foto: twitter de Diogo Infante.

Deus da Carnificina. Yasmina Reza. Como sempre os textos sobre o quotidiano, desta dramaturga francesa, trazem-nos uma visão crua da verdade humana. Crua, mas divertida.
E assim é esta peça muito bem encenada e interpretada por Diogo Infante, a quem se junta Rita Salema, Patrícia Tavares e Jorge Mourato.
Temos dois casais de classes media/ alta, que se juntam para discutirem um arrufo entre os seus filhos, que terminou em alguns ferimentos num deles. A partir daqui começa um diálogo de estalar o verniz. As diferenças, os egos, as farsas, mentiras e até verdades escondidas e os conflitos… todos veem à tona.
Uma escritora que quer mudar o mundo, casada com um vendedor de panelas, acessórios e autoclismos…nunca aprendi tanto sobre este utensilio tão importante de evacuação (risos)…do outro lado um advogado de prestígio, que passa o tempo a atender o telefone sobre um problema de uma farmacêutica, casado com uma gestora de fortunas, a quem chama de…béu-béu… (mais risos).
O desenrolar do texto leva-nos a descobrir que afinal o suposto amor entre marido e mulher não passa de uma farsa mascarada por diferenças sombreadas pelo disfarce social. Fica bem parecermos um casal equilibrado. Vemos e percebemos ainda que o superficial é o que resta de relações entre marido e mulher, ambos distantes na forma de interpretarem a personalidade do seu filho, por exemplo. E quando entra o álcool, caem as máscaras, os pruridos morrem e surge a verdade. A tal crueldade que apenas é o que é. As pessoas. E as suas distâncias e diferenças.
E é aqui que nos deparamos com seres humanos que pelo motivo da sobrevivência, na defesa das suas crias ( e leia-se aqui incluídas, também, as suas ideias e ideais), se transformam ao ponto de se tornarem quase Deuses da Carnificina….mas sem violência que se veja.
É uma comedia muito bem construída, quer no texto, quer nas personagens e nos tempos. E deixa-nos com a sensação humorística de: e se fosse connosco?
A ver, por um Teatro qualquer deste país.