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SEXTILE, SORRIR PARA O ABISMO, por musicaemdx

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A noite de segunda-feira trouxe consigo a chuva e o vento, mas a passagem dos Sextile, oriundos dos Estados Unidos e neste momento sediados em Los Angeles, pelo Sabotage Club, fez com que mais de uma centena de pessoas abandonassem os seus sofás entre outras coisas a favor de mais uma noite cheia de emoções e energias fortes, ásperas e quentes. Estas casas cheias numa noite de segunda-feira não deixam ninguém indiferente, e se deixam, não deveriam de deixar.  São noites que se saboreiam de uma forma diferente para a maioria e que deixam a sua marca distinta.

20180226 - Sextile @ Sabotage Club

A sonoridade dos Sextile produz um impacto duradouro e extravagante. Um impacto que se sente no corpo todo, que nos entra na cabeça através dos estampidos da bateria de Melissa e dos sintetizadores de Eddie e que a voz de Brady e a guitarra de Cameron fazem explodir em nós.

Passaram por Portugal, estiveram no Porto no domingo e em Lisboa na segunda para os últimos concertos da tour do segundo álbum, Albeit Living, que foi editado em Agosto passado, e fazem questão de o dizer, como se nos estivessem a avisar que esta noite poderá ter muito mais nela que apenas mais um concerto a uma segunda feira no Cais do Sodré.

20180226 - Sextile @ Sabotage Club

E não, isto não é apenas mais uma noite, mais um concerto, mais uns copos a ouvir música. Os Sextile são intensos. Intensos daquela forma que até o nosso corpo estranha essa mesma intensidade. Intensos de uma forma que se mete debaixo da nossa pele, um incómodo necessário para continuar vivo ou para não cair no abismo.

Existem muitos momentos, sem luz, muitos momentos com uma luz ténue e em quase todos os momentos uma luz que pulsa mais forte que o ritmo.

20180226 - Sextile @ Sabotage Club

Arrebatadores, cheios de uma ira intensa e apaixonada, soam exactamente como eu imagino que soa quase toda a América soa neste momento, revoltada, agitada, nervosa. Prontos a explodir a qualquer momento.

One Of These é quase isso, e Who Killed Six é exactamente isso.

A casa enche um pouco mais à medida que o concerto avança, assim como a energia explosiva que emana especialmente de Brady, como se ele fosse o escape dos outros membros da banda, como se por ele fluísse toda a electrizante batida.

20180226 - Sextile @ Sabotage Club

Ripped e Sterilezed, assim a menos de um metro de distãncia da banda, a observar as expressões de cada um deles, têm uma batida hipnótica, arrojada, industrial puxada pelos sintetizadores que Eddie e Cameron dirigem.

Mellissa conduz com ritmo completamente certo a energia entusiasmada de Eddie que ataca os seus sintetizadores com um sorriso na cara enquanto produz e reproduz a repetição ampliada, aumentada pela guitarra de Cameron e a voz de Brady parece estar quase sempre no ponto de ruptura como se a qualquer instante fosse sucumbir à sua própria revolta.

Quiseram sair sem um encore mas não era possível. Como poderiam sair sem um encore no último concerto da tour? Como poderiam sair sem um encore depois de um concerto assim?

O concerto foi curto, pouco ultrapassou os sessenta minutos, todos eles intensos, electrizantes, repetitivos, duros, ásperos. Intensos. Intensos como se estivéssemos uma hora a olhar para o fundo do abismo enquanto o nosso coração quase chega à boca para que no último momento, quando tudo cessa possamos respirar fundo e querer mais.

Queremos mais.

Texto – Isabel Maria
Fotografia – Luis Sousa

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THE LEGENDARY TIGERMAN, A ENTREVISTA SOBRE O INICIO DE UMA NOVA ETAPA COM MISFIT, por musicaemdx

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É já nesta Quinta-feira, dia 22 de Fevereiro, que The Legendary Tigerman começa a tour portuguesa de “MISFIT”, disco lançado mundialmente em Janeiro pela Sony Music. Com uma carreira a solo que leva quase duas décadas, falámos um pouco com Paulo Furtado sobre este seu mais recente trabalho que acaba por marcar uma nova fase da carreira do Lendário Homem-Tigre.

