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Joker.

Joker.

A alma de um filme que retrata todo um lado obscuro da humanidade. o mesmo lado que a mesma humanidade tantas vezes nega existir. mas existe. E o Joker é apenas o resultado, entre tantos, dessa realidade. 

Com uma notável interpretação de Joaquin Phoenix, Joker é um filme que perturba pelo espelho que mostra ser. O espelho das nossas revoltas, dos nossos ódios, dos nossos medos, da característica mais ligada à humanidade: a Loucura. 

Loucura que nos arrebata para uma sinistra realidade de um homem com problemas, de identidade, de afirmação, relacionais e em puro delírio com a vida.

Todd Phillips consegue um filme negro, mas envolvido num jogo de cores estranhas, como se uma psicadélica de cores inundasse o mais profundo negrume da loucura humana. 

Não vale a pena comparar interpretações entre o Joker de Heath Ledger e este de Joaquin Phoenix. São filmes diferentes, perspetivas diferentes e sinto que mensagens completamente diferentes. Nolan quer trazer um super-herói para a realidade, Todd quer um Joker louco e parte de uma sociedade real, pouco ficcionada.

E com uma cena final que traz à memória esse ícone do cinema, Taxi Driver, de facto este filme é um jogo de emoções, frieza e crueldade.

Este filme ajuda a perceber que muitos Jokers existem no mundo, que muitas razões existem para eles poderem despertar como tal e o mundo continua de olhos fechados ao surgir deles.

Joker é uma sinfonia de loucura. E estupidamente bem feita. 

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Clint Eastwood…um correio de flores

“Correio de Droga”, “The Mule” no original, é um filme que nos traz uma profunda reflexão sobre o fim de nós mesmos. Clint Eastwood pega numa história verídica e dá-lhe um mote intenso sobre o tempo. O tempo da nossa existência.
Um homem que sempre fugiu da sua própria história, procurando se encontrar num percurso onde nunca estava onde a família o desejava, vê-se enrolado num negócio de droga. A sua eterna paixão por flores, retrata desde logo os seus medos pelo fim…”gosto daquela flor, porque ela vive um dia apenas, logo precisa de um cuidado muito especial.” O outro reflexo do medo, é a sua preocupação em manter vivas certas memórias da sua vida, como o veteranismo da guerra da Coreia ou a sua apetência para a dança, um gozo especial que guarda desde os tempos de adolescência.
Neste filme, Eastwood, o Earl Stone, encontra no correio de droga, uma forma de procurar recuperar o que sente ter perdido, a família, o amor, o reconhecimento. Afinal, procura tratar “num só dia” com cuidado especial. Os conflitos que o este submundo dos Cartéis encerra, representa a visão da destruição do homem e dos seus propósitos de vida. O dinheiro, o poder, a traição, são disso pequenos exemplos.
Earl encontra numa expressão muito simples, junto da ex-mulher que sempre amou, a simplicidade dos sentimentos de que tanto fugiu, com o tempo dos sentimentos,
“Amo-te,
Mais do que ontem?
Sim, e menos do que amanhã…”
Afinal não é isto que todos procuramos? Encontrar o amor no tempo e entregar esse amor ao próprio tempo, sem o temporizar?
Pois bem, Clint Eastwood, por quem o tempo parece já pesar, mas mesmo assim não o impede de andar, traz-nos uma reflexão muito simples,
Quanto estás disposto a arriscar para recuperar o tempo que desperdiçaste?…
Vão e digam de vossa justiça…eu dou 5 estrelas…porque Clint é como a flor, os dias serão poucos, logo precisa de ter um cuidado especial.

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The show must go on…

Voltar a ver Freddy Mercury, através de Ramy Malek, no grande ecrã foi um momento mágico. “It´s a Kind of Magic” de alguém que marcou uma história, na música, na irreverência e na vontade de se expressar através do seu sonho de ser musico.

