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Os U2 voltam a Portugal, treze anos depois da ultima vez em Lisboa.

Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen, Jr, voltam à cidade onde já muitas vezes foram felizes.

Recordo concertos como Zoo Tv Tour ou a Popmart Tour e por último a Vertigo Tour, já no novo Estádio José de Alvalade a 14 de Agosto de 2005. Mas ainda antes deste regresso a Lisboa, os U2 tocaram em Coimbra, a 2 e 3 de Outubro de 2010.

O inico desta banda da era do post-punk, deu-se em 1976, quando em Dublin, Larry Mullen, Jr, colocou um aviso no boletim da Escola, questionando quem desejava, dos colegas músicos, formar uma banda. Bono, The Edge, Adam Clayton e Dick Evans responderam e os primeiros trabalhos passaram por covers dos Beatles e dos Stones, e a banda chamou-se Feedback. Mas alteraram o nome, quando em 1977, pouco depois de Dick Evans deixar a banda (para formar os The Virgin Prunes), agora sim para U2.

Na história da banda irlandesa, a nível musical, eu escolho 3 álbuns memoráveis na carreira inconfundível dos U2,

  1. The Unforgettable Fire (1984), co-produzido por Brian Eno e Daniel Lanois, que trouxe ao álbum um ambiente experimentalista e onde um “(Pride) In The Name of Love” trazia já agregado uma motivação mais activista da banda (que começara já no passado com “Sunday Bloody Sunday),  foi um tributo a Martin Luther King, Jr. Este álbum entrou para número um nas tabelas inglesas e alcançou o número 12 de vendas nos U.S. A banda conseguiu suportar o álbum com uma tour internacional, de onde lançaram o EP ao vivo “Wide Awake in America” em 1985;
  2. The Joshua Tree (1987), foi considerado por muitos críticos, como uma obra prima. Com este álbum, os U2 conseguiram terem o terceiro álbum a entrar como número um no UK, e o seu primeiro álbum a atingir o topo da tabela nos U.S. Mas o grande recorde foi que em Inglaterra, conseguiu atingir Platina em apenas 28 horas. Músicas como “With our Without you” e “I Still Haven´t Found What I´m looking for”, criaram um legado na vida dos U2, que com este álbum e com uma Tour internacional que foi o maior sucesso de 1987, mereceram serem capas de revistas reconhecidas como a Time. E a partir deste álbum os U2 decidiram fazer um documentário sobre a sua Tour nos EUA, gravando mesmo material novo ao longo da mesma, de onde resultaria outro álbum de qualidade “Rattle&Hum”, que mereceu várias críticas, e que após o mesmo, os U2 fizeram um longo hiato,
  3. Achtung Baby (1990), novamente com Brian Eno e Daniel Lanois,. Foi uma reinvenção de sucesso da sonoridade original da banda. Mas entraram com este álbum numa fase mais eletrónica e de dança, que foi inspirada pela fase dos 70`s de David Bowie e do cenário de Manchester, Achtung Baby foi mais eclético e aventureiro do que os últimos álbuns da banda. Deste trabalho saíram músicas notáveis como “Mysterious Ways” e o único “One”.

Agora que regressam a Portugal com um novo trabalho, os U2 trazem mais de 40 anos de trabalho. Falamos de uma das principais bandas mundiais e que tem deixado um legado de música e concertos por estes anos fora.

Vamos ver qual o feedback dos dois concertos no Altice Arena, esperando sinceramente que o som do local não deixe ficar mal a sonoridade dos U2.

A ver vamos.

E para vocês, qual o melhor álbum dos U2?

Apresentem as vossas respostas.

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noiserv. entrevista exclusiva ao et(h)er

 
E primeiro exclusivo. Noiserv, o destaque musical deste primeiro mês de vida do projecto Et(h)er dos Dias, concedeu a este Universo uma entrevista onde nos permite, de forma mais descontraída  conhecer um pouco mais deste musico português. Espero que gostem e deixem as vossas mensagens para o Noiserv, que faz 13 anos de carreira. Todas serão reenviadas ao musico. E divulguem…
 
Et(h)er – Em primeiro lugar, os meus parabéns pelos teus 13 anos e pela musica que fazes. De mim e de todo o mundo et(h)eriano. Fala-nos um pouco de ti, quer como David Santos, cidadão e musico, como NOISERV, e destes 13 anos como musico.
Noiserv Esta resposta seria uma conversa longa e por isso será complicado resumir tudo em poucas palavras. São 13 anos de muitas experiências, viagens, pessoas e boas emoções. 13 anos em que o NOISERV e o David se tornam o mesmo.
 
