ECONOMIA INSATISFAÇÃO – JAMES SUZMAN – in Público de 18 de julho de 2021

 

TEXTO GLOBAL

 

A dada altura do seu livro, cita Benjamin Franklin quando ele disse que se todos nós trabalharmos quatro horas por dia em algo útil isso seria suficiente para satisfazer todas as nossas necessidades. Ele tinha razão? E se sim, por que continuamos a trabalhar mais?


Tinha razão, absolutamente. Como espécie, estamos optimizados para três ou quatro horas de trabalho bom por dia. Convém sublinhar que Franklin falava de agricultura. Mas no geral é semelhante. As pessoas estão oito horas nos escritórios e o tempo em que estão de facto a trabalhar é menor. É por causa desta optimização que, muitos de nós, quando têm trabalhos infindavelmente aborrecidos e que não dão satisfação, vamos para casa e executamos tarefas em que a mente e o corpo se envolvem. Eu cozinho. Outros irão jardinar, caminhar, pintar ou praticar desporto. A forma como organizamos o trabalho, a organização económica, nega às pessoas a alegria de um trabalho satisfatório.

 

Estudou uma sociedade de bosquímanos na Namíbia. Com eles também era assim?

O meu primeiro livro foi todo ele dedicado aos bosquímanos, que trabalhavam 15 horas em busca de comida e mais 15 horas a fazer outras coisas durante a semana. Houve quem me perguntasse o que é que eles fazem o resto do tempo. Se não se chateavam. Na verdade não, porque metade do trabalho era profundamente satisfatória. Neste livro há uma passagem em que falo do taylorismo, o movimento eficiente. Penso que é assim que o nosso mundo ainda funciona. Rouba-nos a satisfação. Onde nos enganámos, visto que trabalhamos mais do que aquelas três horas de que fala o Franklin? Institucionalizámos o trabalho de uma forma muito estranha, com a nossa obsessão pelo crescimento e pela escassez.

 

E agora estamos a transformar-nos numa sociedade cheia de competências mas infeliz…

Exactamente!

 

Quando é que nos tornámos obcecados com escassez?

A história começa com a agricultura. Os economistas clássicos dizem-nos que os caçadores-recolectores viviam obcecados com a escassez. A etnografia diz-nos que não. A economia clássica diz-nos que evoluímos para desejos infinitos e meios limitados. E, isso, supostamente porque quando éramos caçadores-recolectores estávamos permanentemente a morrer de fome e, como resposta à fome, começámos a acumular cada vez mais. Sabemos que isso não é verdade.

Enquanto para os caçadores-recolectores a terra é intrinsecamente generosa, e a comida uma dádiva que só tem de se colher, o agricultor tem de “fazer a comida”. A terra fornece alimento, mas é preciso trabalhá-la para depois colher. E o retorno é sempre esperado no futuro, ao contrário dos caçadores-recolectores, que se focavam na necessidade do dia. Já o agricultor semeia o cereal na Primavera e com sorte tem alimento pelo Natal.

A segunda coisa que explica essa obsessão é a natureza do risco. Os caçadores- recolectores do Calaári escolhiam entre uma centena de espécies de plantas e 40 espécies de animais. Quando o clima mudava, era só trocar uma coisa por outra. Pelo contrário, as sociedades agrícolas tornaram-se reféns de uma ou duas produções de elevado rendimento. A sobrevivência depende de uma plantação específica. E isso torna- as mais vulneráveis. Ficámos expostos a enormes riscos e aquele que melhor geria esse risco era aquele que teria a melhor colheita. Essa ligação entre trabalho e recompensa impregnou-se, tal como a necessidade constante de adquirir superávites e acumulá-los.

Em todas as sociedades agrícolas houve uma grande mudança teológica. Na passagem de sociedades de caçadores-recolectores para agrícolas, surgem as

religiões monoteístas, como o cristianismo, a exacerbar o valor do sacrifício. Deus tornou- se, de repetente, bastante mau.

Uma das melhores imagens desse sacrifício e risco é a história de Moisés e o exílio judeu do Egipto. Veja-se a lista de pragas: são precisamente os riscos de uma sociedade agrícola, mesmo com as doenças zoonóticas, que vêm das ovelhas, das vacas, do porco, da comida, tuberculose, etc. Ou agora a covid.

 

Encontrou provas desta transição? Viu os bosquímanos mudarem a relação com o trabalho quando passarem a agricultores?

