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Perdidos no Espaço

Recentemente terminei de ver a primeira temporada da série “Lost in Space” (Perdidos no Espaço) que está a ser transmitida na Netflix portuguesa.
Trata-se do “remake” de um original de 1965 e que também teve uma adaptação em 2004.
Nesta história de 2018 que se passa daqui a 30 anos, a humanidade está pronta para colonizar novos planetas. Assim sendo, lança uma nave que contém, entre outros, famílias escolhidas para dar início a uma nova e melhor(?) sociedade. Deste grupo, destaca-se a família “Robinson” que são as pessoas centrais desta aventura espacial.
Durante esta viagem, algo corre mal e há um desvio na rota traçada. Vários veículos, cada um com uma familia, separam-se da “nave-mãe” e rapidamente os Robinsons lutam pela sobrevivência enquanto se dirigem para um planeta desconhecido.
Ao aterrarem num terreno com clima inóspito, mas habitável, terão de tentar compreender o que os rodeia, onde estão, quem mais terá terá conseguido chegar e mais importante… o que aconteceu?
Depressa irão descobrir que não estão sozinhos e que vão ter que lutar muito para superarem obstáculos complicados.
Como se isso não bastasse, ainda iremos conhecer uma tal de “Dra Smith” que irá dificultar muito a vida aos nossos heróis e um poderoso robot que irá ser um precioso aliado e protector do mais jovem elemento dos Robinsons.
Uma série repleta de acção, aventura, mistério e muito ritmo mas com uma história bem elaborada e consistente. Cada episódio tem a sua dose q.b. de “stress” para os personagens principais e haverá alguns “flashbacks” para entendermos melhor determinadas situações.
A não perder, não só por fãs de ficção científica, mas por quem aprecia uma boa história de aventura
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Umas luzes sobre tradução e revisão, pelo et(h)eriano Rui Azeredo

 
Dado que a minha formação profissional foi outra, jornalismo, até poderia não ser a pessoa mais indicada para estar a dar aqui umas luzes sobre o que é a tradução e também a revisão literária. No entanto, já levo uns anos de experiência, com umas boas dezenas de traduções e revisões na «mala», e, por isso, acho que podem ficar minimamente descansados.
Para quem não sabe, ou nunca pensou, como funciona o processo de tradução de uma obra literária, aqui ficam então algumas luzes; da revisão «falarei» mais à frente neste texto, dado que se trata de uma fase posterior no processo de elaboração de um livro.
Uma editora por norma tem uma carteira de tradutores (trabalhadores independentes) com quem trabalha habitualmente e a quem encomenda as suas traduções. Para isso, pode ter em conta, quando possível, o facto de o tradutor já conhecer a obra do escritor em causa (pode ter trabalhado outros livros do autor), por já haver uma útil familiaridade, ou de estar habituado ao género literário do livro em causa. Havendo disponibilidade e interesse da parte do tradutor, é-lhe enviado o original. Hoje em dia, este original, por norma, é em PDF, sendo cada vez mais raro haver traduções feitas a partir de livros em papel – nem queiram saber o estado em que por norma ficam esses livros, às vezes até com blocos de páginas arrancados para serem mais fáceis de manusear. E, então, o tradutor começa a trabalhar no Word(ou outro processador de texto), por norma pressionado por um prazo apertado.
Um tradutor deve ter sempre em conta a «casa» para quem trabalha, pois entre as editoras há sempre pequenas «divergências» em termos de estilo. Por exemplo, que tipos de aspas usar, deve seguir o artigo antes do nome nos diálogos (ou até na própria narrativa, especialmente nas obras para públicos mais jovens), respeitar ou não o novo acordo ortográfico, os nomes das personagens devem ser traduzidos, 8thAvenue ou Oitava avenida ou 8.ª Avenida, etc.
Depois, há situações e dúvidas com que nos vamos deparando a cada passo e que às vezes é preciso resolver na hora. Aí, sigo a regra que me ensinaram no dia em que comecei a trabalhar nesta área: «Rui, usa o bom senso.» É uma boa regra para se fugir ao aperto do formalismo que tende a afetar quem teve formação na própria área da tradução. Eu, enquanto tradutor, perdi muito (nem sei bem quanto) por não ter estudado na área, mas ganhei alguma liberdade para tornar as «coisas» menos formais, o que em certos casos é vantajoso. A falta de formação específica também me permite nunca tomar nada por garantido, o que me leva a fazer inúmeras consultas antes de me decidir. Nem imaginam quantas vezes eu estava errado em relação a algo.
Um dos maiores tropeções que um tradutor pode dar é traduzir à letra algo que tem outro sentido subjacente. Traduzido à letra até pode fazer sentido, mas perde-se o requinte da ideia original do escritor, com prejuízo para o próprio mas, principalmente, para o leitor. Uma frase, ou ideia, vulgar pode afinal ser uma preciosidade, que não deve permanecer oculta.
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As «outras» línguas
O mais comum é traduzir do inglês para português, seguido pelo castelhano e pelo francês, mas também se faz, naturalmente, a partir de outras línguas menos comuns em Portugal, como o árabe, o hebraico, o polaco, o sueco, etc. A dificuldade, aqui, reside em encontrar quem tenha conhecimentos para traduzir essa língua para português. Há uma alternativa, na qual os leitores mais atentos já poderão ter reparado por vir referida na ficha técnica de um livro: «Traduzido a partir da edição inglesa/francesa/espanhola por…» Não é a solução ideal (uma tradução de uma tradução perde sempre algo pelo caminho), mas por vezes pode ser o próprio escritor a recomendar uma tradução por ser aquela que no seu entender mais respeita o original.
Outra dúvida que poderá afetar os leitores é saber como é possível uma obra em língua estrangeira ter edição simultânea em Portugal e no seu país de origem. É o caso, por norma, dos livros de Dan Brown. Na verdade, é simples de explicar e de perceber. A obra é entregue antecipadamente ao editor que, quando o tempo escasseia, a distribui por vários tradutores em simultâneo. Cada um trabalha a sua parcela de livro, que depois serão reunidas, idealmente supervisionados por uma única pessoa, para tratar da uniformização de estilo e linguagem. Por norma, os envolvidos neste tipo de trabalho assinam um acordo de confidencialidade, para evitar que algo transpire antes do tempo para o exterior.
 
