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Diário do E(q)uilíbrio

Vídeo de Tiago Sequeira Marques Teixeira in Vimeo (2020)

E hoje…o silêncio…

O que nos trouxe este silêncio ensurdecedor?

Onde está o meu silêncio?

Afinal que silêncio é este que nos fecha e nos atemoriza?

Mas será mesmo o silêncio um medo ou uma…oportunidade de escutarmos aquilo que não queremos ouvir faz tempo?…

Nota Importante: Ver vídeo com som e em…silêncio.

Até amanhã…shiuuuuu

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Diário do E(q)uilíbrio

Hoje o tema é educação.

Começo por partilhar que hoje o meu filho mais novo, de 21 anos, após dois meses de confinamento comigo, foi para casa da mãe. Vidas normais de pais separados. Fez uma escolha natural e responsável, dentro do bom senso de saúde publica que vivemos, e de salutar. Após ter convivido algum tempo com o pai, sentiu que chegou a hora de conviver este período de confinamento com a sua mãe. Tenho dois filhos, um de 23 e outro de 21. Quando começou o confinamento, fiz uma proposta confortável a ambos, de escolherem entre a minha casa ou a da mãe. O mais velho, que já perspetiva o seu Caminho próprio preferiu ficar onde estava e o mais novo ficou comigo dois meses e agora com a mãe. Toda esta história para falar das relações de pais e filhos. Algo que este confinamento trouxe à tona das nossas vidas. A educação de um filho é uma descoberta constante. Não existem livros que consigam de fato dizer o que é mais correto ou menos correto fazer com os filhos. Cada educação é uma educação. Por exemplo, que tenho dois filhos, transmiti os mesmos princípios aos dois, mas fui descobrindo que cada um escutava-os dentro daquilo que é a personalidade individual do mesmo. Não existem duas pessoas completamente iguais. 

E por isso, no crescimento como pai, fui percebendo que os meus filhos não são uma extensão de mim. Eles são apenas e só eles. Ser pai não é criar uma espécie de afluentes que alimentam o rio da nossa vida. Ser pai é ser um rio sem afluentes, que ensina a outros rios como se vive pela corrente, como transpomos os obstáculos, como aceitamos as margens de nós mesmos, como coabitamos com outros ambientes, como perceber as razões de umas vezes sermos mais límpidos e outras mais turvos, como entender a vida que permite que uns rios sejam mais longos no tempo que outros, como a mesma água não atravessa a mesma ponte duas vezes, como perceber que a certa altura da corrente, os rios separam-se mas não deixam de se ir cruzando de vez em quando…e por fim, receber na vida a foz do rio, a chegada ao oceano dos tempos infinitos. 

No fundo, e ainda assim usando outra alegoria, ser pai é ter uma caixa de ferramentas que vai entregando ao filho, para que este as interprete e as coloque em prática, à sua maneira, para construir o seu próprio caminho.

Não vejo, como pai, ser detentor dos meus filhos. Pelo contrário. Traz-me às sensações, uma espécie de felicidade, perceber que cada um torna-se responsável do seu próprio caminho. Individual e único. 

Todos aprendemos uns com os outros. Os filhos aprendem e apreendem muito dos pais. Mas isto não faz deles um estereotipo das ilusões dos pais. Como pais somos sim responsáveis de todo uma criação física e mental de seres humanos, que um dia mais tarde, refletirão nas suas vidas, o que viverem e experienciaram através dos seus pais. Logo, aquele que foi submetido a uma forte expressão de extensão de seus pais, será vítima desse comportamento, procurando sempre relações e experiências onde se possa projetar. Seja pelas exigências de perfeição, de competição constante. Seja pelo desporto onde os pais são mais jogadores do que o divertimento dos filhos, seja pelas amizades escolhidas pelos progenitores ou os cursos e profissões obrigadas. E as relações vão-se atenuando nas espirais de aulas e atividades extras que levam quase ao desespero filhos cansados dos pais e pais mergulhados no desespero das agendas híper preenchidas. Engraçado, estas últimas palavras trazem-me à memoria um certo dia, onde duas mães disputavam o que cada um dos filhos, ainda bebés, já sabia fazer. E eu questionei-as se tinham conhecimento de que o circo já tinha saído da cidade, logo não tinham necessidade de se digladiarem com as façanhas dos seus filhos e mais se divertirem com as mesmas, mas por forma a respeitarem a maravilha que vida lhes deu, a maternidade…pois, alguns devem adivinhar o que se seguiu… (risos).