Música em DX (MDX) – Misfit é um disco diferente do anterior por várias razões. Do conhecimento público vem o facto de pela primeira vez não teres trabalhado completamente sozinho nele, o que só de si acaba por abarcar novas experiências. Sentes que Misfit marca uma nova etapa de The Legendary Tigerman?
Paulo Furtado – Sim, claramente. É muito relevante para o som do disco e para o projecto o facto de neste momento isto ser mais uma banda do que um one-man-band, e desde o início que pensei em compor para esta formação, e ter isso em conta na escolha das músicas. O facto de MISFIT ser parte de um projecto maior, que também é cinema e fotografia, também o distingue de tudo o que está para trás.
MDX – Pela primeira vez em quase vinte anos, The Legendary Tigerman entra então em estúdio para gravar acompanhado (com Paulo Sagadães e João Cabrita). O que é que te motivou a levá-los para estúdio? Desde True que tocam juntos. Essa experiência foi preponderante?
Paulo Furtado – Bem, esta transformação não foi exactamente pensada, foi acontecendo. Primeiro entrou o Sega, e durante algum tempo tocámos com as duas baterias em palco e havia uma mistura do one-man-band com a bateria, e passado uns tempos o Sega estava a tocar o concerto todo, e de repente aquilo fazia sentido. O Cabrita também começou assim, como convidado em algumas canções em concertos especiais, porque ele tinha escrito arranjos para o True, e de repente havia uma linguagem musical nova e fresca, que tinha sido criada ao vivo, e para mim fazia sentido tentar compor para este formato. Foi isso que veio a acontecer no MISFIT.
MDX – Misfit, o desajustado. Não é segredo para ninguém, dado que já o disseste publicamente, que este foi um sentimento que te acompanhou ao longo do teu crescimento e até mesmo enquanto adulto. Sentes-te mais perto de ti mesmo neste disco do que nos cinco anteriores?
Paulo Furtado – Sim, sempre senti isso, na realidade, desde muito novo, e de repente também me pacifiquei com esse sentimento, porque é fixe e bom ser desajustado num mundo que nem sempre é o mais correcto e interessante. É bom fazer coisas que nem toda a gente goste, não preciso que muita gente goste de mim, alguns até prefiro que não gostem!
Claro que há um preço a pagar por isso, mas na realidade, não creio que conseguisse fazer as coisas de outra maneira. Mas sempre fui muito honesto em todos os discos que fiz, sinto-me muito próximo de todos, eram exactamente os disco que queria fazer em cada um dos momentos.
MDX – Numa altura em que se discute “a morte do rock’n’roll” para outros géneros musicais, tens uma faixa que se chama “Fix of Rock’n’Roll”. É alguma espécie de statement em relação ao assunto ou mera coincidência?
Paulo Furtado – Não é coincidência, claro. Como não é coincidência que o disco seja de alguma forma mais pesado que os anteriores, tive vontade de fazer um disco de rock´n´roll neste momento, e com esta formação. Em todas as décadas se fala da morte do Rock´n´Roll, mas acho que ainda não é desta. Acho que isso nunca irá acontecer, há-de sempre haver um puto a pegar numa guitarra eléctrica e a sentir esse energia, que é muito diferente de tudo o resto.

                                   

MDX – Para a escrita das letras em que é que vais buscar referências? À tua vida, às tuas experiências ou também tens, por exemplo, alguns autores literários nos quais também te inspiras?
Paulo Furtado – Neste disco quis ser mais influenciado pela estrada e pelo universo que criei para o Fade into Nothing, o filme que criei com o Pedro Maia e a Rita Lino, e que no fundo foi o início de todos este processo. Tentei escrever muito pelo olhar do personagem principal do filme, a quem dou corpo, chamado MISFIT, mas claro que a experiência pessoal e a vivência acabam por estar sempre presentes na escrita das canções. E, no fundo, toda a arte com que contacto me influencia, seja um quadro, um filme, um livro. Acho que há sempre qualquer coisa que te vai abrindo portas e janelas na pessoa que és, e isso acaba por influenciar a tua arte, também.
MDX – Como disseste, Misfit foi também um trabalho que, por consequência, acabou por destacar outras paixões tuas: o cinema e a fotografia. Ao mesmo tempo que surgia “Fade Into Nothing”, nascia também a composição de “Misfit”. De que forma é que estas experiências ganharam vida e como é que se reflectem verdadeiramente no disco?
Paulo Furtado – Bem, já respondi a uma parte desta questão, creio, mas de facto forcei-me a escrever por outros olhos, e tentar fazê-lo de uma maneira rápida e intuitiva, e na realidade o grosso do disco foi escrito diariamente entre Los Angeles e Death Valley, durante a rodagem do filme. Há muita coisa cruzada entre o filme e o disco, muitas ideias que muitas vezes são desenvolvidas no diário, ou podem ter uma justificação nas canções. Há muitas pistas para isso no disco e no filme, para quem as queira procurar. Para mim era importante precipitar uma escrita mais rápida e intuitiva, menos reflectida.
MDX – Gravar num estúdio em pleno deserto reforça um bocadinho a ideia do Misfit, havendo este isolamento bastante literal. Existe todo este imaginário que acaba por se tornar muito gráfico enquanto ouvimos o disco. O que é que te impulsionou a ir gravar para um estúdio no deserto (para além de, obviamente, o estúdio ser excelente)?
Paulo Furtado – Por um lado, queria muito gravar no Rancho, desde que ouvi as primeiras Desert Sessions, e quando visitei o estúdio a primeira vez senti uma energia muito especial, senti que aquele era um local muito inspirador. Por outro lado, queria muito estar fora da minha zona de conforto e dos instrumentos e sons que conheço bem, e também que precisávamos desse isolamento, como músicos que pela primeira vez estavam a gravar um disco. A escolha dos instrumentos para os arranjos finais ou certas sonoridades das guitarras, por exemplo, foram decisões tomadas lá, com o que estava disponível. Creio que tudo isto era efectivamente necessário para chegarmos à sonoridade de MISFIT. E tendo escrito o disco naquela zona, e sendo o deserto uma influência tão grande neste albúm, fazia todo o sentido.