Li algumas criticas mais duras ao filme. Mas não é delas que quero falar, até porque este é um daqueles filmes que cada vai olhar para ele de forma diferente. Em especial aqueles que viveram esta época, que ouvem Queen e que sentem os Queen. Eu sou um deles. Tinha quase todos os vinys e cantava musicas como “Love of my life” ou “Who wants to live forever”, ” We will Rock You” ou “Radio Ga Ga”, entre tantas outras…e soletrava cada letra, cantava sózinho pelo corredor de casa…enfim, um adolescente que viveu os Queen, que admirava a voz de Freddy Mercury. E que ficou triste pela sua morte, precoce e a dar inicio aos fantasmas de uma doença letal que foi varrendo algumas figuras miticas da minha geração. 

Mas uma morte que foi dando lugar a inúmeros rumores sobre a vida de Freddy Mercury, que foram apagando silenciosamente o fenómeno genial como musico e compositor. Passadas várias decadas desde a sua morte, este filme traz acima de tudo, uma homenagem justissíma a uma lenda da musica. Como ele queria ser recordado. Como uma lenda, e não como uma mera vitima de SIDA ou pelas suas opções sexuais. Tudo o que saía da musica pertence ao seu elo extritamente privado.

Fiquei contente, como amante da música dos Queen, que o reconhecimento chegue pelo grande ecrã.

E fica a voz inconfundível de alguém que nasceu para mudar o rumo da musica no mundo, e nas gerações.

You Are the Champion.
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Aproxima-se o Outono…

Calma, sei que ainda estamos com tempo de Verão, mas a verdade é que a época de Outono aproxima-se a passos largos e quando dermos conta já as folhas estão a cair das árvores.
Nesse sentido, trago hoje duas sugestões cinematográficas, uma clássica e que outra que ainda não estreou. Comecemos pela mais antiga, então.
Com o Outono já se sabe que chega também o início de mais um ano lectivo que é precisamente a temática da minha primeira sugestão, o clássico “O clube dos poetas mortos” de 1989.
 

Recheado com um grande naipe de actores, a começar pelo gigante Robin Williams numa fantástica interpretação como o professor John Keating que vai leccionar uma turma onde podemos encontrar Robert Sean Leonard talvez mais conhecido pela sua participação na série “Dr House”, Ethan Hawke conhecido pelo filme “Dia de treino” por exemplo e Josh Charles, conhecido pelo seu papel do advogado “Will Gardner” na série “The Good wife”, entre outros actores.
Robin Williams aqui interpreta um professor de inglês numa escola clássica nos anos 50 com regras muito rígidas. O “Professor Keating” encoraja os alunos a pensarem “fora da caixa”, a serem originais ao mesmo tempo que lhes dá a a conhecer “O clube dos poetas mortos” que irá mudar para sempre a vida dos alunos e a maneira como estão habituados a ver o mundo. Como seria de esperar, o desafiar de regras históricas nesta escola não irá cair bem entre algumas pessoas com um pensamento mais clássico nomeadamente o director que tudo fará para que as coisas voltem ao normal e tradicional.
Este brilhante drama ganhou vários Óscares em 1990, para melhor argumento, melhor filme, melhor direcção e é claro, melhor actor principal para Robin Williams que festejou efusivamente. A não perder por quem gosta de bom cinema.
Avancemos agora para 2018, quando estreará aquele que será o último filme de outro “gigante de Hollywood”, o Sr Robert Redford.

                                     

Intitulado “The old man & the gun”, este filme que só poderemos ver dia 8 de Novembro em Portugal é baseado na história verídica de Forrest Tucker um criminoso de 70 anos que conseguiu fugir da conhecida prisão de “San Quentin” e que executou uma série de golpes evitando as autoridades. De momento encontra-se nomeado para dois prémios, no festival de cinema de Londres e de Toronto. Segundo Robert Redford será a sua despedida do grande écran, o que por si só já dá um bom motivo para ver esta película. Conta também com a participação de Sissy Spacek, Cassey Affleck e Danny Glover, entre outros.
Espero que apreciem as minhas sugestões. Bom cinema.
RMS

