nos disse adeus…


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À conversa com Pedro Chagas Freitas, exclusivo do Et(h)er dos Dias.

Et(h)er dos Dias – Como chegas aqui, Pedro?
Pedro Chagas Freitas – Trabalhando, escrevendo, esgravatando. Sem parar. Todos os dias.
 
ED – Quando é que descobriste que era isto, a escrita, que de facto querias para ti?
PCF – Escrever está em mim antes de saber escrever: todos escrevemos quando somos crianças e contamos histórias. Isso já é escrever. Inventar, fazer de conta que. E eu escrevo desde aí.
 
ED – Tu orientas cursos de escrita criativa (sou suspeito em falar deles…;)). Já ajudaste a descobrir muitos escritores? Ou achas que as pessoas te procuram nesses cursos para se enriquecerem na escrita, mas com outros fins?
PCF – Cada pessoa tem os seus objectivos. O meu é o de, dentro do que posso dar, entregar a possibilidade de treinar, de testar, de desbravar novos caminhos na escrita. Dá trabalho, sim; mas dá ainda mais gozo.
 
ED – Fala-nos um pouco o que te move quando escreves um livro?
PCF – Move-me escrever.  É uma necessidade. Tenho mesmo de escrever. Mas fascina-me sobretudo o “e se?”. O conceito. Imaginar a história, a intriga, a ligação entre as personagens. E depois a forma: como vou contar esta história? Quem a vai contar? É maravilhoso. Maravilhoso.
 
ED – O Pedro Chagas Freitas escritor é um ser de paixões fortes? Achas que as pessoas têm carências desse tipo de sensação?
PCF – As pessoas são pessoas. E as pessoas amam estar apaixonadas — é para isso que aqui andamos. Uma pessoas sem paixões não é pessoa nenhuma.
 
ED – Tens explorado muito o Amor nos teus últimos livros. E os teus textos sobre o amor tem corrido mundo. Pensas que continua a ser uma busca incessante dos seres humanos, o amor?
PCF – Somos amor. O amor é a melhor coisa do mundo — pelo menos até prova em contrário.
 
ED – E pego no Amor, porque lançaste um novo livro da série “Prometo”, este que tem o título de “Prometo Amar”. Gostávamos que falasses um pouco desta série e deste teu novo livro.
PCF – É uma série de livros que têm um denominador comum: são um catálogo de pessoas. Das mais diversas idades, com as mais diversas experiências. Construir essa pessoas preenche-me por completo. Essa viagem a cada uma delas, com as suas falhas, as suas insuficiências, é a viagem que todos fazemos. E as melhores viagens são as interiores. Sempre.
 
ED – Achas que um escritor pode ter um papel importante na construção da consciência humana?
PCF – Todos os que, de alguma forma, chegam a muitas pessoas têm esse papel. Eu tanto não pensar muito nisso quando escrevo. Escrevo o que me apetece. É a minha forma de rebeldia.
 
ED – Disseste numa entrevista que um bom livro é aquele que mexe contigo. Se não o conseguir, isso é mau. És muito exigente face aos livros dos outros? E aos teus?
PCF – Só tenho essa exigência: seja num livro, num filme, numa música. Nada mais. Se mexe comigo é bom, se não mexe é mau. Aplico isso ao que leio e ao que escrevo, claro.
 
ED – Fala-nos um pouco do Pedro Chagas Freitas leitor. O que andas a ler, o que gostavas de ler…
PCF – Na poesia, ou prosa poética, regresso sempre a Herberto, a Al Berto, a Ruy Bello, a Rui Nunes. Na ficção, ando sempre à procura de novas experiências. Mas acabo também por regressar a Saramago, Camus, Faulkner, …
 
ED – Tenho aqui duas perguntas de leitores(as) teus. A primeira é, o que é que o Pedro não Promete? A segunda é, afinal o Pedro é ou não Deus?
PCF – Não prometo desistir de amar. Custe o que custar hei-de sempre fazer tudo para amar. Para encher de amor quem me ama. E sim: sou Deus dos meus passos. Isso está na minha mão. E já não é pouco.
 
ED – E pegando neste tipo de desafio de leitores, qual é a pergunta que nunca te fizeram e que tu gostavas de responder?
PCF – Se sou uma pessoa feliz. E sim: sou. Felizmente.
 
