O valor dos valores na ESCOLA

Definir o conceito de educação tornar-se-ia redundante nesta altura, uma vez que é um tema sobre o qual muito se tem refletido e debatido nos últimos anos. No entanto, definir o conceito de valor, atualmente tão metamorfoseado e falsificado, dado o aparecimento em massa dos chamados contravalores, que insistem em permanecer, principalmente quando o TER se sobrepõe ao SER e delega para segundo plano todo o projeto humano, revela-se prioritário.
Com a palavra “valor” indicam-se, geralmente, os bens materiais, as profissões a arte, as normas ou regras e princípios, uma vez que são manifestações humanas, em que os sujeitos se realizam e se reconhecem. Mas é sobre os últimos que importa refletir e questionar, pois a maior parte das vezes pensamos que estamos a discutir os mesmos valores, mas é pura ilusão, pois na prática, nas atitudes tomadas e partilhadas, eles diluíram-se, não se encontraram e não sobreviveram.
Num momento em que se procura redefinir a escola e as políticas educativas, é necessário refletir sobre a nossa atitude como professores, conscientes da importância da interação entre todos os atores educativos, no desenvolvimento de atitudes cognitivas e atitudinais, na busca da simbiose entre o saber-ser, o saber-estar e o saber-viver. Na escola democrática, a participação na tomada de decisões deverá ser uma realidade para professores, alunos e pais, o que a torna um lugar privilegiado de aprendizagem para os valores Respeitando o desenvolvimento moral de cada um, a escola tem, cada vez mais, como tarefa primordial ajudar os jovens a nortearem os seus comportamentos por atitudes que os dignifiquem enquanto cidadãos ativos.
Não obstante, por melhor que seja a educação moral dentro de uma determinada escola, parte do seu impacto pode ser perdido se entre professores, funcionários e encarregados de educação não houver padrões comuns no seu relacionamento diário com o adolescente. Acredito que se os valores forem clarificados, elogiados e dignificados, a maior parte dos jovens alunos acabará por se aperceber da necessidade de os adotarem e de os verem adotados.
Por outro lado, atingir um consenso geral funcional sobre os padrões de comportamento mais importantes poderá parecer uma tarefa difícil, uma vez que a diversidade de matrizes culturais presente na escola é uma realidade, no entanto este continuará a ser sempre um dos desafios da profissão docente. Vários são os momentos em que o professor, preocupado com o futuro dos jovens com quem convive diariamente, os questiona sobre as suas intenções educativas, deparando-se com resposta como “não sei” ou “não quero estudar”, consciente ou inconsciente daquilo que é privilegiado naquelas estruturas cognitivas, por vezes tão imaturas e com preguiça de pensar.
O que importa mesmo é que a escola nunca desista, que continue a insistir numa formação integral dos alunos, que os ajude e lhes permita discernir o rumo certo, na conquista da sua realização plena numa sociedade com futuro, que lhes permita fazer as melhores opções, com consciência dos obstáculos e das tentações, que os faça pensar no “valor dos valores”.

Graça Rocha assina (In)Certezas.