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O Predador e O Predador


 
O original, de 1987, chama-se “Predator”, o deste ano é “The Predator”, mas infelizmente a diferença não está só no nome.A qualidade de ambos é muito díspar, com vantagem para o antigo. Já agora, em Portugal partilham o título, “O Predador”.
Têm algo mais em comum, Shane Black, ator no primeiro, realizador deste último. E talvez este seja o problema do filme. Black, parece-me, tentou evocar em demasia o original, até na música. O tom geral é o mesmo, um grupo de militares atrás de um monstro na selva, ou floresta, mas a esta equipa falta-lhe carisma, nomeadamente se pensarmos em Schwarzenegger. Depois há exageradas tentativas de humor, por norma mal sucedidas, o que é estranho se pensarmos que o realizador foi o autor dos bem conseguidos “Bons Rapazes” e “Homem de Ferro 3”, onde se mistura com talento humor e ação.
Mas, principalmente, acho que há predador a mais. Eu explico, no primeiro filme o visitante do espaço assusta mais pela ausência do que pela presença, sabe-se que anda por lá, mas pouco se deixa ver. Talvez o acesso a melhores efeitos tenha levado Black a querer mostrar o monstro. Cai no exagero e o que se ganha em ação pura e dura perde-se em emoção. E depois há uma pretensão de explicar a presença dos predadores na Terra, mas às vezes mais vale ir pelo simplicidade, como em “Predadores”, que resultou bem melhor. Em suma, “O Predador” de Black é um interessante filme de ação, mas igual a tantos outros, não honrando a saga.
Visto isto, muitos anos depois aproveitei para rever na TV o primeiro, de Schwarzenegger, e posso dizer que o filme envelheceu muito bem. Agora, segue-se “Rocky IV”, pois desde que descobri que Dolph Lundgren é um engenheiro químico que ganhou uma bolsa no MIT, e uma pessoa naturalmente simpática, resolvi dar-lhe uma segunda oportunidade. E vou preparando terreno para “Creed 2”, que chega daqui a dois meses.    
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canal et(h)er dos dias no vimeo


Hoje inauguramos outra peça deste projecto.
O canal do et(h)er dos dias no Vimeo.
Através do simbolo do VIMEO que encontrão  no lado esquerdo, nas ligações directas, no V. Depois é só escolherem os meus Likes do lado esquerdo também ( isto já na pagina do Vimeo).
Irão futuramente encontrar videos meus, como pequenos filmes, reportagens das entrevistas do podcast, etc.
Mas irão também encontrar canais de pessoas que trabalham muito com cinema, com documentários, com musica, com teatro, etc.
E precisamente para começar, eu escolhi o canal do Michal Marczak. Nascido em 1982, na Polonia, Michal é cineasta/ director de fotografia, e realizou trabalhos como o videoclip dos Radiohead “I promisse”. Outros trabalhos foram conduzidos por Michal quer com os Radiohead, quer com Tom Yorke, como “Beautiful People ( Under the Sun)” onde Tom trabalhou com Mark Pritchard.
O seu ultimo trabalho, “All These Sleepless Nights”  foi premiado em 2016, no Festival de Sundance, com o premio de melhor realizador.
Deixo-vos com o trailer desse mesmo filme.


Espero que gostem desta primeira escolha. O canal vai ser assim, com uma escolha e com muito mais a mostrar. Descubram e divulguem.
O canal é no simbolo do V.
 

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Ver um filme através de um livro, pelo Et(h)eriano Rui Azeredo