Comecei a trabalhar com eles no estertor do caçador-recolector. Eles não eram bons agricultores. Entre os mais velhos, esta ideia de ver uma coisa a crescer não fazia sentido. No meu primeiro livro tenho uma maravilhosa lista das falhas agrícolas só porque não se enquadravam na forma de eles pensarem a vida, o seu foco de curto prazo. Com as gerações mais jovens, isso mudou. A geração mais velha encarou os agricultores como uma extensão da floresta. Eles não imaginavam que os agricultores iriam roubar a terra. Viram alguém a chegar com uma vaca e pensaram: vamos comer a vaca. Mas os mais novos deram o salto. Mesmo assim, essa ética do trabalho duro não está muito enraizada. Mas já estão a adoptar esse tipo de símbolos. Entre os mais novos, apesar de serem altamente marginalizados e desesperadamente empobrecidos, com vidas de merda nos arredores de cidades, abraçaram o pentecostalismo. Mais uma vez com esse valor do trabalho árduo, alta recompensa. Durante duas transições geracionais eles não perceberam isso. Achavam absurda e estúpida a nossa forma de organizar a nossa economia, as nossas normas sobre trabalho.

 

Mas agora já não somos uma sociedade agrícola e continuamos a ensinar ou a acreditar que o valor do trabalho está no sacrifício e que este está ligado à recompensa…

Em parte pela mesma razão por que os velhos jul’hoansi demoraram tanto tempo a mudar. Os humanos são uma espécie de adaptação, mas adaptamo-nos lentamente. Somos criaturas culturais, somos formados pelas instituições nas quais nascemos. Estas tomam a forma de normas e práticas económicas e ideias que vieram da era agrícola. Quando a economia nasceu como disciplina, a agricultura ainda era dominante. As pessoas acreditavam por isso que era preciso trabalhar duro, porque havia uma equivalência com recompensa, mas claro que o mundo estava prestes a mudar, porque começámos a explorar os combustíveis fósseis. Ainda assim, pegámos em todas essas ideias e normas culturais da agricultura e nunca mais parámos de as amplificar, mesmo à medida que escalávamos o consumo de energia fóssil e da quantidade de trabalho que podemos fazer com máquinas. Estamos por isso presos num hábito cultural e construímos estas instituições complicadas.

 

É por isso que nos custa aceitar o rendimento básico universal?

Essa proposta é uma ideia lógica e óbvia, mas o problema é que essas instituições, como a moral do trabalho árduo e a recompensa, metem-se no caminho. Pensamos como seria possível darmos um rendimento a quem não trabalha. Ou como organizar um sistema fiscal. Ou como lidaríamos com a inflação. Na verdade, poderíamos pensar que tudo não passa de reorganizar as nossas instituições, porque o que temos é um problema institucional.

A segunda questão é que, como criaturas culturais, somos incrivelmente maleáveis. A humanidade expandiu-se por todo o planeta porque somos capazes de improvisar, aprender e mudar. E somos muito bons a mudar quando somos forçados a isso, quando não temos mais opção. Adaptamo-nos rapidamente no meio de uma pandemia. Mas quando temos escolha, tornamo-nos intransigentes. Tememos a mudança mesmo quando sabemos que é a coisa certa a fazer.

No meio da pandemia, vimos o que temos de mudar, mas é notório que batemos em retirada em direcção aos movimentos nacionalistas, o nacionalismo americano, o “Brexit” e toda esta porcaria. Retraímo-nos para dentro de nós mesmos. É uma condição humana: incrivelmente maleável e versátil, ao mesmo tempo intransigente.

 

Somos infelizes porque concluímos que não há relação entre trabalho duro e recompensa?

Sem dúvida. Na agricultura, oito ou dez pessoas tinham de trabalhar a terra porque era preciso comida para os alimentar. A energia que entrava na terra através do trabalho seria a energia que sairia do alimento para os trabalhadores. Assim que os combustíveis fósseis entraram na equação, a quantidade de trabalho foi aumentada muitas vezes, graças à maquinaria, e, no entanto, mantivemos, de forma quase bizarra, esta ideia do trabalho árduo na nossa sociedade.

 

Mas o trabalho árduo não funciona?

Em termos económicos, não. Não é por teres dois empregos que vais realizar os teus sonhos. Esta ideia do sonho americano, de que qualquer um, desde que trabalhe arduamente, pode ser o que quiser, é pura falácia. Isso depende primariamente do acesso a capital. Se tiveres sorte e acesso a capital, se tiveres a educação e as redes de contacto, então talvez consigas.

Numa economia automatizada, em que a maior parte do trabalho é feita por máquinas, a utilidade marginal do trabalho humano tem vindo a decair. Nos EUA, há este pânico moral em estados republicanos que estão a acabar com apoios e estímulos criados com o coronavírus, porque dizem que não encontram quem faça os trabalhos de salário mínimo, como virar hambúrgueres. É claro que ninguém quer fazer isso.