E chegamos a um momento em que, pelo confinamento, pais e filhos são obrigados a conviverem 24 horas por dia. E agora? Onde estão as ferramentas? Dos pais e dos filhos? 

Penso, como pai… e todo este discurso é apenas e única visão de um pai e ser humano existencial deste planeta… Penso, dizia, que estamos num momento crucial para pais e filhos. Crucial porque grande parte do futuro das novas sociedades, está a decidir-se neste confinamento. É uma espécie de retiro, este desafio enorme à capacidade de pais saberem de fato ser pais, e de filhos serem de fato tratados como filhos… e acima de tudo, como indivíduos que pensam, que são aquilo que um dia os pais já foram, que formam uma consciência própria da qual dependerá a grande fatia das suas escolhas futuras… etc…

Logo, hoje, quando olharem os filhos, como pais, pensem… como veem de fato os seus filhos?

A educação é um processo e não um momento. Os filhos, reforço a minha ideia, são criaturas individuais. Não os vejam como fruto de um grupo de pessoas. Não os tratem como uma parte e comparativa de uma sociedade. Eles são individuais. Como cada um de nós. E se observarem, todos os animais veem assim cada filho que tem. Porque, sendo racionais, somos nós os únicos que pensamos sermos donos dos nossos filhos?

Fico feliz sempre que os meus filhos fazem, individualmente, uma escolha. E uma escolha para eles. Mostra-me que estão a construir todos os dias, como eu ainda hoje, uma consciência própria, e para isso é preciso ter a coragem de fazer escolhas, saindo daquela horrível zona de conforto, onde são os outros que fazem as escolhas por nós…aqui se dá início à perceção da liberdade individual. É maravilhoso.

E vocês… como estão a aproveitar os rios que correm ao vosso lado? Lembrem-se…a mesma água não passa duas vezes debaixo da mesma ponte…

E por hoje é tudo…até amanhã…

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Diário do E(q)uilíbrio

Começa aqui um dos dois novos blocos deste site. Este será um Diário sobre este momento e estes tempos que vivemos confinados, mas acima de tudo um diário de acreditar, de querer e de reflexão. E pego nesta ultima palavra para reforçar que este Diário apenas surge agora, porque fez sentido a este projeto e no seguimento da ideia deste site, criar um bloco de artigos onde pudéssemos criar ideias de reflexão sobre este período, este desafio e todos aqueles que virão. Este será sempre um diário positivo. E desde logo começando pelo seu titulo. O equilíbrio, aquela sensação que desejamos alcançar e importante para tempos como este.

Mas vamos ao dia 1… o planeta.

Partilho convosco um pedaço do “Jornal da Noite” da TVI ( passo a publicidade), que passou no dia da Terra. E de fato, após os últimos anos andarmos numa discussão acérrima sobre a sustentabilidade do planeta, eis que um vírus, o invisível, chega de mansinho e muda radicalmente a vida de toda a Terra. A nossa, a dos mares e oceanos, das florestas e das plantas, dos animais, da atmosfera.

E como refere José Alberto Carvalho, o planeta respirou num suspiro de alivio. E hoje a reflexão do diário é esta: Respirar!

A respiração é um ato de viver. Todos os seres vivos necessitam de respirar para viverem. E nós, como animais racionais não escapamos. E eis que chega um vírus que nos afeta o orgão principal da respiração.

Há quanto tempo, o mundo ocidental, procura formas de se encontrar consigo mesmo, através de meios e praticas, difundidas ou não pelo oriente, para nos centrarmos, nos encontrarmos, nos equilibrarmos? E todas estas praticas baseiam-se num ato fundamental, a respiração.

Base do Ioga – Respiração

Base do Mindfulness – respitação

Base da Meditação – respiração

Base da vida – Respiração.