MDX – Passado todo este tempo, que distância emocional, ou até fictícia, consideras haver entre o alterego The Legendary Tigerman e a pessoa Paulo Furtado? Aliás, será que existe sequer, hoje em dia, alguma diferença entre os dois?
Paulo Furtado – Creio que essa diferença se foi acentuando, ao longo dos anos, na realidade. Talvez no início não houvesse tantas diferenças assim entre mim e a persona de palco, talvez estivéssemos os dois sempre ligados e a mil. Hoje em dia crescemos, ambos, mas de maneiras muito diferentes, creio. Permitiu-me a mim viver melhor e fazer mais coisas, creio, e permitiu-me também crescer muito em palco e disco, como Tigerman.
MDX – Sentes que com o tempo fica menos difícil expressares-te e dares forma às tuas emoções através da tua música?
Paulo Furtado – De certo modo acho que sim, apesar de eu fazer um grande esforço para não me repetir e tentar reformular o modo como faço música, de disco para disco. Quando chega o momento de fazer um disco ou fazer um concerto, não creio que as coisas sejam verdadeiramente mais fáceis, há uma grande exigência, sempre.
MDX – Voltando um pouco atrás no tempo, como é que alguém tímido e com esse sentimento de não pertença ganha coragem de subir ao palco e fazer deste universo – em que acabas sempre por te expor – a sua vida?
Paulo Furtado – Não te sei explicar exactamente como isso aconteceu. Acho que no fundo fui recebendo mais do que perdia, no sentido que foi um modo de poder continuar a desenquadrar-me, ainda que inserido na sociedade, e consegui exprimir coisas que provavelmente não conseguiria exprimir de outro modo. E a energia que sentes ao fazer um concerto de Rock´n´roll, é algo extraordinário. Quando tudo corre bem num concerto, quando consegues ligar-te ao público e que ele se ligue a ti, naquele momento perfeito de partilha e comunhão, isso é das coisas mais bonitas que pode acontecer, para mim. Não acontece sempre, mas é uma coisa que procuro sempre, e creio que estar em palco é algo de muito, muito especial, à qual me fui afeiçoando cada vez mais e ganhando cada vez mais respeito.
MDX – Tendo sido o desenho o teu primeiro talento natural, de que forma é que este se foi mantendo presente na tua vida?
Paulo Furtado – Curiosamente, hoje em dia só desenho nas férias. É a única coisa que realmente me acalma e relaxa. Desenho plantas. Talvez um dia volte a desenhar e pintar outras coisas.
MDX – Sentes que o cinema e a fotografia se vão tornar uma parte mais constante da tua vida profissional no futuro?
Paulo Furtado – Sinto que já são, mas muita vezes opto por deixar isso numa segunda linha, ou passa um pouco mais despercebido do grande público.
MDX – Para além do cinema e da fotografia, recentemente também produziste aquele que será o disco a solo de Sean Riley, que vai abrir os teus concertos na tour de Misfit portuguesa. Já no ano passado também tinhas assumido a produção de “Lucifer”, disco dos The Poppers. Qual é o maior contraste entre ser músico e produtor?
Paulo Furtado – No fundo continuas a ser músico, enquanto produtor. A grande diferença é que tens um olhar externo em relação às canções, consegues ter um olhar mais crítico e vislumbrar caminhos de produção mais facilmente, porque não são as tuas canções, são canções de outras pessoas, são escritas passando por processos emocionais que muitas vezes influenciam o modo como são tocadas e arranjadas. Como produtor, tenho distância em relação a isso, e consigo perceber mais facilmente o que a canção ou o disco precisam. Por mais próximo que esteja, é um olhar de fora. No cinema é a mesma coisa, quem está atrás da câmara (com todas as exceções, porque não acredito em regras e há sempre mil modos de fazer as coisas) não deve estar a montar um filme, porque há uma memória e uma ideia do dia de rodagem, por exemplo. Imagina que houve uma cena super difícil de filmar, mas que no final consegues. Alguém que não saiba disso terá um olhar muito mais pragmático em relação a ela. Voltando à música, esse olhar mais distanciado também ajuda a reconhecer as mais valias de cada um também, bem como das canções, e tentar ao máximo ajudar a maximizar tudo isso. No fundo, todas as experiências que vais tendo te vão fazendo crescer como músico e produtor.
MDX – Tendo uma estética muito própria, como é que te consegues abstrair dela quando trabalhas no papel de produtor com outros artistas?
Paulo Furtado – Bem, nunca me abstraio totalmente da minha estética, creio. Qualquer autor que tenha uma assinatura e visão não pode abstrair da sua estética, e acho que isso também é claro na cabeça de quem me procura. No fundo o que acontece é que coloco a minha experiência e essa estética ao serviço de outras pessoas e de outras visões. Mas antes de qualquer trabalho desse género, ou mesmo quando faço bandas sonoras de cinema ou teatro, e faço muitas e muitas vezes, e bastante diferentes do que as pessoas esperam do ponto de vista sonoro, tento explicar tudo isto ao máximo, e perceber se faz realmente sentido trabalharmos juntos. Às vezes, pura e simplesmente, não faz. E é importante perceber isso antes.
MDX – Enquanto artista tens uma relação muito especial com França. A tour de Misfit começou precisamente por lá e as pessoas adoram-te. Como é que surge esse arrebatamento com França?
Paulo Furtado – Não sei, surgiu de uma maneira natural, creio, sempre houve gente que se interessou por aquilo que faço, por lá. E creio que é um país que sempre gostou de Blues e Rock´n´Roll.
MDX – Quinta-feira começa a tour por Portugal no Lux. Nos teus concertos a temperatura costuma subir muito rapidamente. O que é que te dá mais prazer durante um concerto em relação a ti em palco e à reação do público?
Paulo Furtado – Quando num pequenino momento, parece que somos um só. É um sentimento incrível.
Agenda concertos Portugal
22 de Fevereiro – Lux Frágil – Lisboa
2 de Março – Porto – Hard Club
9 de Março – Arcos de Valdevez – Sons de Vez
10 de Março – Aveiro – Teatro Aveirense
15 de Março – Évora – Teatro Municipal Garcia de Resende
16 de Março – Castelo Branco – Teatro Avenida
17 de Março – Alcobaça – Cine-Teatro de Alcobaça João D’Oliva Monteiro
23 de Março – Tondela – ACERT
24 de Março – Braga – Theatro Circo
29 de Março – Coimbra – TAGV
Entrevista – Sofia Teixeira | Blog BranMorrighan
Fotografia – Rita Lino | The Legendary Tigerman