A utilidade marginal do trabalho humano numa economia cada vez mais mecanizada não existe e, de alguma forma, insistimos em manter as soluções das pessoas mais ricas do planeta. Um CEO [presidente executivo] trabalha muito, sem dúvida, mas não há relação com a recompensa. Ainda assim, repetimos a nós mesmos, enquanto sociedade, essa mentira de que o CEO teve dois milhões de salário base anual e mais dois milhões de bónus e cinco milhões em acções porque ele gerou todo aquele valor para a empresa. Isso é falso. É um mito que repetimos, para justificar a forma como organizamos a economia. Porque queremos todos ganhar o mesmo.

Isso é outra coisa que nos faz trabalhar, a amplificação imparável do desejo insidioso de que eu posso ser como aquele. Esta questão está fortemente presente no meu livro, devido ao feroz igualitarismo dos bosquímanos. Como eles dizem, a acumulação é corrosiva e causa problemas. Como espécie, não temos desejos infinitos. Nós queremos é o mesmo que o outro.

 

É espírito de competição?

Não creio.

 

Ou é inveja?

Sim! Essa é a palavra usada pelos bosquímanos. A política da inveja. Olhando para história da nossa evolução, estamos presos a sentir inveja porque inveja era uma forma de produzir pequenos grupos sociais funcionais. Ela alimenta aspirações. Estamos numa sociedade em que a escassez não existe, por isso, o que fazemos? Produzimo-la. Como o fazemos? Perseguimos desejos e o instinto de termos tanto quanto o nosso próximo.

Sentimos algo errado quando vemos alguém no Instagram a ter mais do que nós. A nossa resposta à desigualdade é um dos desafios e, ao mesmo tempo, um dos grandes catalisadores da nossa história.

Mas é por isso é que trabalhamos muitas horas em coisas inúteis?
 Isso ajuda a manter as instituições e esta cultura.

 

Analisa também a utopia tecnológica de Keynes. Estamos cada vez mais tecnológicos e trabalhamos 60 horas por semana. Segundo Keynes, era suposto a tecnologia tirar-nos horas de trabalho…

Keynes acreditava que a nossa obsessão pelo trabalho seria a única forma de travar aquela utopia. Num sentido, ele estaria certo. Mas quando escreveu esse ensaio famoso, estava a descrever a Grande Depressão. Ele chamou-lhe as dores crescentes do caminho para essa economia utópica. Penso que ele só se terá enganado no período de tempo necessário para estas dores acontecerem. Na verdade, penso que ainda estamos nessas dores de crescimento, dadas as tensões que vemos crescer. Temos esta abundância extraordinária à nossa volta e redistribuímo-la de forma terrível.

Há uma notória perda de fé nessas instituições culturais que nos serviram tão bem até agora e isso manifesta-se no surgimento de certos movimentos de direita, na estranha polarização política e esta insanidade amplificada pela Internet.

Mas também se manifesta na emergência de ideias muito precisas e clarividentes sobre

como podemos reestruturar e reorganizar a economia sem que sejamos forçados a olhar para trás, para a velha dicotomia capitalismo-comunismo. Podemos olhar em frente e dizer que temos de encontrar algo novo. Há uma comunidade a crescer, a que chamaria a comunidade pós-crescimento económico ou de economia sustentável. Isto pode ser só a viagem atribulada de Keynes para a terra prometida, que demorará mais tempo.

A questão é que é urgente acelerar, porque há uma correlação entre a quantidade de trabalho e o lixo que compramos e produzimos e as consequências ambientais.

 

A pandemia pôs muitos em layoff. Os trabalhadores essenciais continuaram a trabalhar. Ganhavam menos ou o mesmo que aqueles que ficaram em casa. Isto tem alguma relevância para o debate sobre o valor do trabalho?

Sim, totalmente. A pandemia tem sido interessante a três níveis. Primeiro porque nos fez perceber problemas globais. Precisamos de parar com este paroquialismo. Em segundo, durante um ano trabalhou-se menos do que em qualquer ano da nossa história recente. E isso aconteceu simplesmente porque decidimos que isso não é um grande problema. Em Inglaterra, deixou-se de perguntar quem vai pagar a dívida. A dívida é só um acordo, um sistema que reconhecemos como um efeito organizacional. E por isso mantivemos pessoas em layoff e tudo funcionou de forma razoavelmente bem, enquanto a dívida pública subiu.