ED – Termino com dois desafios;

  • Imagina-te perante uma multidão de mulheres. Elas querem saber o que precisam para serem amadas. O que lhes dirias?

PCF – Para amarem. E isso aplica-se a homens e a mulheres. Sempre. Apesar de tudo: amar.

  • Nomeio-te o director da biblioteca do Et(h)er dos dias. Tens uma encomenda de livros para fazeres. Os que quiseres. Quais as escolhas?

PCF – Milhares deles; mas aqui ficam cinco — três incontornáveis e outros dois menos conhecidos:
 
O Estrangeiro, de Camus.
A Armadilha, de Rui Nunes.
Os Cus de Judas, de Lobo Antunes.
Tudo Pela Minha Mãe, de Celina Lopes.
Do Choupal à Cerca Moura, de Maria João Resende.
 
 
 
NOTA: Esta entrevista é redigida sem cumprir os requisitos do acordo ortográfico.
 

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Isabel Rio Novo em conversa exclusiva com o Et(h)er…a escolha para o dia do Livro.

Hoje o Et(h)er fala com Isabel Rio Novo.
No dia do Livro, nada como conversarmos um pouco com uma das grandes promessas da literatura portuguesa.
Nasceu no Porto, decorria o ano de 1972.
Doutorou-se em Literatura comparada, e é docente em Escrita Criativa e outras áreas da literatura e cinema.
Publicou a novela O Diabo Tranquilo, em colaboração com o poeta Daniel Maia-Pinto Rodrigues. Em 2005, o seu romance A Caridadeé distinguido pelo Prémio Literário Manuel Teixeira Gomes.
Mas é como finalista, por duas vezes, que Isabel Rio Novo nos trouxe os seus dois últimos livros. Rio do Esquecimentoe A Febre das Almas Sensíveis, o seu último.
E sendo o dia do Livro, acho que tem de ser do ponto de vista do escritor, e da sua criação que vamos começar a conversa,
Et(h)er – Quando começaste a escrever as primeiras folhas em branco, percebeste desde logo que era este o caminho que desejavas?
Isabel Rio Novo – Sim. Comecei a ler muito cedo, graças às circunstâncias (não tinha irmãos, mas vivia rodeada de livros e tive uma tia-bisavó disponível para me ensinar). Ao mergulhar no mundo dos livros, depressa percebi que queria escrever, queria para mim essa forma de me relacionar com o mundo.
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E. – Quais as diferenças entre a Isabel Rio Novo escritora e a Isabel Rio Novo que leciona Escrita Criativa?
IRN – Espero que sejam poucas. Nas sessões (prefiro isso a chamar-lhes aulas) de Escrita Criativa que oriento (e não leciono), procuro colocar-me ao nível dos outros participantes no grupo. Sou apenas, em princípio, alguém com mais leituras, mais vida, mais experiência de escrita e mais habituada a praticar um certo distanciamento crítico em relação ao que escrevo. E também mais habituada a “publicar”, no sentido mais amplo do termo, isto é, a submeter à apreciação dos outros aquilo que escrevo.
 
E. – Tens uma perspetiva muito ampla quanto ao ato da escrita no seu todo. Como achas que uma pessoa sente que se descobre como escritor, com vontade e engenho para construir histórias?
IRN – Suponho que esse processo de descoberta varie muito de pessoa para pessoa. Alguns escritores reconhecem desde muito cedo a sua vocação. Outros descobrem-na mais tarde. Alguns tentam resistir-lhe. Outros, pelo contrário, perseguem-na com afinco. Um descobrem a vontade, mas, até o engenho estar amadurecido, têm de trabalhar muito… Enfim.
 
E – Quando começas cada livro, tens já a história toda concebida e deixas correr as palavras, ou tens uma conceção inicial e depois tudo é uma descoberta?
IRN – Tenho normalmente uma boa ideia geral da história, de como ela acaba e começa. Ah, e o título. Só quando chego ao título definitivo estou verdadeiramente a escrever. Aí, sei que o livro acabado é uma questão de trabalho e de tempo.
 