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TRICKY NA PENUMBRA ENÉRGICA DA SENSUALIDADE, POR MUSICAEMDX

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A sala de espetáculos escolhida foi tão perfeita como o tempo tempestuoso que se fez sentir durante a noite da passada 3ª feira. A penumbra underground da Lisboa ao Vivo encaixou que nem uma luva na performance do britânico Tricky e dos seus músicos. A chuva intensa também.
Quase vinte minutos depois da hora agendada, o corpo esguio e seco de Adrian Thaws entrou em palco envolto numa nuvem de fumo. Timidez dissipada em camadas de vidas, tatuadas num corpo enérgico e genuinamente expressivo. Deambulou com precisão a direito, de perfil para um público que em noite de tempestade compactou com mais de hora e meia de transcendência sonora. “I´m not going” logo no segundo tema, surge na voz (e presença) angelical de Martha, uma espécie de antídoto ao negro crú do cenário. A voz feminina que acompanhou todos os temas recolhia-se na lateral, quando o palco era exclusivo do grandioso Tricky.
20180227 - Tricky @ Lisboa Ao Vivo
Destorção limpa ressonante no sítio certo, que nos fez desprender aos poucos do solo. Precisão milimétrica na entrada das vozes gravadas, numa sobreposição dos dois microfones que o acompanharam a maioria dos temas. A bateria respondia aos seus pedidos de descida ou subida de tom, como um maestro que sabe exatamente qual o momento certo para fazer a magia acontecer.
Saída momentânea de palco depois de empurrar (com ligeireza) o técnico que apressadamente desenrolava o fio do microfone. Trickyregressou com um copo na mão e acendeu mais um cigarro que o envolveu numa silhueta perfeita. Gestos que se fundiam nos sons de hélices a rasgar o nevoeiro da sala, numa sensualidade arrepiante. As mãos agitavam-se ao alto com rapidez, como que a expurgar os ódios sofridos a um Deus que esteve ausente na sua estória. O enrolar da camisola, num gesto de menino perdido nas ruas de Bristol que se fundia numa expressão de rebeldia potenciada pelos excessos.
20180227 - Tricky @ Lisboa Ao Vivo
Alinhamento direcionado numa discografia cronologicamente cuidada que, pela reação do público, foi do agrado de todos. Nothing Change (False Idols, 2013), Wonder Woman (Adrian Thaws, 2014), Dark Days (ununiform, 2017), Overcome (Maxinquaye, 1995), foram alguns dos temas que nos deixaram rendidos à genialidade do músico. Cumplicidade com o baterista já quase a terminar o concerto, colocou-se a seu lado e apresentou-o. Seguiu as apresentações dos restantes músicos.
Tricky mostrou que é coerente com o seu registo e que não está para fazer fretes, seja aos críticos, às editoras ou aos seus pares. Singular e autêntico na excentricidade e no inconformismo. O ecletismo sonoro fazem de cada canção composições únicas que se perpetuam no tempo. Tricky esteve inteiro em palco e entregou-se a cada uma das músicas com uma intensidade contagiante. Para quem ainda tinha dúvidas sobre as capacidades artísticas do percursor do trip-hop, certamente que nesta noite deixou de as ter. Tricky continua um performer envolvente, com uma presença arrojada e a transbordar de sensualidade enérgica.