O melhor amigo dos tradutores
O revisor, papel muitas vezes ignorado que com frequência nem sequer é referido na ficha técnica, é o melhor amigo do tradutor. É o revisor que aperfeiçoa o texto, apanha as gralhas, descola o texto do original (está mais distante e tem mais facilidade em fazê-lo), corrige erros e interpretações mal feitas. A verdade é que quando um leitor lê um livro e aprecia a tradução não consegue perceber até que ponto foi a intervenção do revisor. Por exemplo, sei de um caso ocorrido há uns anos de uma tradução premiada que, na verdade, não era mais do que mediana. A revisão sim, fora excelente, mas o mérito foi todo para a tradutora. Para a revisora? Nem um agradecimento.
O ideal (possível e viável) é fazer duas revisões à tradução, podendo uma ser feita ainda em Worde outra já em papel, ou PDF, e paginado. Há quem defenda que deverá ser a mesma pessoa a fazer as duas, para limar o que deixou escapar na primeira (há sempre algo que escapa), mas também há quem opte por revisores diferentes para que, com outros olhos, um veja o que escapou ao primeiro. Ao contrário do que acontece com as traduções, há editoras que fazem as revisões internamente, socorrendo-se apenas ocasionalmente de revisores externos. Depende muito do fluxo de trabalho com que se deparem na altura.
Agora, sempre que ler um livro traduzido, já vai saber parte daquilo por que ele passou antes de lhe chegar às mãos.
 

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Isabel Rio Novo em conversa exclusiva com o Et(h)er…a escolha para o dia do Livro.