E – Um dia disseste algo como: “se tivesse nascido música gostava de ter sido feito pelos Sigur Rós e que a haver uma banda sonora, seria com uma dos Radiohead ou do Yann Tiersen, uma qualquer do Eddie Vedder mais umas quantas dos Explosions in the Sky… Jeff Buckley… já seria um dia bem passado” São estas as tua referencias?
N – A palavra referência é talvez muito forte. Estes são alguns dos nomes que mais marcaram o meu crescimento, apenas isso.
 
E – Acreditas que um musico pode ser de facto o produto de muitas correntes ou consegue ser de apenas uma?
N – Um músico, ou uma pessoa, será sempre um conjunto de muitas experiências e vivências. Só assim faz sentido que cada um se torne único e especial no que pretende comunicar ou viver.
 
E – Tens trilhado um caminho muito próprio na musica. Tem sido difícil, mais fácil do que esperavas, conta-nos um pouco do teu percurso e de como tem sido a tua descoberta como musico.
N – É sempre difícil. É viver numa constante auto-critica e constante necessidade de provar qualquer coisa aos outros e a ti mesmo. No entanto, sinto-me um sortudo por ter conseguido que as coisas fossem sempre crescendo ao longo destes anos.
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E – Ainda no seguimento da questão anterior, como tem sido a a descoberta do teu publico? Sentes que a tua musica está a chegar cada vez mais a um vasto publico?  E que publico é esse?
N – Seguindo também a resposta anterior, sinto que NOISERV tem crescido sempre, também em número de pessoas que conhecem. Sinto o público bastante transversal a todas as gerações o que me deixa feliz por sentir que a música consegue “chegar” a pessoas tão diferentes.
 
E – Sentes que o musico tem cada vez mais uma “responsabilidade” no mundo em que vivemos? Naquilo que transmite, na forma como pode tocar as pessoas, no que pode mudar e ajudar a construir…
N – A música é talvez das emoções mais imediatas comparando com outras áreas artísticas e por esse motivo tem uma força enorme. Não sinto mais “responsabilidade”, sinto sim mais vontade e determinação em transmitir aquilo que sinto pelo “mundo” que me rodeia.
 
E – Para mim a musica é um estado de Eter puro. Ajuda-me a respirar e a reunir-me comigo próprio. A tua musica é uma daquelas que me transporta para esse estado. Quando compões e constróis uma musica, pensas na forma como ela vai chegar ao publico?
N – No processo de composição de uma música sinto uma necessidade extrema de me sentir 100% satisfeito com o resultado final, o que não dá muito espaço para imaginar o que os outros vão sentir. Por outro lado, sinto que uma música só faz “sentido” quando “chega” de forma intensa a quem a ouve. São duas varáveis importantes que desejo alcançar mas nunca conseguindo abdicar da primeira em função da segunda.
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E – No teu site surge uma espécie de casa do mundo dos Hobbitt, repleta de todo o menu necessário para te descobrir. Mas o que mais adorei, foram as teclas coloridas. Queres falar um pouco do seu propósito? E qual a tua opinião sobre o impacto do mundo internauta e de redes sociais na musica, nos dias de hoje?
N – As redes sociais são talvez a ferramenta mais forte e imediata que os músicos têm ao seu dispor. Poderá existir, hoje em dia, uma saturação das mesmas mas não deixam de ser uma forma muito boa de cada músico conseguir comunicar com quem gosta da sua música. Um site é diferente, é um conceito, uma ideia que está sempre “lá” à espera de ser visitada. O mesmo acontece com o meu, e como acredito que é a procurar que somos felizes fez-me sentido ter “algumas” coisas escondidas.
 