 
Texto – Carla Sancho
Fotografia – Luis Sousa
 
 
 

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MINI FÉRIAS EM MADRID, PRETEXTO PARA TESTAR UMA POSSÍVEL AQUISIÇÃO MIRRORLESS, pelo et(h)eriano Luis Sousa

Coincidiram os factos ir até Madrid para umas mini-férias para matar saudades de compadres lusos e a Colorfoto/Fujifilm.pt emprestar-me a Fuji X-T20 (em estudo para possível aquisição destinada a fotografia de concerto) para testar como se comporta esta pequena maravilha em fotografia de viagem.
As 380gr que pesa não enganam, é talvez uma das máquinas fotográficas mais portáteis que já experimentei até hoje, que a juntar à 35mm f2, torna-se o par perfeito candidato a que nos esqueçamos que o levamos ao pescoço.
Das poucas voltas que dei pela “baixa” da cidade, registei algumas fotitas, em modo automático, para ver como se comportaria também desta forma em diferentes condições de luz (sol + sombra parece-me sempre o desafio mais engraçado). Bom, cá ficam alguns exemplos para registo. Apenas alguns crops, reenquadramentos, e qse nada de resto de edição precisamente para mostrar o quão nice é a máquina 🙂
Não posso deixar acabar este post sem um agradecimento enorme à Anabela Carvalho (Colorfoto), e à Fujifilm.pt, pela forma inexcedível como fizeram tudo por tudo para que a X-T20 chegasse às minhas mãos.
A prioridade sempre foi testar em concerto (para o Música em DX, está em https://www.musicaemdx.pt/2017/12/01/slow-possible-no-sabotage-club-reportagem-fotografica/), é para este fim que a estou a testar bem como a X-T2 (outro post, outro mundo, outro tudo), mas, aproveitando o facto de ir a Madrid onde supostamente iria também fotografar concerto – acabou por não se concretizar – não poderia deixar de testar esta pequena maravilha “de bolso” fotografando na rua.
Podem ficar com mais info sobre a Fuji X-T20, e quem sabe decidirem-se pela aquisição desta, ou similar, a Fuji está em campanha de reembolso, e por isto é aproveitar.
Como sempre, comentem, bem ou mal, mas comentem!
Abreijos!
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THE GIFT, RECONCILIAÇÃO NO ALTAR DO COLISEU DOS RECREIOS, reportagem em musicaemdx.pt

Reportagem do site www.musicaemdx.pt, gentilmente autorizado.