Hoje o Et(h)er fala com Isabel Rio Novo.
No dia do Livro, nada como conversarmos um pouco com uma das grandes promessas da literatura portuguesa.
Nasceu no Porto, decorria o ano de 1972.
Doutorou-se em Literatura comparada, e é docente em Escrita Criativa e outras áreas da literatura e cinema.
Publicou a novela O Diabo Tranquilo, em colaboração com o poeta Daniel Maia-Pinto Rodrigues. Em 2005, o seu romance A Caridadeé distinguido pelo Prémio Literário Manuel Teixeira Gomes.
Mas é como finalista, por duas vezes, que Isabel Rio Novo nos trouxe os seus dois últimos livros. Rio do Esquecimentoe A Febre das Almas Sensíveis, o seu último.
E sendo o dia do Livro, acho que tem de ser do ponto de vista do escritor, e da sua criação que vamos começar a conversa,
Et(h)er – Quando começaste a escrever as primeiras folhas em branco, percebeste desde logo que era este o caminho que desejavas?
Isabel Rio Novo – Sim. Comecei a ler muito cedo, graças às circunstâncias (não tinha irmãos, mas vivia rodeada de livros e tive uma tia-bisavó disponível para me ensinar). Ao mergulhar no mundo dos livros, depressa percebi que queria escrever, queria para mim essa forma de me relacionar com o mundo.
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E. – Quais as diferenças entre a Isabel Rio Novo escritora e a Isabel Rio Novo que leciona Escrita Criativa?
IRN – Espero que sejam poucas. Nas sessões (prefiro isso a chamar-lhes aulas) de Escrita Criativa que oriento (e não leciono), procuro colocar-me ao nível dos outros participantes no grupo. Sou apenas, em princípio, alguém com mais leituras, mais vida, mais experiência de escrita e mais habituada a praticar um certo distanciamento crítico em relação ao que escrevo. E também mais habituada a “publicar”, no sentido mais amplo do termo, isto é, a submeter à apreciação dos outros aquilo que escrevo.
 
E. – Tens uma perspetiva muito ampla quanto ao ato da escrita no seu todo. Como achas que uma pessoa sente que se descobre como escritor, com vontade e engenho para construir histórias?
IRN – Suponho que esse processo de descoberta varie muito de pessoa para pessoa. Alguns escritores reconhecem desde muito cedo a sua vocação. Outros descobrem-na mais tarde. Alguns tentam resistir-lhe. Outros, pelo contrário, perseguem-na com afinco. Um descobrem a vontade, mas, até o engenho estar amadurecido, têm de trabalhar muito… Enfim.
 
E – Quando começas cada livro, tens já a história toda concebida e deixas correr as palavras, ou tens uma conceção inicial e depois tudo é uma descoberta?
IRN – Tenho normalmente uma boa ideia geral da história, de como ela acaba e começa. Ah, e o título. Só quando chego ao título definitivo estou verdadeiramente a escrever. Aí, sei que o livro acabado é uma questão de trabalho e de tempo.
 
E – Tens uma obra muito rica. O que procuras provocar no leitor com a tua obra?
IRN – Trazê-lo a visitar o meu mundo. Emocioná-lo. Levá-lo a viajar e apresentar-lhe os meus «amigos à distância». Creio que tenho a capacidade de encontrar a brecha por onde a imaginação consegue iludir as circunstâncias do presente para chegar a uma época outra, não a que foi, naturalmente, mas a que construo na ficção. Um exercício de fantasia, até porque o fantástico é outro dos meus apelos, mas onde também entra pesquisa e trabalho.
 
E – No teu último livro recuperas uma fase muito conturbada e doente da História de Portugal no século passado, e contas uma historia à volta da tuberculose. O que pretendeste transmitir com esta relação emocional entre doença-amor-passado-saudade? Se é que ela te faz sentido, claro.
IRN – Uma parte importante do enredo desenrola-se na década de 40, no Caramulo, na altura uma reputada estância sanatorial onde se internavam os doentes de tuberculose. Hoje, a maioria dos antigos sanatórios está em ruínas. No livro, há uma rapariga que visita essas ruínas, recolhe despojos, sobretudo papéis, e que se interessa pelo tema porque está a preparar uma tese sobre escritores oitocentistas vítimas da tuberculose, a tal febre das almas sensíveis. O livro também dá conta deles. Eu não tive tanta sorte como ela, não encontrei tesouros nos escombros, mas foi durante uma visita ao Caramulo com o Paulo, em agosto de 2016, e graças às impressões fortes que o local exerceu em mim que resolvi, definitivamente, escrever o romance. Por isso, sim; se quiseres, todo o romance gira em torno de emoções.
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E – Como escritora, alguma vez te sentiste envolvida (de que forma for) com alguma personagem? Achas que os escritores por vezes se podem envolver em demasia no mundo da sua própria imaginação?
IRN – Sinto-me constantemente envolvida com as minhas personagens, mas julgo que nunca em demasia.
 