E chega um virus que nos condiciona a respiração, que nos rouba a respiração. E não escolhe cultura, raça, género, escolhas de vida, sociedades, países…varre tudo. E leva-nos a ficar assustados, recolhidos, defensivos, confinados. E ficamos presos nos nossos próprios medos, nas nossas próprias sombras, nos nossos próprios conflitos. E lá fora, o planeta suspira e respira. E nós fechados, sentimos necessidade de “respirar”.

Mas e antes? Respirávamos quando corríamos, em stress? Respirávamos quando mergulhávamos numa espiral de passado-futuro, futuro-expectativas, expectativas-desilusões? E nesses momentos, dávamos conta da nossa respiração?

Finalizando este primeiro dia… fica a proposta de reflexão…baseado no que acabou de ler…

Sente-se num lugar e de forma confortável. Procure estar sossegado(a). Feche os olhos e concentre-se na sua própria respiração. E observe calmamente a respiração.

MUITO IMPORTANTE: Não julgue nada…nem pensamentos, nem o comportamento da sua mente. Apenas observe.

E não conte o tempo, quando sentir que terminou, pare e abra os olhos serenamente.

Agora pegue num pedaço de papel e uma caneta, e procure escrever o que sente nestas perguntas,

O que sente quando respira?

Onde tem estado “escondida” a sua respiração?

O que sente quando se dá conta da sua respiração presente?

O que pensa fazer para tratar melhor a sua respiração e como ela o(a) pode ajudar a sentir-se mais presente no seu dia a dia?

Boas reflexões. E deixo-vos um video sobre respirar…até amanhã.


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#pormimparatodos

Filme de João Monge, in Vimeo.

Em tempos que parecem estranhos, cada passo ficou retido em cada pensamento. Sentimos que a essência do medo se apodera de nós, como uma sombra que toma o nosso corpo. Ficamos inertes perante a sensação de ficarmos ansiosos, em conflito com os sentimentos, com a nossa mente. Sentimos Medo. Medo de perder, medo de morrer, medo de esquecer, medo de ficarmos doentes, medo de falta de proteção, de que toda a proteção do mundo não chegue para nos impedir de cair…

Mas o Medo tem uma substancia grandiosa. O Medo é a Historia que contamos a nós próprios durante um tempo indefinido. Uma Historia baseada numa “verdade” sem ser VERDADE, que acreditamos, mas que não sentimos como sendo nossa…e isso assusta-nos. O Medo é a oportunidade de nos recriarmos, de nos fundirmos com algo maior que o nosso próprio medo: a Nossa Coragem! A nossa Fé! A Fé que é a centelha da nossa existência! Quem somos e como Somos! E não há medo que a negue ou apague!

Olhar o medo é olharmos-nos enquanto seres, enquanto existência.

Cada momento de medo é um momento de sermos nos próprios,

de sermos gente que escorrega mas levanta-se,

de sermos gente que se atormenta mas ultrapassa,

de sermos gente que se derrota mas vence aprendendo as lições,

de sermos gente que após a presunção, sabemos ser humildes e solidários,

de sermos alpinistas e cairmos do mais alto ponto que a vista alcança…

mas reerguermo-nos de novo, limparmos as feridas e todo o pó que o vento dos dias traz, e…

SUBIMOS DE NOVO! PORQUE SOMOS MAIS FORTES QUE O NOSSO MEDO!

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#pormimparatodos

Olá a todos.
O etherlive está de volta. E num momento tão desafiante que a Vida nos propõe, o equilíbrio, a serenidade e a proteção são fundamentais para ajudar a ultrapassar este momento que muda o mundo de todo e no seu todo.

É porque as notícias da qual somos bombardeados são tão duras e levantam tantas dúvidas, que precisamos de uma onda de positividade.
E por isso criamos um novo hashtag, que desafiamos todos a espalhar pelas redes sociais, pelos amigos, pela família, por mail, por onde vocês quiserem… com algo que vocês estão ou podem fazer por todos. Uma foto, um texto, uma ideia para quem precisa de reinventar, um empreendedorismo…qualquer coisa, mas tem de ter colado

#pormimparatodos

Vamos lá!!! Vamos criar uma sensação positiva. Não dando as mãos, mas melhor, dando algo de cada um por todos!!!

Partilhem e desafiem.
E podem partilhar este vídeo também.

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Remédio para Cre(s)cer

Liderança na Indústria Farmacêutica: Coloque beleza dentro dos seus colaboradores. A decisão do Rubem Alves. 