 
Os The Gift não são estranhos nas nossas vidas. Quando em 1998 apareceram com Vynil considerámos este momento como uma lufada de ar fresco, a esperança que nesses já distantes anos 90 a música portuguesa poderia também passar por registos idênticos aqueles que nos acompanhavam durante a adolescência provenientes de outras bandas estrangeiras.
A música alternativa e independente não tinha naquela altura grande expressão no mercado, ou era de difícil acesso – a liberalização da internet no nosso país dava os primeiros passos, e plataformas como o Audiogalaxy vagamente conheciam as nossas bandas. Foi aqui que nos tornámos fãs desta na altura desconhecida banda de Alcobaça. Poucos anos mais tarde, em 2001, aparecia Film, o segundo álbum da banda, e aqui era a certeza do que procurávamos há tanto tempo. AM-FM em 2004 confirmava os The Gift como uma certeza em Portugal que afinal a banda já não era “só nossa”. Desde então, confessamos, desligámos-nos da banda. Não julgamos percursos tomados por ninguém, mas o seu caminho deixou de nos cativar.
Como em tudo o resto, também na música a vida é cheia de surpresas, ocasiões, e quase que como acidentalmente nos cruzámos com os The Gift na edição de 2017 do Festival Super Bock Super Rock. Num dia dedicado ao hip-pop onde Slow J tinha sido Rei, também o “encaixe” da banda no cartaz deste dia pareceu acidental, que acabou por resultar numa frustrante confirmação de que o percurso de The Gift nos continuava a fazer confusão. Na altura escrevíamos “Se vertermos num receptáculo os seguintes ingredientes: um, palco desproporcional à banda; dois, apresentação de músicas ainda pouco conhecidas do novo álbum; e três, uma sonoridade que pouco tem que ver com aquele dia, o resultado final nunca poderá ser satisfatório. Tecnicamente pouquíssimo haverá a apontar à banda, que ofereceu um espectáculo competente, mas face às circunstancias nem toda a experiência e suor de Sónia Tavares fizeram milagres.”, o que na prática correspondia à imagem que tínhamos da banda. Competente, profissionalíssima, com um percurso respeitável de 23 anos de carreira, mas, onde algo não nos continuava a fazer sentido.
Todas as relações “complicadas” têm os seus momentos de reconciliação, ou tentativa de, e quando nos decidimos cruzar de novo com a banda tínhamos em mente de que esta seria a oportunidade do “agora ou nunca”, do “live or let die”. Por um lado, perceber se “Altar” teria atingido o ponto ótimo de maturidade depois de uma frustrante tentativa no verão passado, por outro, se os The Gift mantinham connosco alguma chama que se pudesse reacender. Em conversa antecipada a este concerto, a banda confessava-nos em entrevista que este dia seria, mais do que uma apresentação de Altar, “23 anos de música alinhada da maneira que melhor servir os espetáculos”. Estava dado o mote para uma oportunidade final, para quem eventualmente pudesse reatar uma relação já duradoura.
20180303 - The Gift Apresentam "Altar" @ Coliseu dos Recreios
Assim fomos ontem, de mente aberta para receber o que os The Gift nos teriam para dar, para o Coliseu dos Recreios em Lisboasabendo que a noite anterior no Porto tinha sido um verdadeiro sucesso.  Assim que entrámos no Coliseu percebemos que poderia ser especial, o público enchia a sala e estava com a banda. Tinha tudo para não ser mais uma noite como a de 14 de Julho 2017. Era uma noite The Gift, com os seus fãs, os mais recentes, e os dos primórdios como nós. Afinal íamos ouvir não só um “Altar” já amadurecido de 1 ano de concertos, mas também reviver toda a história da banda desde o primeiro álbum em que muitos “achavam que a vocalista era um homem” – confissões de Sónia Tavares entre músicas de ontem.
Como primeira parte, a banda convidou IAN, cantautora e violinista russa (primeira violinista da Orquestra Sinfónica do Porto), radicada em Portugal e na cidade do Porto  há vários anos, naquela que foi a sua estreia a solo neste par de concertos no Porto e Lisboa. Numa prestação curta que durou cerca de 20 minutos, deixou-nos o interesse para ver e ouvir mais no futuro próximo.

Terminado o concerto de IAN, inicia-se de imediato em palco um temporizador decrescente de 15 minutos. Seria o tempo necessário para nos prepararmos para os The Gift.
20180303 - The Gift Apresentam "Altar" @ Coliseu dos Recreios
Terminada a curta pausa, o concerto da noite começa por volta das 22h15 com um vídeo de várias frames de filmes e séries de referência nas nossas vidas dos últimos 23 anos, onde não faltaram os The Simpsons, onde todos mencionavam a frase “The Gift”. Estava dado o mote para o inicio.
Mal sabíamos nós que “Lost And Found” era o inicio de uma noite especial. Num alinhamento diferente do concerto do Porto, a noite continuou de imediato com mais temas de “Altar” como “Vitral” ou “Big Fish”, altura em que Sónia Tavares informa o público que o concerto está a ser gravado e lhes pede toda a força para que as suas vozes se oiçam também na gravação. Era a altura dos fotógrafos deixarem o fosso, e entregassem a banda de corpo e alma ao Coliseu. Mais temas do novo álbum se seguiam com “Malifest”, começando depois o desfile pela história com “Doctor” e “Race Is Long” em que Nuno Gonçalves se engana no arranque e Sónia, aproveitando a pausa, confessa ao público ser a sua preferida do álbum “Explode”. “Guess Why” (AM-FM), “Song For A Blue Heart” (Film), “Primavera” (Primavera) ou “OK, Do You Want Something Simple” (Vynil) para regressar a “Altar” e a “Love Without Violins” (com Brian Eno) ou “Clinic Hope”, foi a forma de recordar 23 anos de carreira que já ninguém lhes tira.
20180303 - The Gift Apresentam "Altar" @ Coliseu dos Recreios
Carreira sólida e consistente que, apesar de não agradar a muitos que se transformaram em haters da banda, é honestamente de admirar. Não são muitos os exemplos de bandas portuguesas que conseguiram sobreviver aos sinais dos tempos sem interrupções e reedições de álbuns anteriores de sucesso, e só por isto é de assinalar.
A banda sai de palco sem avisar, e regressa para um primeiro encore com “You Will Be My Queen” (Altar). A banda despede-se mas, o público já rendido há muito, exige que se regresse para um segundo encore com “Fácil de Entender” (Fácil de Entender) a dois no palco (Sónia Tavares e Nuno Gonçalves).
20180303 - The Gift Apresentam "Altar" @ Coliseu dos Recreios
“Question Of Love” (Fácil de Entender) fechava uma grande noite de reconciliação para muitos, nós incluídos, com estes The Gift que merecem a maior salva de palmas que tiveram direito já perto da meia noite e meia lisboeta.