E – Uma pergunta que os leitores adoram sempre ver respondida… a inspiração. Onde anda a tua?
IRN – Anda por todo o lado. Muitas vezes basta uma palavra descoberta ao acaso numa página lida, uma ideia trocada com o Paulo, que também é escritor, um retrato, um papel antigo… Às vezes há uma ideia vaga que se vai instalando, se vai definindo, até que o gesto da escrita se torna inevitável. É verdade que pesquiso, leio, estudo, mas o clique inicial é um pouco misterioso.
 
E – E como leitora, o que esperas de um livro?
IRN – Que seja um livro que eu gostaria de ter escrito. Um livro que me transporte numa viagem emocional. Onde eu encontre uma personagem de quem gostaria de ser amiga. Onde haja frases que correspondam ao que eu sempre quis dizer, mas nunca consegui dizer tão bem. Que me arrebate nem que seja pela beleza da linguagem. Enfim, tenho um conceito abrangente do que é “um bom livro”, que me torna interessada por muitos autores, géneros, estilos e correntes.
 
E – Para onde vai esta Isabel Rio Novo?
IRN – Muito provavelmente, vai regressar ao seu cantinho-escritório, abrir o computador e repegar na escrita do livro que tem em mãos. Ou seja, vai continuar a trabalhar.
 
E – Para terminar tenho estes dois desafios para ti.

  • Tens neste momento um jovem em busca do sucesso, achando que escreve umas coisas, e deseja de “morte” aprender a ser escritor. O que lhe dirias?

IRN – Que não se apresse a publicar. Que viva. Que escreva sempre. Que leia muito. Sobretudo, isso. Que leia muito, que experimente coisas novas, diferentes. Depois, ao publicar, dir-lhe-ia que é fundamental aprender a ser lido. Saber escutar as críticas, mesmo as que lhe pareçam absurdas, sem se sentir tentado a responder com azedume, mas sem se desviar das suas convicções.
 

  • Nomeio-te a diretora da livraria do Et(h)er. Tens uma encomenda para fazer para o verão que se aproxima. Que livros queres encomendar como imprescindíveis?

IRN – A grande tentação seria encomendar uns quantos livros entre os que ainda não li, só para ter a oportunidade de o fazer… Mas, enfim, quando a minha consciência de livreira viesse ao de cima, encomendaria a obra completa de Machado de Assis e de Agustina Bessa-Luís, porque são bem maiores do que qualquer verão.
 


 
Grato Isabel. Muitos sucessos e o Et(h)er aguarda as novidades de Isabel Rio Novo.

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Heróis do Ar, por Jaime Oliveira Martins. Entrevista exclusiva.

Jaime Oliveira Martins acabou de lançar o seu terceiro livro, “Heróis do Ar”, pela Cultura Editora.
Uma obra que vem fechar uma trilogia que começou com “Fontes de Guerra, Fontes de Paz” e que pelo meio surgiu “Mar Liberal”.
Após as apresentações de Leiria, sua terra, Moimenta da Beira, Lisboa e Porto, chegou a vez de Coimbra.
O Et(h)er esteve lá e assistiu a uma casa cheia de amigos, leitores e curiosos que entravam e saíam no auditório da Fnac.
A apresentação ficou a cargo do Tenente-Coronel Piloto-Aviador Monteiro da Silva, que começou por referir que após dois livros em que Jaime Martins atravessou a guerra por terra e mar, faltava o ar. “O ar aparece por ultimo, mas a aviação é a mais importante…”.
O ar que envolve conflitos presentes e passados, e decidirá muitos futuros. Mas no ambiente onde Jaime decorre com a historia, a primeira grande guerra, os pilotos segundo este militar, tinham uma conduta de regras, de respeito e de uma ética consciente.
O grande exemplo era a Fraternidade, palavra tão badalada na génese da Republica Francesa. O Tenente-Coronel Monteiro da Silva chega mesmo a ler um pedaço do “Heróis do Ar”, onde o autor segue com precisão essa mesma conduta que prevalecia na altura entre os aviadores, mesmo que inimigos.
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Jaime Oliveira Martins concedeu uma pequena entrevista, em exclusivo, ao Et(h)er, sobre este novo livro,
 
