O original, de 1987, chama-se “Predator”, o deste ano é “The Predator”, mas infelizmente a diferença não está só no nome.A qualidade de ambos é muito díspar, com vantagem para o antigo. Já agora, em Portugal partilham o título, “O Predador”.
Têm algo mais em comum, Shane Black, ator no primeiro, realizador deste último. E talvez este seja o problema do filme. Black, parece-me, tentou evocar em demasia o original, até na música. O tom geral é o mesmo, um grupo de militares atrás de um monstro na selva, ou floresta, mas a esta equipa falta-lhe carisma, nomeadamente se pensarmos em Schwarzenegger. Depois há exageradas tentativas de humor, por norma mal sucedidas, o que é estranho se pensarmos que o realizador foi o autor dos bem conseguidos “Bons Rapazes” e “Homem de Ferro 3”, onde se mistura com talento humor e ação.
Mas, principalmente, acho que há predador a mais. Eu explico, no primeiro filme o visitante do espaço assusta mais pela ausência do que pela presença, sabe-se que anda por lá, mas pouco se deixa ver. Talvez o acesso a melhores efeitos tenha levado Black a querer mostrar o monstro. Cai no exagero e o que se ganha em ação pura e dura perde-se em emoção. E depois há uma pretensão de explicar a presença dos predadores na Terra, mas às vezes mais vale ir pelo simplicidade, como em “Predadores”, que resultou bem melhor. Em suma, “O Predador” de Black é um interessante filme de ação, mas igual a tantos outros, não honrando a saga.
Visto isto, muitos anos depois aproveitei para rever na TV o primeiro, de Schwarzenegger, e posso dizer que o filme envelheceu muito bem. Agora, segue-se “Rocky IV”, pois desde que descobri que Dolph Lundgren é um engenheiro químico que ganhou uma bolsa no MIT, e uma pessoa naturalmente simpática, resolvi dar-lhe uma segunda oportunidade. E vou preparando terreno para “Creed 2”, que chega daqui a dois meses.