Texto – Carla Santos
Fotografia – Luis Sousa

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Judas Priest

Texto retirado do site e gentilmente cedido por,

www.musicaemdx.pt
Escrito por António Moura Santos

Quando nos dedicamos à árdua tarefa de tentar gizar uma cronologia de como é que esta coisa do Metal começou e se desenvolveu, há sempre uma série de referências que vêm à baila: desde o Blues Rock tosco dos Blue Cheer às seances macabras de Arthur Brown, do Hard Rock musculado dos Deep Purplee dos Led Zeppelin às experiências com distorção de Link Wray ou mesmo dos The Kinks, dos Beatles ou dos The Who. Nenhuma delas, todavia, rivaliza com a forma com que os Black Sabbath escancararam as portas do Inferno e registaram em áudio a substância de tudo o que é negro e vil. Como Roma, o quarteto de Birmingham é onde todas as conversas vão dar neste tipo de discussões, mas focarmo-nos somente em Iommi e companhia é limitativo, especialmente se deixarmos os seus vizinhos Judas Priest fora da discussão: É que se os primeiros desencantaram a essência de que o Metal se faz, os segundos foram os alquimistas que a refinaram e ajudaram a tornar naquilo que veio a ser, e Stained Class é o seu mais importante pergaminho.

Lançado em 1978, Stained Class chegou numa altura quando futuros gigantes do género como os Iron Maiden e os Saxonainda estavam a lançar demos, a New Wave Of British Heavy Metal a dar os primeiros passos, os Motörhead apenas com o álbum de estreia nos escaparates e a fase Ozzy dos Black Sabbath a entrar em fim de ciclo com o ironicamente intitulado Never Say Die!. Já com três álbuns debaixo do braço – e dois deles, Sad Wings of Destiny e Sin After Sin, clássicos por direito próprio – os Judas Priest aproximavam-se dos 80’s numa fase de maturação apenas rivalizada por alguns dos seus conterrâneos, como os Rainbowou os já mencionados Deep Purple e Led Zeppelin. Só que, ao contrário destes três, e não obstante a sua importância, o quinteto liderado por Rob Halford havia de ser o verdadeiro responsável por colocar em cerca de 44 minutos o diagrama para como se fazer Heavy Metal e que, passe algumas marcas da idade, continua a reter toda a sua actualidade relativamente ao que se escreve hoje em dia, 40 anos volvidos.

São vários os ventos de mudança a perfumar este disco: desde o novo logótipo, substituindo o antigo em Blackletter pelo de cariz mais metalizado que até hoje perdura ou a capa algo psicadélica/avantgarde, até à entrada de Les Binks, baterista que apenas estaria de passagem na banda mas que aqui assina uma clínica de técnica e criatividade que apenas seria rivalizada por Scott Travis, 12 anos depois. No entanto, a beleza de Stained Class assenta no facto de ser simultaneamente uma continuação lógica e uma pedrada no charco para os Judas Priest, uma ruptura sem romper, assumindo-se com um álbum de transição que não tropeça nem sente as dores de crescimento que este tipo de LP’s costumam denotar. Nada aqui surge em contradição aos seus predecessores, mas, ao aguçar a composição e filtrar as influências Blues que os acompanhavam desde os tempos de estreia com Rocka Rolla, os cinco elementos da banda, que pela primeira vez assinaram todos eles contribuições, escreveram o seu disco mais focado e polido até à data.

Por um lado, Stained Class não soa datado, porque este tipo de produção de cunho analógico mais quente e redondo envelhece bem, mas soa a um álbum de Metal produzido nos anos 70, ou seja, sem o carácter acutilante e glossy de edições futuras. Por outro, é na escrita que, apesar ainda manterem uma costela Rock, esta obra abriria as portas a uma revolução para a banda – mesmo contando Beyond the Realms of Death como uma balada, este é o seu primeiro álbum onde as influências Folk que permeiam temas anteriores como como Dreamer Deceiver ou Last Rose of Summer estão ausentes, não querendo isso dizer que Stained Class não respire. É, contudo, com a entrada fulgurante de Exciter que começa, tour de force olímpico e declaração de intenções que suplanta a anterior Sinner como referência para os temas de abertura que a banda escreveria a partir de então. Sem voltar a igualar a intensidade dessa canção, o restante álbum segue a batuta de intercalar riffs memoráveis, técnicos q.b. sem sacrificar imediatismo, com dinâmicas inteligentes entre a profusão instrumental e a estrutura pop eficaz – nisso, este linkexplica bem porque é que Saints in Hell é o arquétipo da música de Metal perfeita.