E – Tens uma obra muito rica. O que procuras provocar no leitor com a tua obra?
IRN – Trazê-lo a visitar o meu mundo. Emocioná-lo. Levá-lo a viajar e apresentar-lhe os meus «amigos à distância». Creio que tenho a capacidade de encontrar a brecha por onde a imaginação consegue iludir as circunstâncias do presente para chegar a uma época outra, não a que foi, naturalmente, mas a que construo na ficção. Um exercício de fantasia, até porque o fantástico é outro dos meus apelos, mas onde também entra pesquisa e trabalho.
 
E – No teu último livro recuperas uma fase muito conturbada e doente da História de Portugal no século passado, e contas uma historia à volta da tuberculose. O que pretendeste transmitir com esta relação emocional entre doença-amor-passado-saudade? Se é que ela te faz sentido, claro.
IRN – Uma parte importante do enredo desenrola-se na década de 40, no Caramulo, na altura uma reputada estância sanatorial onde se internavam os doentes de tuberculose. Hoje, a maioria dos antigos sanatórios está em ruínas. No livro, há uma rapariga que visita essas ruínas, recolhe despojos, sobretudo papéis, e que se interessa pelo tema porque está a preparar uma tese sobre escritores oitocentistas vítimas da tuberculose, a tal febre das almas sensíveis. O livro também dá conta deles. Eu não tive tanta sorte como ela, não encontrei tesouros nos escombros, mas foi durante uma visita ao Caramulo com o Paulo, em agosto de 2016, e graças às impressões fortes que o local exerceu em mim que resolvi, definitivamente, escrever o romance. Por isso, sim; se quiseres, todo o romance gira em torno de emoções.
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E – Como escritora, alguma vez te sentiste envolvida (de que forma for) com alguma personagem? Achas que os escritores por vezes se podem envolver em demasia no mundo da sua própria imaginação?
IRN – Sinto-me constantemente envolvida com as minhas personagens, mas julgo que nunca em demasia.
 
E – Uma pergunta que os leitores adoram sempre ver respondida… a inspiração. Onde anda a tua?
IRN – Anda por todo o lado. Muitas vezes basta uma palavra descoberta ao acaso numa página lida, uma ideia trocada com o Paulo, que também é escritor, um retrato, um papel antigo… Às vezes há uma ideia vaga que se vai instalando, se vai definindo, até que o gesto da escrita se torna inevitável. É verdade que pesquiso, leio, estudo, mas o clique inicial é um pouco misterioso.
 
E – E como leitora, o que esperas de um livro?
IRN – Que seja um livro que eu gostaria de ter escrito. Um livro que me transporte numa viagem emocional. Onde eu encontre uma personagem de quem gostaria de ser amiga. Onde haja frases que correspondam ao que eu sempre quis dizer, mas nunca consegui dizer tão bem. Que me arrebate nem que seja pela beleza da linguagem. Enfim, tenho um conceito abrangente do que é “um bom livro”, que me torna interessada por muitos autores, géneros, estilos e correntes.
 
E – Para onde vai esta Isabel Rio Novo?
IRN – Muito provavelmente, vai regressar ao seu cantinho-escritório, abrir o computador e repegar na escrita do livro que tem em mãos. Ou seja, vai continuar a trabalhar.
 
E – Para terminar tenho estes dois desafios para ti.

  • Tens neste momento um jovem em busca do sucesso, achando que escreve umas coisas, e deseja de “morte” aprender a ser escritor. O que lhe dirias?

IRN – Que não se apresse a publicar. Que viva. Que escreva sempre. Que leia muito. Sobretudo, isso. Que leia muito, que experimente coisas novas, diferentes. Depois, ao publicar, dir-lhe-ia que é fundamental aprender a ser lido. Saber escutar as críticas, mesmo as que lhe pareçam absurdas, sem se sentir tentado a responder com azedume, mas sem se desviar das suas convicções.
 

  • Nomeio-te a diretora da livraria do Et(h)er. Tens uma encomenda para fazer para o verão que se aproxima. Que livros queres encomendar como imprescindíveis?

IRN – A grande tentação seria encomendar uns quantos livros entre os que ainda não li, só para ter a oportunidade de o fazer… Mas, enfim, quando a minha consciência de livreira viesse ao de cima, encomendaria a obra completa de Machado de Assis e de Agustina Bessa-Luís, porque são bem maiores do que qualquer verão.
 


 
Grato Isabel. Muitos sucessos e o Et(h)er aguarda as novidades de Isabel Rio Novo.