Mas também todos percebemos que a dívida é apenas uma coisa. Tudo funcionou e, por isso, acabámos por ter este vislumbre de como seria um mundo em que vamos além da ideia de crescimento. A utopia de Keynes não é aquela em que todos nos deitamos ao sol, mas uma em que todos trabalhamos no que queremos e em que somos melhores. Num mundo suficientemente rico, por que deve um músico limpar sanitas para se integrar na sociedade em vez de trabalhar na sua música? Num mundo em que todas as necessidades básicas estão garantidas, acabaríamos por ter mais doutores do que temos agora.

 

Mas agora não estamos a discutir o valor económico do trabalho mas sim de onde vamos trabalhar. Não estamos a discutir o rendimento básico universal.

Temos um ponto de partida. Confundimos a dignidade do trabalho e o seu significado com a dignidade de um emprego. O emprego é uma invenção recente. As pessoas trabalharam sempre que tinham energia em excesso. Esta narrativa de que nos tornamos uns desperdiçadores se não trabalharmos é mentira. Na verdade acho que nos tornaríamos muito mais produtivos.

O músico que tem de virar hambúrgueres e acaba por ter uma vida miserável contribui com o quê para a sociedade? Ter um sistema que possibilite que cada um se foque naquilo que é bom, produz um bem social muito maior e valor acrescentado.

 

Apoia o rendimento básico universal?

Eu acredito numa coisa: vivemos tempos ímpares. Não sabemos quais são as respostas, por isso, o que podemos fazer é imaginar qual é o resultado que queremos. Temos de experimentar para ver como se chega lá. Gostaria de ver uma mudança na forma como pensamos políticas. Gostaria de decisões políticas que aceitem a experimentação.

Deixem-nos tentar isto e ver o que acontece e o que podemos aprender. O rendimento básico universal é uma experiência muito importante que temos de fazer. Se for terrível, voltemos atrás e mudemos. Se podemos experimentar tecnologia, por que não podemos experimentar a forma como organizamos o trabalho, a vida? Mais ainda agora que estamos ricos. Quando toda a gente tem o suficiente, avance-se para a próxima etapa.Quero ver política de experimentação, honestidade e abertura. Esperamos que os nossos líderes tragam soluções.

 

Tristemente, vemos líderes do Norte da Europa a acusarem os povos do Sul de que não trabalham, o que é mentira, e a concluírem que portanto não merecem ajuda.


Essa é a narrativa. Os países mediterrâneos é que estão certos. Esta expansão neoliberal de tudo, nos últimos 30 anos, tem sido terrível. Há coisas mais valiosas do que o trabalho. Este é o problema quando ligamos o nosso futuro às instituições económicas, baseados numa interpretação errada da natureza humana e da escassez. Tornamo-nos nessas instituições, manufacturamo-nos à imagem delas. Qualquer manual de economia traz nas primeiras páginas o problema da escassez e os desejos infinitos dos humanos. Ninguém questiona este sistema baseado num pedaço de lógica sem suporte antropológico.

 

Não há hipótese de sermos mais semelhantes aos [pássaros] tecelões-de-cabeça- preta, de que fala no livro, e construirmos ninho após ninho sem interesse económico?

Quando as necessidades básicas estão garantidas, os seres humanos comportam-se de maneira diferente. Temos é de matar o vírus da insatisfação, esta ideia de que amanhã será melhor, de que vamos trabalhar hoje para atingir mais amanhã, o que deixa pouco envolvimento no presente.

Os bosquímanos eram muito presentes. Não eram reféns de eternas aspirações em relação ao futuro. Esse é o hiato que temos de entender e obrigar-nos a desenvolver uma economia que permita às pessoas sentir satisfação. Neste momento temos uma economia que pressupõe contínua insatisfação, somos moldados ao trabalho pela ideia de castigo e pelo sonho de um amanhã melhor. Isso não é produtivo. Arriscamo-nos a canibalizar o nosso futuro se continuarmos assim.

DISSATISFACTION ECONOMY – JAMES SUZMAN – in Publico of July 18, 2021

 

GLOBAL TEXT

 

At one point in his book, he quotes Benjamin Franklin when he said that if we all worked four hours a day on something useful it would be enough to satisfy all our needs. Was he right? And if so, why do we continue to work harder?

You were absolutely right. As a species, we are optimized for three or four hours of good work a day. It should be noted that Franklin spoke of agriculture. But overall it’s similar. People are in offices for eight hours and the time they are actually working is shorter. It is because of this optimization that many of us, when we have endlessly boring and unsatisfying jobs, go home and do tasks in which the mind and body are involved. I cook. Others will garden, walk, paint or play sports. The way we organize work, the economic organization, denies people the joy of satisfying work.

