O dia em que o copo não transborda

Nos últimos 4 meses, semanalmente, percorro, de carro, o trecho entre Ribeirão Preto e São Paulo, ida e volta. Seiscentos e cinquenta quilômetros aproximadamente. Em média, isto ocupa cerca de 7 horas da minha semana. Parece pouco quando pensamos que uma semana tem 168 horas, mas te garanto que é bastante tempo para a minha imaginação entrar em ação e funcionar em uma intensidade bastante alta, já que está livre de outras distrações.

Procuro aproveitar bem este tempo. Ouço meus podcasts, áudio livros e também música para tentar direcionar meu estado emocional para onde eu quiser que ele vá. A música tem um imenso poder de modificar nosso humor. Para o bem ou para o mal, o “freguês” que escolhe. Para mim, quase sempre funciona.

Quase sempre. Tem dias, ou noites, que não funciona. Tem dias que a imaginação nos trai e “imagina” cenários que nos afetam profundamente. Quase sempre, também, estes cenários não se realizam. É só imaginação.

No meu último artigo, falei sobre como a imaginação pode nos levar à uma vida criativa. E como isto pode nos deixar felizes e tornar a vida mais divertida. A imaginação é assim mesmo, uma parceira maravilhosa que, vez ou outra, muda o trajeto. É quente ou fria. Céu ou inferno. Gosto dela assim. Prefiro o quente e o céu, mas estes não seriam tão bons sem o referencial do frio e do inferno.

Nesta semana, estava escutando uma entrevista com uma pessoa que largou o emprego formal em uma instituição financeira e resolveu “ganhar” o mundo, vivendo como “nômade digital”. Admiro imensamente pessoas de coragem. Não foi diferente ao ouvir esta entrevista. Pessoas corajosas transformam o mundo, inspiram, são como super heróis.

Ao ouvir a entrevista, fiquei com a impressão que, no fundo, ele sempre soube o que queria e o que fazer. Era uma conclusão óbvia, pois imaginamos que as pessoas bem sucedidas sempre sabem o que fazer.

No entanto, lá pelas tantas, o corajoso nômade digital confessou que durante muito tempo esteve totalmente perdido sobre sua vida e sua carreira. E ainda disse que isso continuava acontecendo até hoje. O que era ótimo!
Estar perdido sobre o que fazer lhe dava a oportunidade de explorar e se expor a situações que poderiam lhe surpreender. A frase exata que ele usou foi: “se você não está perdido, é sinal que você está repetindo a mesma coisa sempre”.

Converso sobre carreira com muitas pessoas nas redes sociais. Muitas sabem o que querem, mas não sabem como conseguir. Outras tantas nem sabem o que querem e, obviamente, nem fazem ideia de como descobrir. E um número igualmente grande acham que sabem o que querem, acham que sabem como conseguir mas não entendem porque aquilo não as deixa felizes.

Não as deixa felizes porque o copo não transborda.

Saber o que quer da sua carreira ou se sentir perdido pode fazer pouca diferença na sua felicidade se você souber como fazer para que seu copo esteja transbordando. Se culpar ou deixar sua imaginação te levar para zonas cinzentas onde a felicidade está atrelada apenas a um objetivo vai fazer seu copo esvaziar.

Você pode ter lido este artigo até aqui e esperar que eu te diga como fazer para o seu copo transbordar. Lamento, mas o que vai fazer o seu copo transbordar pode não ser o mesmo que fará o meu. Você não precisa encontrar o seu caminho para descobrir o que te deixa feliz. Estar perdido te dá muito mais opções do que estar focado em um único destino. Não é quente ou frio, céu ou inferno. É apenas a vida

Para mim, quase sempre funciona.

Abraços do Brasil

João Carlos Profírio assina Remédio para Cre(s)cer