“Correio de Droga”, “The Mule” no original, é um filme que nos traz uma profunda reflexão sobre o fim de nós mesmos. Clint Eastwood pega numa história verídica e dá-lhe um mote intenso sobre o tempo. O tempo da nossa existência.
Um homem que sempre fugiu da sua própria história, procurando se encontrar num percurso onde nunca estava onde a família o desejava, vê-se enrolado num negócio de droga. A sua eterna paixão por flores, retrata desde logo os seus medos pelo fim…”gosto daquela flor, porque ela vive um dia apenas, logo precisa de um cuidado muito especial.” O outro reflexo do medo, é a sua preocupação em manter vivas certas memórias da sua vida, como o veteranismo da guerra da Coreia ou a sua apetência para a dança, um gozo especial que guarda desde os tempos de adolescência.
Neste filme, Eastwood, o Earl Stone, encontra no correio de droga, uma forma de procurar recuperar o que sente ter perdido, a família, o amor, o reconhecimento. Afinal, procura tratar “num só dia” com cuidado especial. Os conflitos que o este submundo dos Cartéis encerra, representa a visão da destruição do homem e dos seus propósitos de vida. O dinheiro, o poder, a traição, são disso pequenos exemplos.
Earl encontra numa expressão muito simples, junto da ex-mulher que sempre amou, a simplicidade dos sentimentos de que tanto fugiu, com o tempo dos sentimentos,
“Amo-te,
Mais do que ontem?
Sim, e menos do que amanhã…”
Afinal não é isto que todos procuramos? Encontrar o amor no tempo e entregar esse amor ao próprio tempo, sem o temporizar?
Pois bem, Clint Eastwood, por quem o tempo parece já pesar, mas mesmo assim não o impede de andar, traz-nos uma reflexão muito simples,
Quanto estás disposto a arriscar para recuperar o tempo que desperdiçaste?…
Vão e digam de vossa justiça…eu dou 5 estrelas…porque Clint é como a flor, os dias serão poucos, logo precisa de ter um cuidado especial.