 

You studied a society of bushmen in Namibia. Was it like that with them too?

My first book was entirely dedicated to the Bushmen, who worked 15 hours in search of food and another 15 hours doing other things during the week. Some people asked me what they do the rest of the time. If they didn’t get upset. Not really, because half the job was profoundly satisfying. In this book there is a passage where I speak of Taylorism, the efficient movement. I think that’s how our world still works. It robs us of satisfaction. Where did we go wrong, since we work longer than those three hours Franklin talks about? We institutionalized work in a very strange way, with our obsession with growth and scarcity.

 

And now we are transforming ourselves into a skillful but unhappy society…

Exactly!

 

When did we become obsessed with scarcity?

The story starts with agriculture. Classical economists tell us that hunter-gatherers were obsessed with scarcity. Ethnography tells us no. Classical economics tells us that we have evolved towards infinite desires and limited means. And this is supposedly because when we were hunter-gatherers we were permanently starving and, in response to hunger, we started to accumulate more and more. We know this is not true.

While for hunter-gatherers the land is intrinsically bountiful, and food a gift that only has to be harvested, the farmer has to “make the food”. The land provides food, but it is necessary to work it and then harvest it. And the return is always expected in the future, unlike the hunter-gatherers, who focused on the need of the day. The farmer, on the other hand, sows the cereal in the spring and with luck he has food for Christmas.

The second thing that explains this obsession is the nature of the risk. Calaari’s hunter- gatherers chose between a hundred species of plants and 40 species of animals. When the mood changed, it was just a matter of exchanging one thing for another. On the contrary, agricultural societies have become hostages to one or two high-yield productions. Survival depends on a specific crop. And that makes them more vulnerable. We were exposed to enormous risks and the one that best managed that risk was the one that would have the best harvest. This link between work and reward has become ingrained, as has the constant need to acquire surpluses and accumulate them.

In all agricultural societies there has been a great theological change. In the transition from hunter-gatherer to agricultural societies, the

monotheistic religions, such as Christianity, exacerbate the value of sacrifice. God has become very bad all of a sudden.

One of the best images of this sacrifice and risk is the story of Moses and the Jewish exile from Egypt. Look at the list of pests: these are precisely the risks of an agricultural society, even with zoonotic diseases, which come from sheep, cows, pigs, food, tuberculosis, etc. Or now the covid.

 

Did you find evidence of this transition? Did you see the Bushmen change their relationship with work when they became farmers?
I started working with them in the death throes of the hunter-gatherer. They weren’t good farmers. Among older people, this idea of seeing something grow didn’t make sense. In my first book I have a wonderful list of agricultural failures just because they didn’t fit their way of thinking about life, their short-term focus. With younger generations, that has changed. The older generation saw farmers as an extension of the forest. They didn’t imagine that farmers would steal the land. They saw someone coming with a cow and they thought: let’s eat the cow. But the younger ones took the leap. Even so, this hard work ethic is not very ingrained. But they are already adopting that kind of symbols. Among the youngest, despite being highly marginalized and desperately impoverished, with shitty lives on the outskirts of cities, they embraced Pentecostalism. Again with this value of hard work, high reward. During two generational transitions they didn’t realize it. They thought our way of organizing our economy, our norms about work, was absurd and stupid.

 

But now we are no longer an agricultural society and we continue to teach or believe that the value of work is in sacrifice and that this is linked to reward…

Partly for the same reason that old people jul’hoansi it took so long to change. Humans are a kind of adaptation, but we adapt slowly. We are cultural creatures, we are formed by the institutions in which we were born. These take the form of economic norms and practices and ideas that come from the agricultural era. When economics was born as a discipline, agriculture was still dominant. So people believed that you had to work hard, because there was an equivalence with a reward, but of course the world was about to change, because we started to explore fossil fuels. Still, we took all of these ideas and cultural norms from agriculture and never stopped amplifying them, even as we scaled up the consumption of fossil energy and the amount of work we can do with machines.

 

Is this why it costs us to accept the universal basic income?

This proposal is a logical and obvious idea, but the problem is that these institutions, like the moral of hard work and reward, get in the way. We thought about how it would be possible to give an income to those who do not work. Or how to organize a tax system. Or how we would deal with inflation. In fact, we might think that it’s all about reorganizing our institutions, because what we have is an institutional problem.

The second issue is that, as cultural creatures, we are incredibly malleable. Humanity has expanded across the planet because we are able to improvise, learn and change. And we are very good at changing when we are forced to, when we no longer have a choice. We adapt quickly in the middle of a pandemic. But when we have a choice, we become uncompromising. We fear change even when we know it’s the right thing to do.