Sempre gostei de ler um livro e depois ver o respetivo filme, quando o há. Agrada-me comparar o que visualizei ao longo da leitura com a visualização formada pelo realizador e pela sua equipa. Quase nunca bate certo e eu fico invariavelmente a perder na comparação, mas é um exercício divertido. E, depois, há os raros momentos de glória que me levam a pensar: «Foi mesmo assim que eu imaginei a cena!»
Houve, no entanto, um caso em que ler o livro foi mesmo a minha única opção. E.T. – O Extraterrestre, de Steven Spielberg, estreou em Portugal em dezembro de 1982 numa altura em que, por motivos de saúde, fiquei uns meses acamado. Fascinado com filmes como Encontros Imediatos do 3.º Grau ou Os Salteadores da Arca Perdida, uma nova obra de Spielberg só por si já seria o suficiente para me deixar desesperado. Mas, com a agravante de abordar um tema que me era querido (ETs amigos) a ansiedade redobrou. Na primária até ganhei um prémio de BD com uma história de aliens que chegam em paz à Terra, mas diga-se que terá sido mais pelo argumento do que pelos desenhos.
ET1
Como à época os filmes demoravam o seu tempo a cruzar o Atlântico (E.T. estreou em junho de 1982 nos EUA), muito se foi escrevendo por cá sobre Elliot e o seu amigo de outro mundo. Li, recortei e guardei tudo o que pude e fui formando o filme na minha cabeça, sem saber se daí a uns meses ainda o apanharia nos cinemas. Depois, socorri-me da melhor ferramenta possível para conhecer a história do E.T. A adaptação literária do filme, editada na saudosa coleção de livros bolso da Europa-América dedicada à ficção científica. É o número 44, logo a seguir a Blade Runner e antes de Batalha no Espaço – Os Jovens Guerreiros, para quem não sabe, a Galáctica original. E li o livro, que sendo uma adaptação direta do filme era fiel ao mesmo. Socorrendo-me das fotos já conhecidas, montei o filme na minha mente. E li o livro outra vez, pois sobrava-me o tempo e faltava-me a sala de cinema.
O escritor norte-americano William Kotzwinkle, que hoje se dedica essencialmente à literatura infantil, sem ser publicado em Portugal, foi o meu herói da altura, o meu escritor preferido, pois deu-me a possibilidade de «ver» o filme que eu tanto queria ver e que não sabia se algum dia o veria – talvez num futuro distante num dos dois canais de televisão que havia à época. Em 1982 não tínhamos a garantia de um dia podermos ver um filme perdido, pois os videoclubes e as cassetes de vídeo eram à data algo ainda distante de um comum português. Até hoje, naturalmente, já vi o filme várias vezes em vídeo, e até na versão dobrada em português. Mas, na altura, isso era algo tão distante como assistir ao vivo a uma corrida de Fórmula 1 ou um dia vir a ser jornalista ou andar de avião.
Semanas a passar, formando meses, eu em casa, o E. T. ainda nas salas de cinema. Na época o tempo de vida de um filme nas salas era bem maior, mas se saísse de exibição a minha única esperança seria uma matinée de domingo na sociedade recreativa local, com uma fita gasta cheia de cortes devido ao uso constante. Foi assim, aliás, que vi pela primeira vez no cinema um filme de 007, no caso Moonraker – Aventura no Espaço, numa sala mal escurecida, em cadeiras duras, num piso sem inclinação e com excelente vista para as cabeças da frente, tudo envolto numa cortina de fumo de tabaco.
Mas não foi preciso chegar a esse ponto. Assim que regressei ao ativo, algo que tratei de fazer quase de imediato foi rumar ao agora encerrado cinema Berna, em Lisboa, sozinho, porque tinha a impressão de que eu seria a única pessoa que conhecia que ainda não tinha visto o filme.
E se valeu a pena! Ainda hoje E.T. é o filme da minha vida e, diga-se, era exatamente como eu o imaginara com o recurso ao livro, enriquecido pelos meus recortes. Por isso, nunca esquecerei E.T. – O Extraterrestre, de Kotzwinkle, um dos livros da minha vida. Não é, visto ao fim de todos estes anos, a pérola literária que me pareceu na inocência da adolescência, mas ajudou-me a imaginar algo que eu temia não poder alcançar, levou-me lá, e é para isso mesmo que serve um livro, ou não é?