E – Estamos a regressar muito aos “vintage” em vários quadrantes da sociedade, e a musica não foge a isso. O regresso por exemplo a estilos que se pensavam guardados já nas memórias, a formas de vestuário e ao vinyl. Como musico que já editou em vinyl, pensas que a musica ganha com este regresso, em especial aquele publico que aprecia mesmo esta arte nos seus variadíssimos géneros?
N – O vinyl é mais um formato, uma forma bonita de conseguir passar a música de mão para mão. Em comparação com outros, o vinyl tem a vantagem de enquanto objecto ser bastante mais atractivo e “verdadeiro” por ser totalmente analógico e por isso mais mágico.
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E – Concertos. Fala-nos de como escolhes (quando o fazes) os locais para tocar, de como tem sido a reacção do publico e a proximidade nesse momento tão próprio e finalmente do Tivoli, próximo Abril onde vais celebrar os 13 anos de percurso.
N – Gosto de tocar em sítios bonitos. Onde a música faça sentido, não apenas por estar alta mas por se tornar especial. Tenho sido um sortudo com a reação do público, sinto que as pessoas têm gostado de assistir aos meus concertos. O Tivoli é uma sala muito bonita, onde espero que tudo corra bem e que todos fiquem felizes.
 
E – “José e Pilar”, como foi a experiencia de uma banda sonora para um filme tão especial, tão intimista e tão próximo de alguém que via a vida, o mundo e os sentimentos de forma tão própria e profunda?
N – Foi incrível, é um dos maiores orgulhos que sinto na minha carreira. Como disse anteriormente, a música torna-se especial quando serve de banda sonora da vida de alguém. Para mim e para muitas pessoas aquelas músicas são um pouco da vida de José Saramago.
 
E – Para terminar lançava-te dois desafios:

  1. O que dirias sobre a tua musica, a uma criança que nunca te escutou;

 N – Colocava-lhe uns headphones e esperava pela reação. Não há melhor opinião que a de uma criança sem filtros ou medos de desiludir.
 
      2.  E agora tens nas tuas mãos uma Playlist de 10 musicas para construires para os Players dos vários seguidores do Mundo Et(h)eriano. Aceitas fazê-lo? As musicas, tuas ou não são da tua escolha livre e sentida.
Noiserv,
Radiohead | videotape
Sigur Rós / Untitled 6
Benjamin Clementine | I Won’t Complain
– Sufjan Stevens / Mystery of Love
– Explosions in the Sky / The only moment we are alone
– Cat Power / The greatest
Alt J | In Cold Blood
Perfume Genius | Learning
– Foge Foge Bandido | Borboleta
Flaming Lips | Do you realize
 
Grato por este entrevista. Parabéns do Universo Et(h)eriano pelos teus 13 anos de carreira e venham mais.
 

Fotos: Página Facebook noiserv.
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noiserv. UM musico – Muita Musica.


 
Descobri a musica de noiserv através de um primo. Quando me sugeriu a escutar, referiu-me desde logo que teria muito a ver comigo. E não se enganou.
As letras, os ritmos misturados e a capacidade de criar e recriar no meio de vários instrumentos, faz de noiserv um momento único de musica.
Revejo-me em tantas canções, como o “vinte e três” ( que surge na primeira publicação sobre noiserv), em “quinze”, mas também naquelas onde apenas são os instrumentos que falam.
Recordo um episódio curioso. Certo dia, um daqueles em que as nuvens estavam dentro de mim e não a taparem o lindo sol que brilhava lá fora, e coloquei o álbum 00:00:00:00. Cada musica é um numero, como se tratasse de uma qualquer viagem de tempo. e foi nesse tempo que me revi tanto em “vinte e três”,
ABRIR A JANELA VOZES A GRITAR,
QUERO ACORDAR ALGUÉM
TER A MEMÓRIA A CORRER
ATRÁS DE MIM, O MUNDO
AINDA NÃO PAROU
OLHAR PARA TRÁS SEM MEDO
DE MORRER, NÃO PERDER
O QUE QUERO LEMBRAR
DEIXAR CAIR PARA ONDE VAIS,
COISAS SIMPLES E REAIS
e tudo o que ele dizia, a forma como deixava cada nota musical cumprir o seu propósito, eu limpava o meu rio. Deixei-o correr. Foi inspirador. E de facto, o Mundo ainda não tinha parado.
Fiquem e desfrutem de mais um pouco de noiserv. E procurem em

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Deixem-se ir na corrente. Descubram e experimentem.