In the midst of the pandemic, we saw what we need to change, but it is clear that we are retreating towards nationalist movements, American nationalism, “Brexit” and all this crap. we retreat into ourselves. It’s a human condition: incredibly malleable and versatile, at the same time uncompromising.

 

Are we unhappy because we conclude that there is no relationship between hard work and reward?
No doubt. In agriculture, eight or ten people had to work the land because food was needed to feed them. The energy that entered the earth through work would be the energy that would come out of the food for the workers. Once fossil fuels entered the equation, the amount of work was increased many times over, thanks to machinery, and yet we kept, almost bizarrely, this idea of hard work in our society.

 

But hard work doesn’t work?

In economic terms, no. It’s not because you have two jobs that you’re going to make your dreams come true. This idea of the American dream, that anyone, as long as they work hard, can be anything they want, is pure fallacy. This depends primarily on access to capital. If you are lucky and have access to capital, if you have the education and networks, then maybe you can.

In an automated economy, where most work is done by machines, the marginal utility of human labor has been declining. In the US, there’s this moral panic in Republican states that are ending support and stimuli created with the coronavirus, because they say they can’t find anyone to do minimum wage jobs like flipping hamburgers. Of course, nobody wants to do that.

The marginal utility of human labor in an increasingly mechanized economy does not exist and, somehow, we insist on maintaining the solutions of the richest people on the planet. A CEO [executive president] works hard, to be sure, but there’s nothing to do with reward. Still, we repeat to ourselves as a partnership this lie that the CEO got two million annual base salary plus two million bonuses and five million shares because he generated all that value for the company.
This is false. It’s a myth we repeat to justify the way we organize the economy. Because we all want to win the same.

This is another thing that makes us work, the unstoppable amplification of the insidious desire that I can be like that. This question is strongly present in my book, due to the fierce egalitarianism of the Bushmen. As they say, accumulation is corrosive and causes problems. As a species, we don’t have infinite desires. We want is the same as each other.

 

Is it the spirit of competition?

I do not believe.

 

Or is it envy?

Yes! This is the word used by the Bushmen. The politics of envy. Looking at the history of our evolution, we are stuck with being envious because envy was a way of producing small functional social groups. It nurtures aspirations. We are in a society where scarcity does not exist, so what do we do? We produce it. How do we do it? We pursue desires and the instinct to have as much as our neighbors.

We feel something wrong when we see someone on Instagram having more than us. Our response to inequality is one of the challenges and, at the same time, one of the great catalysts of our history.

But is that why we work long hours on useless things? This helps to maintain the institutions and this culture.

 

It also analyzes Keynes’ technological utopia. We are getting more technological and we work 60 hours a week. According to Keynes, technology was supposed to take away hours of work…
Keynes believed that our obsession with work would be the only way to stop that utopia. In a sense, he would be right. But when he wrote that famous essay, he was describing the Great Depression. He called it the growing pains of the road to this utopian economy. I think he will only have been wrong in the period of time necessary for these pains to happen. In fact, I think we’re still in these growing pains, given the tensions we see growing. We have this extraordinary abundance around us and we have redistributed it terribly.

There is a noticeable loss of faith in these cultural institutions that have served us so well until now, and this manifests itself in the emergence of certain right-wing movements, the strange political polarization and this Internet-amplified insanity.

But it also manifests itself in the emergence of very precise and far-sighted ideas about

how can we restructure and reorganize the economy without being forced to look back at the old capitalism-communism dichotomy. We can look ahead and say we have to find something new. There is a growing community, what I would call the post-economic growth community or the sustainable economy. This may just be Keynes’ bumpy journey to the promised land, which will take longer.

The point is that it is urgent to accelerate, because there is a correlation between the amount of work and the garbage we buy and produce and the environmental consequences.

 

The pandemic has put many into layoff. Essential workers continued to work. They earned less or the same as those who stayed at home. Does this have any relevance to the debate about the value of work?
Yes, totally. The pandemic has been interesting on three levels. First, because it made us realize global problems. We need to stop this parochialism.Second, less work was done for a year than in any year in our recent history.. And this happened simply because we decided that this is not a big issue.In England, it is no longer necessary to ask who will pay the debt. Debt is just an agreement, a system that we recognize as an organizational effect.And that’s why we kept people in layoff and everything worked reasonably well, while public debt soared.

But we also all realize that debt is just one thing. Everything worked, so we ended up getting this glimpse of what a world would be like in which we go beyond the idea of growth. Keynes’ utopia is not one where we all lie in the sun, but one where we all work on what we want and where we are better. In a world rich enough, why should a musician clean toilets to integrate into society instead of working on their music? In a world where all basic needs are covered, we would end up having more doctors than we do now.