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A Forma da Água (e do Amor)


A forma da água. Talvez mesmo, a forma do amor.
Muitos foram os que tem cantado, ao longo dos séculos, o verdadeiro amor incondicional. Aquele que supera todas as barreiras, as culturas, a comunicação, a forma. Sim, a forma.
Neste filme cheio de uma beleza muito própria, Guillermo Del Toro traz-nos a luz no meio da escuridão. A forma de o fazer é ligar um ser sobrenaturalmente único, um aquamen, com uma mulher de limpezas muda. Uma mulher sozinha no amor, carente e marcada. Um ser aquático visto por uns como uma aberração da natureza, e por outros como uma ligação divina. Elisa Esposito ( boa interpretação de Sally Hawkins) apaixona-se por um anfíbio capturado na América do Sul, por um ex-militar dominado pela loucura e sequioso por matar o ser que lhe roubou dois dedos. Num ambiente da Guerra Fria, um suposto “Deus” aquático é o centro de duas narrativas, ambas dominadas pela forma. A forma como Elisa descobre na diferença dos universos, uma comunicação de paixão, de amor sem barreiras e de liberdade. A forma como ambos os inimigos (americanos e russos) são conduzidos pela vontade de aniquilarem aquele que poderia ser uma arma, mas rapidamente se torna numa ameaça. E outra forma de amor. A do amor pela ciência, pela descoberta de novos mundos, novas paixões, através de um cientista que abdica da sua posição de espião, para mover esforços em defesa do anfíbio.

Guillermo del Toro já nos habituou a mundos estranhos, diferentes, mas não muito longe dos nossos mais profundos sonhos de menino. Desde o Labirinto do Fauno que explora universos surrealistas para abordar temas tão belos e tão misteriosos. A Forma da Água é uma simples história de amor. Mas é uma bela sinfonia de quando se ama sem nenhuma condição, se consegue ver para lá do que os que olhos, neste caso a fala, alcança. Exemplo disso é uma das cenas de amor mais belas que já assisti no cinema. Um mergulhar nos sentidos, nos corpos que dançam e respiram o desejo de se tocarem. Beleza pura.

Excelente banda sonora.
Excelente ambiente.
Filme de excelência.

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Contratiempo, pelo et(h)eriano Rui Sousa

Este filme espanhol de 2016, que está no catálogo da Netflix Portugal, mostra bem como a vida pode-se alterar em poucos minutos e como um cidadão comum pode ver-se transformado num criminoso.
Quando tudo começa, vemos Adrián Doria (interpretado por Mario Casas) acorda num quarto de hotel ao lado de um corpo inanimado de uma mulher. Ao constatar que está morta, agentes da polícia entram de rompante e prendem-no por homicídio.
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A história avança no tempo para outro quarto noutro edifício, quando o vemos a falar com uma advogada especialista neste tipo de situações de seu nome Virginia Goodman (Ana Wagener)  e esta informa-o que daqui a pouco a polícia virá buscá-lo e que por isso é melhor ele dizer exactamente o que aconteceu para que a sua defesa possa ser bem preparada.Pressionado pela contagem decrescente, Adrián começa então a falar.
Recuamos no tempo e ficamos a saber que se trata de um jovem empresário de sucesso que se encontra numa escapadela romântica com a amante Laura Vidal (Bárbara Lennie), enquanto a sua mulher pensa que ele está numa viagem de negócios em Paris.
Ao terminar este encontro, os dois entram no mesmo carro para se embora e cada um ir para sua casa. E é aí que a desgraça acontece. Durante o percurso, Adrián escolhe ir por um atalho, e como já sabemos pela sabedoria popular “quem se mete por atalhos, mete-se em trabalhos”. E esse ditado não se podia aplicar melhor aqui pois quando um animal se atravessa na estrada, o carro rapidamente faz um “pião” para evitá-lo o que se vai causar um embate com um carro que vinha no sentido contrário.
Após alguns momentos de pânico, rapidamente constatam que estão bem e resolvem sair do veículo para verificarem o estado do outro motorista. Infelizmente para ambos, constatam que este está morto.
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A partir daqui as suas vidas mudam radicalmente. Não era suposto estarem ali e tiveram um acidente que causou a morte a uma pessoa. E agora, que fazer? Enquanto pensam nisto, passa outro condutor no local e ao ver dois carros acidentados pergunta se está tudo bem. Rapidamente conseguem convencer o homem que estão bem e ainda o convencem que cada um deles ia no seu carro e que vão resolver tudo de forma amigável.
O outro condutor parte, eles resolvem encobrir a situação atirando o carro para um lago para ocultar tudo e regressam às respectivas casas, cada um à sua vida.
Claro que nestas coisas, não há crimes perfeitos e acaba-se por saber que o condutor morto está dado como desaparecido pelos pais. Rapidamente inicia-se uma investigação que vai por os nervos deste casal à prova e testar as capacidades da advogada para tentar dar a volta á situação com base na informação que recebe. A história irá avançar e recuar no tempo para nós espectadores termos uma melhor compreensão dos factos.
Não vou adiantar mais pormenores para não correr o risco de “spoilers”, mas posso garantir que vai haver surpresas.
À medida que tudo se desenrola, vamos aprendendo melhor a situação, compreendendo assim melhor o que aconteceu enquanto novos personagens vão sendo acrescentados.
Este é um thriller empolgante que nos surpreende. Uma história muito bem contada e interpretada.
Irá o crime compensar? É ver, para saber…
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O Fim do Mundo pelo et(h)eriano Rui Sousa