Não é que os Judas Priest não tivessem já demonstrado agressividade ou nunca tivessem escrito épicos, mas é aqui onde toda a experiência acumulada se manifesta numa prestação consistente, sem filler. De resto, escolher grandes momentos do álbum é jogar com dados viciados, ganha-se sempre. A passada demolidora de Savage, o trabalho entrecruzado de guitarras nos solos da faixa-título, a postura que num ápice passa de confiante para ameaçadora na mudança verso-refrão de White Heat, Red Hot, o ritmo estilo-motorik-em-esteróides de Invader – que soa aos Hawkwind se estes fumassem menos ganzas e passassem mais tempo no bar – ou a ginga num dos melhores riffs de todo o álbum em Heroes End. Tudo isto rematado pela voz de Rob Halford, qual calda de açúcar sobre pastelaria fina, expressiva e tecnicamente exemplar dos momentos mais graves aos mais agudos em falsetto e que atinge o apogeu em Beyond the Realms of Death, possivelmente a melhor prestação da sua carreira.

Este tema merece um parágrafo à parte porque está, a par de Victim of Changes, como uma das melhores, senão mesmo a melhor, canções que os Judas Priest compuseram. Se a primeira é um lamento por uma relação de amor que sucumbe ao álcool, Beyond the Realms of Death troca o miserabilismo Blues por uma postura mais clássica, de inspiração quase helénica, na jornada de um homem ao Hades da depressão e da morte em sofrimento. Os seus quase 7 minutos carregam uma toada elegantemente lúgubre coroada com o solo dual de K.K. Downing e Glenn Tipton e os gritos de banshee de Halford. Curiosamente, este e o momento menos “metaleiro” do álbum, a funky Better by You, Better than Me (cover do original dos Spooky Tooth), ambos partilham a responsabilidade de ter colocado a banda no centro de uma controvérsia por suspeitas de conter mensagens subliminares de incentivo ao suicídio que, supostamente, levaram dois jovens a tentar acabar com a vida em 1990 (um deles com ou sem sucesso, dependendo da perspectiva). A banda foi levada a tribunal pelos pais das vítimas e foi ilibada, claro, porque aquilo que um grupo musical quer mesmo é acabar com a sua base de fãs.

Já que se fala de letras, e como foi previamente mencionado, este é o último álbum de uma era para os Judas Priest, mas não só em termos sonoros. Lançado antes da auto-mitificação reivindicadora do seu estatuto de deuses do Metal, Stained Class tem uma abordagem lírica bastante mais cerebral. Isso manifesta-se na abordagem de tópicos como o colonialismo (Savage), o preço da fama no mundo da música (Heroes End), a escolha da morte sobre a vida (Beyond the Realms of Death) ou a corruptibilidade do Homem (Stained Class). Contudo, a lógica escapista e divertida de que se faz o Heavy Metal não naufragou num mar de seriedade, havendo também lutas de anjos vingadores (Saints in Hell), visitas alienígenas (Invader) ou histórias espectaculares de personagens sci-fi (Exciter), com esta última a continuar uma espécie de padrão já encetado em Starbreaker e que a banda replicaria doravante em The Sentinel, Electric Eye ou Painkiller.

Daí em diante, os Judas Priest cobrir-se-iam de tachas e cabedalpara Killing Machine, lançado ainda no mesmo ano, que assumiria uma viragem estilística que se estabeleceu em pleno com British Steel, de 1980. Esse foi o início de uma década de sucessos de vendas, estádios cheios e singles com boa rotação das rádios, pautada pela inconsistência entre bons álbuns e algumas tentativas mais ou menos óbvias de aceitação comercial (de fraca qualidade, regra geral, mas com uns quantos malhões). Este percurso culminou em Painkiller, ode ao excesso de riffs e solos orgásticos que viu os Judas Priest puxar pela intensidade de tal forma que causou uma implosão na banda e levou Rob Halford à saída, encerrando um ciclo. Esse LP de 1990 pode ter sido aquele que os cimentou como A banda de Metal (no sentido estereotípico do termo), mas foi com Stained Class que os rapazes de Birmingham atingiram toda a sua maturidade. Quarenta anos depois, é daqueles que soa cada vez melhor com a idade e de audição obrigatória para toda a gente que queira, pelo menos, perceber com é que esta coisa que amamos chamada Heavy Metal se formou.

Texto muito, muito levemente adaptado de um artigo publicado pelo mesmo autor a 2 de Fevereiro de 2012 no Espalha-Factos. O autor insta mesmo o/a leitor(a) a comparar os dois e dar-lhe o seu feedback, para perceber se em 6 anos aprendeu alguma coisa ou ficou na mesma.

Texto – António Moura dos Santos
Fotografia – Judas Priest