 

But now we are not discussing the economic value of work but where we are going to work from. We are not discussing universal basic income.
We have a starting point. We confuse the dignity of work and its meaning with the dignity of a job. Employment is a recent invention. People worked whenever they had excess energy. This narrative that we become wasteful if we don’t work is a lie. I actually think we would become much more productive.

The musician who has to turn hamburgers and ends up living a miserable life contributes with what to society? Having a system that allows everyone to focus on what is good, produces a much greater social good and added value.

 

Does it support universal basic income?

I believe in one thing: we live in odd times. We don’t know what the answers are, so what we can do is figure out what the outcome we want is. You have to experiment to see how you get there. I would like to see a shift in the way we think about politics. I would like political decisions that accept experimentation.

Let us try this and see what happens and what we can learn. Universal basic income is a very important experience that we have to do. If it’s terrible, let’s go back and change. If we can experience technology, why can’t we experience the way we organize work, life? Even more so now that we’re rich. When everyone has enough, move on to the next step.

I want to see a policy of experimentation, honesty and openness. We expect our leaders to bring solutions.

 

Sadly, we see leaders in Northern Europe accusing the peoples of the South that they are not working, which is a lie, and concluding that they are therefore unworthy of help.

That’s the narrative. The Mediterranean countries are right. This neoliberal expansion of everything, over the last 30 years, has been terrible. There are things more valuable than work. This is the problem when we link our future to economic institutions, based on a misinterpretation of human nature and scarcity. We become those institutions, we manufacture ourselves in their image. Any economics manual brings on its front pages the problem of scarcity and the infinite desires of humans. Nobody questions this system based on a piece of logic without anthropological support.

 

Is there no chance of being more like the black-headed weavers you talk about in the book and building nest after nest without economic interest?

When basic needs are met, human beings behave differently. We have to kill the virus of dissatisfaction, this idea that tomorrow will be better, that we are going to work today to achieve more tomorrow, which leaves little involvement in the present.

The Bushmen were very present. They were not hostages to eternal aspirations for the future. This is the gap we have to understand and force ourselves to develop an economy that allows people to feel satisfaction. At this moment we have an economy that presupposes continuous dissatisfaction, we are molded to work by the idea of punishment and by the dream of a better tomorrow. This is not productive. We risk cannibalizing our future if we keep this up.

O Coaching de Carreira e A Parábola do Sannyasi.

Marta Rocha Santos

 