Fãs dos filmes catástrofe, agarrem-se às vossas cadeiras e entrem nesta aventura alucinante contra o tempo, enquanto nos preparamos para o impacto de um asteroide de grandes dimensões contra o nosso planeta. E o pior é que não temos o Bruce Willis para nos safar.
Esta referência vem a propósito do blockbuster “Armageddon” com um cenário apocalíptico semelhante, mas sem conspirações governamentais que estão bem presentes nesta série da netflix.
Tudo começa quando um estudante do M.I.T desempenhado pelo jovem actor Charlie Rowe, faz uma descoberta, que partilha com um bilionário da tecnologia interpretado por Santiago Cabrera (que participou no último filme da saga “Transformers”, na série “Big Little Lies” e “The Mindy Project” para referir alguns exemplos): Dentro de 6 meses, um asteróide vai colidir com a Terra causando o exterminio global.
Enquanto tentam pensar numa maneira de impedir esta catástrofe, resolvem alertar algumas pessoas dentro do governo para tentarem trabalhar em conjunto. Mal sabiam eles que isso iria ser o início de uma batalha com suspeitas, traições, conspirações e lutas pelo poder.
Mesmo assim vão juntando alguns aliados nesta caminhada, tal como a secretária de imprensa do pentágono, a actriz Jennifer Finnigan (da série “Tyrant” – recomendo) e o secretário adjunto da Defesa interpretado por Ian Anthony Dale (que costuma aparecer na série “Hawai Força Especial” excelente série de acção).
Com o tempo contra nós a hipótese de mandar uns mísseis para rebentar com o asteróide está fora de questão, pois isso iria agravar o problema ao produzir vários fragmentos que iriam resultar em múltiplos impactos. Por isso, há que pensar criativamente tentando alterar a sua trajectória.
Cada episódio é mais um obstáculo no que deveria ser um caminho fácil no sentido em que é do interesse de todos que este problema seja resolvido o mais rapidamente possível.
E como se não bastasse tentar desviar um objecto de grandes dimensões, ainda têm que conceber um plano “B” caso o desastre seja inevitável.
O ritmo é bom, temos situações de “suspense” de episódio para episódio, o que nos leva a assim que terminamos um, queiramos ver logo o seguinte.
Os fãs deste género de histórias irão certamente gostar e mesmo que não seja um tema do vosso agrado, esta história bem conseguida irá perder a vossa atenção, sem dúvida.
E se precisarem de mais um motivo para ver esta série, o produtor executivo é um tal de Peter M. Lenkov, responsável por êxitos televisivos como: Hawai Força Especial, MacGyver (o remake), CSI Nova Iorque e 24, para referir alguns.
Vejam esta empolgante história, antes que o Mundo acabe.