Recentemente, ouvi uma entrevista da Raquel Alves, filha do escritor Rubem Alves. Conhecia muito pouco da história de ambos, embora já me encantasse com vários dos textos e das ideias do Rubem. Especialmente, o trecho da entrevista que vou conectar neste artigo fizeram com que eu conseguisse enxergar ainda mais beleza em sua obra.

Não vou entrar nos detalhes da entrevista, tampouco da história completa da vida deles. O papo vai ser rápido, prometo. Fica comigo por 5 minutos. Quem sabe a “chave vira” para você como virou para o Rubem Alves.

Só para dar o contexto, a Raquel nasceu com lábio leporino e teve que ser operada com menos de 24 horas de vida. O Rubem era um professor universitário na época, e seus textos, até então, seguiam o padrão acadêmico, escritos em terceira pessoa e com o rigor científico requerido.

Na antessala do centro cirúrgico, com o coração angustiado, O Rubem Alves percebeu que o que ele fazia não iria ajudar a sua filha. Todo seu conhecimento acadêmico, seus textos com rigor científico, a abordagem cheia de evidências e referências teriam nenhum impacto na luta que ela teria ao longo da vida. 

Seria necessário que ele lutasse a seu lado. Com outras armas. E a forma seria colocando beleza dentro dela. Ele teria que entrar em sua alma. Assim a vida valeria à pena para a Raquel.

Naquele momento, o Rubem Alves, que a tantos encanta com seus textos, livros e ideias, decidiu que passaria a escrever com o coração. Só assim conseguiria colocar beleza na alma da sua filha recém-nascida. Só assim ela conseguiria enfrentar todas as barreiras que encontraria na vida. E foi só assim que ele conseguiu colocar beleza no mundo. Sem regras e rigor. Conectando almas e corações.

Se transformou no Grande Rubem Alves. Transformou pessoas. Transformou o mundo.

Textos acadêmicos, teorias complexas de gestão, planilhas e gráficos de vendas não entram na alma de ninguém. Eles exercem bem a sua função, ponto. Te ajudarão em uma série de questões. Talvez consigam te trazer sucesso. Muito sucesso até. Mas não te farão “Grande”.

Líder, a conclusão e a conexão desta história com a forma como você “escreve” as linhas da sua carreira, deixo para você. Só não se esqueça que para colocar “beleza” dentro dos seus colaboradores, você precisa falar a linguagem de suas almas. Tome a sua decisão. 