Et(h)er – Fala-nos do que se trata este “Heróis do Ar”.
Jaime Oliveira Martins – O “Heróis do Ar” trata-se de um romance Histórico que nos fala da implantação da República e dos conturbados anos que se seguiram, aproveitando o mote de coincidir com os primórdios da aviação militar em Portugal. Mantendo o rigor histórico, personagens ficcionados interagem com personagens reais,  levando o leitor a levantar voo num Farman 40 em 1917, em Vila Nova da Rainha, e a aterrar em Monte Real num F16 em 2009. Pelo meio, vive as marcas da guerra, os encontros, desencontros amores e paixões dos diversos protagonistas.
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E. – Na conversa que tivemos anteriormente (a), referiste que este livro fecha uma trilogia em que quiseste honrar heróis. Mas achas que os mesmos terminam neste livro?
JOM. – Não terminam neste, nem em nenhum livro, pois fazem parte da nossa memória colectiva.
 
E. – Que pesquisas fizeste para este livro?
JOM. – Muita bibliografia, fontes primárias e fontes secundárias. Algumas horas passadas em bibliotecas, museus e Arquivo Distrital de Leiria. Também julgo importante as visitas feitas aos locais, às trincheiras da Flandres, à procura das vivências e as experiências daqueles homens. Para tal, cheguei a efectuar um voo num avião bilugar com 66 anos, que foi o mais próximo da época que encontrei em condições de voar.
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E. – Na apresentação de Leiria, a primeira, tiveste o cuidado em oferecer um livro à primeira mulher a pilotar um F16. Queres explicar o porquê dessa tua iniciativa?
JOM. – Foi entregue um exemplar do livro ao Sr. Comandante da Base Aérea nº 5 em Monte Real, de que será fiel depositário, e se for o caso, entregará ao seu sucessor, e assim sucessivamente, até que este exemplar seja entregue à primeira mulher portuguesa a pilotar um F-16.
Espero que este gesto seja também um estímulo para todos os jovens, homens ou mulheres, para que procurem concretizar os seus sonhos, não se deixem dominar por preconceitos  e abracem os desafios de uma carreira que faz dos homens do ar seres únicos.
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E. – Neste livro onde está o Jaime Martins? Num avião, num herói, numa simples personagem?
JOM. – Em todo o lado, desde o pai que procura aconselhar um filho, ao filho que, embora respeitando o pai, segue o seu rumo, num nadador-salvador dos anos 80…
 
E. – Fazes neste livro uma homenagem aos combatentes da primeira grande guerra, mas também ao único português fuzilado em França, durante esse conflito. Sentes que dás um contributo ao exaltar desses homens que tanto deram de si em prol da Liberdade?
JOM. – Sem qualquer menosprezo pelos actos heróicos, que os houve, os heróis têm sido exaltados ao longo dos tempos. Preferi dar voz àqueles a quem a voz tem sido calada, vítimas das escolhas e opções de uma oficialidade que não tinha qualquer relutância em mandar os seus homens para a morte, ou mesmo executá-los a título de exemplo.
 
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E. – Como tem sido estes primeiros dias do “Heróis do ar”?
JOM. – Alucinantes, mas gratificantes com as salas das apresentações cheias, e com os primeiros retornos de leitores, muito estimulantes.
 
E. – Para onde gostavas que voasse este “Heróis do ar”?
JOM. – Gostava que este Heróis do Ar voasse dando um contributo para o melhor conhecimento da nossa História. Que os leitores de forma descontraída, agradável e emocionante, consolidem esse conhecimento, e sejam levados a reflectir. Gostava ainda que constituísse um estímulo aos jovens, para perseguirem os seus sonhos, e nunca desistirem de sonhar, dominados por estigmas, dogmas ou preconceitos.

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Grato Jaime, e ficamos à espera de mais livros e mais histórias.
Abraço