Por vezes uma simples história pode dizer mais do que uma explicação lógica, o que me levou a escolher esta, tirada do livro de Anthony de Mello – “Pare de se consertar”. A intenção é (e)levar este tema a um nível quiçá mais interessante.
Mas antes de começarmos, deixe-me entregar-lhe uma novidade:
Você não precisa de Coaching porque tem em si as respostas que procura. Pode procurar mentores, consultores, videntes e Mestres, ao fim de algum tempo (e talvez de uma soma considerável de dinheiro) perceberá que provavelmente foi em vão, ninguém tem para lhe entregar as respostas que procura, e muito menos eu.
Como é que eu sei? Foi o que fiz. Quando o que fazia profissionalmente, deixou de fazer sentido para mim, quis desesperadamente respostas e estava convicta que alguém as teria.
E para terminar este interregno, e ir direta à tal história, você não precisa de conserto porque não há nada de errado consigo, ainda que não saiba você já é perfeito.
O que pode talvez ambicionar, é uma conversa séria sobre verdade e consciência de si mesmo, e se for esse o caso, pode contar comigo.
Esta é a história de um aldeão na Índia que se cruza com um Sannyasi – Um Sannyasi é um mendicante errante que, tendo alcançado a iluminação, compreende que o mundo inteiro é a sua casa e o céu o seu telhado. 
“Não posso acreditar nisto”, exclamou o aldeão ao Sannyasi quando os seus caminhos se cruzaram.
O Sannyasi respondeu: “Em que é que não podes acreditar?”.
“Tive um sonho contigo ontem à noite”, disse o aldeão. “Sonhei que o Senhor Vishnu me disse: ‘Amanhã de manhã, deixarás a aldeia, e irás encontrar um Sannyasi errante’. E aqui estás tu!” 
“E que mais te disse o Senhor Vishnu?” perguntou o Sannyasi. 
“Ele disse que tu possuis uma pedra preciosa e que, se ma deres, o seu valor far-me-á o homem mais rico do mundo”, disse o aldeão. “Tens por ventura uma pedra assim?”
O Sannyasi começou a remexer na sua mochila e, após um momento, puxou um objeto para fora.
“Seria esta, a pedra que viste no teu sonho?” disse o Sannyasi, entregando a pedra ao aldeão. 
O aldeão não podia acreditar nos seus olhos. Era a mesma pedra – um diamante tão grande como o seu punho. Ele segurou o diamante nas suas duas mãos com grande cuidado. 
“Poderias dar-me esta pedra?”, perguntou ele. 
“Claro que sim”, disse o Sannyasi. “Por favor, leva-a. Encontrei-a na floresta e podes ficar com ela de bom agrado.”
” O aldeão pegou no diamante e foi sentar-se debaixo de uma árvore na periferia da aldeia. Ele segurou o diamante perto do seu coração, e experimentou uma grande alegria. 
A questão, é que este é o tipo de alegria que a maioria das pessoas sente no dia em que conseguem algo que realmente desejam.
Já alguma vez parou para perguntar quanto tempo dura esse tipo de alegria? Conseguiu a rapariga ou o rapaz que queria, certo? Conseguiu aquele carro. Conseguiu aquela casa. 
Conseguiu o que pensavas ser o emprego dos seus sonhos, certo? 
Quanto tempo dura essa alegria? 
Quantos segundos? 
Quantos minutos? 
Eventualmente com o passar do tempo, acabou por se cansar do que tinha – e saiu à procura de outra coisa.
E aqui, termina a história que fala sobre como viver uma vida à procura de qualquer outra coisa.
Career Coaching é sobre verdade, sobre a reconexão consigo mesmo, com os seus valores existenciais e com o seu caminho. É sobre fazer escolhas profissionais que têm um significado profundo e são necessárias ao seu desenvolvimento. É sobre o seu compromisso consigo próprio e com a sua evolução, enquanto Ser mais alto e mais amplo do que o papel que desempenha.
Trata-se da vontade de estar ao serviço de um propósito mais alto do que nós próprios.
Trata-se de parar de se querer consertar a si próprio e de pôr os pés na estrada, porque tudo está no seu lugar.
Trata-se de ir ao encontro de uma verdade que tem as respostas que procura, as suas.

Carrer Coaching and The Parable of the Sannyasi.

 Marta Rocha Santos

 

Sometimes a simple story can say more than a logical explanation. I chose this one from Anthony de Mello’s book “Stop fixing yourself” to bring you to another level.

You don’t need Coaching because you have the answers, and you don’t need fixing because there’s nothing wrong with you, you are perfect already.

What you might wish for, is to have a serious conversation about truth and awareness, and if that is the case, you can count on me.

This is a story of a villager in India who happens upon a sannyasi-  A sannyasi is a wandering mendicant who, having attained enlightenment, understands that the whole world is his home and the sky is his roof.

“I cannot believe this,” the villager exclaimed to the sannyasi when their paths crossed.

 The sannyasi responded, “What is it you cannot believe?”

 “I had a dream about you last night,” the villager said. “I dreamed that the Lord Vishnu said to me, ‘Tomorrow morning, you will leave the village, and you will run into a wandering sannyasi.’ And here you are!”

“What else did the Lord Vishnu say to you?” the sannyasi asked.

“He said that you possess a precious stone and that, should you give it to me, its value will make me the richest man in the world,” the villager said. “So—do you have such a stone?”

 The sannyasi began rummaging through his knapsack and, after a moment, pulled out an object.

“Would this be the stone you saw in your dream?” said the sannyasi, handing the stone to the villager.

The villager could not believe his eyes. It was the same stone—a diamond as big as his fist.

 He held the diamond in his two hands with great care. “Could I have this stone?” he asked.

“Of course,” the sannyasi said. “Please, take it. I found it in the forest, and you’re welcome to it.

” The villager took the diamond and went to sit under a tree on the outskirts of the village. He held the diamond close to his heart, and he experienced great joy.

Now, this is the kind of joy most people feel the day they get something they really want.

 Have you ever stopped to ask how long that kind of joy lasts? You got the girl or the boy you wanted, right? You got that car. You got that house. 

You got what you thought was your dream job, right?

How long does that joy last?

How many seconds?

How many minutes?

Eventually, you grew tired of what you got—didn’t you?—and soon you were off looking for something else.

Carrer coaching is about truth, about reconnection with yourself, your existential values and your path. It’s about making choices that are meaningful to you and necessary to your development.

It’s about bringing your talents and gifts to life, and it’s about being of service to a porpose higher than yourself.

It’s about stop fixing yourself and getting your feet on the road, because all is in place and you are enough.

It’s about life, what else if not that!

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