João Carlos Porfírio assina Remédio para Cre(s)cer



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(In)Certezas

Sem Internet por umas horas… é o caminho…

Nas férias de verão proliferam conversas, algumas mais casuais, outras banais, mas ainda há aquelas que solicitam pequenas ou grandes reflexões sobre as atitudes humanas no século XXI. Uma dessas conversas aconteceu numa tarde de praia, em que a pergunta que me ocorreu para uma jovem de treze anos, que não largava o telemóvel, foi: se amanhã não houvesse Internet, o que mudaria na tua vida? De tão estupefacta, largou uma gargalhada e perguntou se me referia ao sistema em geral ou às redes sociais. Claro que decidi circunscrever a questão e incidi nas redes sociais. A jovem menina, fã do Instagram, sim, porque o Facebook é para“cotas”, dizia ela, apenas disse que, tal como lhe tinha ensinado, a pergunta lançada era retórica e nesse âmbito não exigiria resposta.“Não há resposta para essa pergunta”, dizia ela, “impossível imaginara vida das pessoas sem redes sociais, em que elas podem comunicar, saber informações de tudo à distância de um clique”, reforçava. Parei para pensar e fui consultar o relatório diário do meu telemóvel, consciente de que também eu gastava demasiado tempo à frente do seu visor. E a informação lá estava à espera de uma leitura analítica e reflexiva. Sustentava que, naquela semana, eu tinha aumentado as horas de tempo gasto com o telemóvel, passando para cerca de quatro. Indicou, inclusive, um dia em que o tempo circundava as oito horas, o que me assustou e petrificou um pouco o cérebro. Será? Será que também eu não conseguiria passar um dia apenas sem recorrer à Internet e às redes sociais? Certa de que a resposta seria óbvia, ainda não a queria assumir e sabia que, na semana seguinte, iria viajar para um país em que a comunicação não seria fácil, dada a mudança de rede e o preçário praticado. Teria mesmo de me desprender do telemóvel e convencer-me de que não era necessário. Contudo, quando entrei no avião e me apercebi de que só no dia seguinte poderia, ou não, dar a informação à família que teria chegado bem, comecei, qual gíria popular, a“entrar em parafuso”. Nove horas de avião, o tempo de espera no aeroporto para o reconhecimento e a autorização do visto de entrada, somando a viagem até ao hotel, resultavam em aproximadamente doze horas sem telemóvel… No hotel, não havia internet livre, teria de ser comprada em blocos de duas horas a um operador que, no dia seguinte, se encontraria na receção… Que grande problema, o que fazer? NADA, que foi exatamente o que fiz. Decisão tomada… iria apenas enviar mensagem para a família a informar que estaria bem e não tocaria mais no telemóvel, nem consultaria e-mail, Facebook ou Instagram. Se naquele dia acreditava que a decisão seria cumprida, no dia seguinte assumi o meu vício e comprei internet. Ato que foi repetido três vezes numa semana. Assumi-me “infodependente”, consciente de que era um vício poderoso e abusivo, dadas as horas roubadas de um tempo tão precioso para atividades mais produtivas e auspiciosas. Estando eu no patamar de utilização do telemóvel de uma adolescente de treze anos, comecei por fazer um plano de utilização da “máquina” e a reeducar os meus atos. A pergunta que no início deste escrito sobressai, feita a uma adolescente, surge para mim com respostas reais. Quando decido que não tenho Internet, acabo por regressar aos bons hábitos de adolescente e jovem adulto: ler e escrever mais, conversar com tempo, estar sem olhar para o relógio e desfrutar dos espaços exteriores. A questão que se coloca agora, já no final desta reflexão, é a seguinte: e se a adolescente de treze anos quiser mudar a sua atitude perante a utilização do telemóvel, que hábito irá recordar? É este o principal problema nesta sociedade infodependente e consumista compulsiva de dispositivos tecnológicos. Ela não tem referentes sem eles, nunca viveu sem internet, começa a ter telemóveis já no berço e a ser distraída com vídeos do Youtube ainda sem saber falar… Esta geração nunca se preocupará em responder à pergunta inicial, nem tão pouco a considerará retórica, pois não se irá preocupar em refletir sobre isso. E se, neste momento, cabe aos pais que não tiveram telemóvel na adolescência sensibilizar os filhos para o uso abusivo dos mesmos, daqui por uns anos, na geração seguinte, esses filhos serão uns pais que nunca viveram sem telemóvel e não terão refentes para ensinar o quão bom era brincar na rua, à macaca, às apanhadas, ao lencinho… Culpabilizá-los não será nunca uma boa atitude, compreender que terão de fazer mais esforço do que eu para largar o telemóvel por umas horas é o caminho. Impera agora, a esta geração que viveu uma adolescência sem telemóvel e até sem telefone fixo em casa, como eu, que alerte, sensibilize e reeduque os seus descendentes para, aos poucos, experimentarem viver sem eles, indo aumentando esse tempo progressivamente, pois devemos todos evitar viver numa sociedade que “aproxima quem está longe e afasta quem está perto”.

Graça Rocha assina os artigos (In)certezas.
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dedos que tecem

De dedo em dedo

Vais tecendo os sentimentos

Entre linhas que aspiram as paixões e as borboletas

De asas partidas que se enrolam no peito

Pelos teus dedos

O teu corpo de mulher se avizinha

Pela sombra escondida 

Natureza morta pela nascença que não permite

Que sejas bonita pela manhã e bela pelas tardes 

Onde o sol reflete o seu anoitecer 

Nesse horizonte de seres forma e doce feminina

Pelo tecer do teu pano

Vem preto, negro vestido que assombra o teu íntimo

De ignorância e triste destino

De dedo em dedo

Vais tecendo os sonhos que não podes criar

Ou as ilusões que não deves amamentar

Pois na tua sede de gritar

Amarram-te a voz pelo tecido que

De dedo em dedo

Foste tecendo mesmo debaixo do teu olhar.