Categoriespart(í)culas li(t)erárias partículas de cinema

Ver um filme através de um livro, pelo Et(h)eriano Rui Azeredo

Sempre gostei de ler um livro e depois ver o respetivo filme, quando o há. Agrada-me comparar o que visualizei ao longo da leitura com a visualização formada pelo realizador e pela sua equipa. Quase nunca bate certo e eu fico invariavelmente a perder na comparação, mas é um exercício divertido. E, depois, há os raros momentos de glória que me levam a pensar: «Foi mesmo assim que eu imaginei a cena!»
Houve, no entanto, um caso em que ler o livro foi mesmo a minha única opção. E.T. – O Extraterrestre, de Steven Spielberg, estreou em Portugal em dezembro de 1982 numa altura em que, por motivos de saúde, fiquei uns meses acamado. Fascinado com filmes como Encontros Imediatos do 3.º Grau ou Os Salteadores da Arca Perdida, uma nova obra de Spielberg só por si já seria o suficiente para me deixar desesperado. Mas, com a agravante de abordar um tema que me era querido (ETs amigos) a ansiedade redobrou. Na primária até ganhei um prémio de BD com uma história de aliens que chegam em paz à Terra, mas diga-se que terá sido mais pelo argumento do que pelos desenhos.
ET1
Como à época os filmes demoravam o seu tempo a cruzar o Atlântico (E.T. estreou em junho de 1982 nos EUA), muito se foi escrevendo por cá sobre Elliot e o seu amigo de outro mundo. Li, recortei e guardei tudo o que pude e fui formando o filme na minha cabeça, sem saber se daí a uns meses ainda o apanharia nos cinemas. Depois, socorri-me da melhor ferramenta possível para conhecer a história do E.T. A adaptação literária do filme, editada na saudosa coleção de livros bolso da Europa-América dedicada à ficção científica. É o número 44, logo a seguir a Blade Runner e antes de Batalha no Espaço – Os Jovens Guerreiros, para quem não sabe, a Galáctica original. E li o livro, que sendo uma adaptação direta do filme era fiel ao mesmo. Socorrendo-me das fotos já conhecidas, montei o filme na minha mente. E li o livro outra vez, pois sobrava-me o tempo e faltava-me a sala de cinema.
O escritor norte-americano William Kotzwinkle, que hoje se dedica essencialmente à literatura infantil, sem ser publicado em Portugal, foi o meu herói da altura, o meu escritor preferido, pois deu-me a possibilidade de «ver» o filme que eu tanto queria ver e que não sabia se algum dia o veria – talvez num futuro distante num dos dois canais de televisão que havia à época. Em 1982 não tínhamos a garantia de um dia podermos ver um filme perdido, pois os videoclubes e as cassetes de vídeo eram à data algo ainda distante de um comum português. Até hoje, naturalmente, já vi o filme várias vezes em vídeo, e até na versão dobrada em português. Mas, na altura, isso era algo tão distante como assistir ao vivo a uma corrida de Fórmula 1 ou um dia vir a ser jornalista ou andar de avião.
Semanas a passar, formando meses, eu em casa, o E. T. ainda nas salas de cinema. Na época o tempo de vida de um filme nas salas era bem maior, mas se saísse de exibição a minha única esperança seria uma matinée de domingo na sociedade recreativa local, com uma fita gasta cheia de cortes devido ao uso constante. Foi assim, aliás, que vi pela primeira vez no cinema um filme de 007, no caso Moonraker – Aventura no Espaço, numa sala mal escurecida, em cadeiras duras, num piso sem inclinação e com excelente vista para as cabeças da frente, tudo envolto numa cortina de fumo de tabaco.
Mas não foi preciso chegar a esse ponto. Assim que regressei ao ativo, algo que tratei de fazer quase de imediato foi rumar ao agora encerrado cinema Berna, em Lisboa, sozinho, porque tinha a impressão de que eu seria a única pessoa que conhecia que ainda não tinha visto o filme.
E se valeu a pena! Ainda hoje E.T. é o filme da minha vida e, diga-se, era exatamente como eu o imaginara com o recurso ao livro, enriquecido pelos meus recortes. Por isso, nunca esquecerei E.T. – O Extraterrestre, de Kotzwinkle, um dos livros da minha vida. Não é, visto ao fim de todos estes anos, a pérola literária que me pareceu na inocência da adolescência, mas ajudou-me a imaginar algo que eu temia não poder alcançar, levou-me lá, e é para isso mesmo que serve um livro, ou não é?

Categoriespartículas das viagens partículas fotográficas

MINI FÉRIAS EM MADRID, PRETEXTO PARA TESTAR UMA POSSÍVEL AQUISIÇÃO MIRRORLESS, pelo et(h)eriano Luis Sousa

Coincidiram os factos ir até Madrid para umas mini-férias para matar saudades de compadres lusos e a Colorfoto/Fujifilm.pt emprestar-me a Fuji X-T20 (em estudo para possível aquisição destinada a fotografia de concerto) para testar como se comporta esta pequena maravilha em fotografia de viagem.
As 380gr que pesa não enganam, é talvez uma das máquinas fotográficas mais portáteis que já experimentei até hoje, que a juntar à 35mm f2, torna-se o par perfeito candidato a que nos esqueçamos que o levamos ao pescoço.
Das poucas voltas que dei pela “baixa” da cidade, registei algumas fotitas, em modo automático, para ver como se comportaria também desta forma em diferentes condições de luz (sol + sombra parece-me sempre o desafio mais engraçado). Bom, cá ficam alguns exemplos para registo. Apenas alguns crops, reenquadramentos, e qse nada de resto de edição precisamente para mostrar o quão nice é a máquina 🙂
Não posso deixar acabar este post sem um agradecimento enorme à Anabela Carvalho (Colorfoto), e à Fujifilm.pt, pela forma inexcedível como fizeram tudo por tudo para que a X-T20 chegasse às minhas mãos.
A prioridade sempre foi testar em concerto (para o Música em DX, está em https://www.musicaemdx.pt/2017/12/01/slow-possible-no-sabotage-club-reportagem-fotografica/), é para este fim que a estou a testar bem como a X-T2 (outro post, outro mundo, outro tudo), mas, aproveitando o facto de ir a Madrid onde supostamente iria também fotografar concerto – acabou por não se concretizar – não poderia deixar de testar esta pequena maravilha “de bolso” fotografando na rua.
Podem ficar com mais info sobre a Fuji X-T20, e quem sabe decidirem-se pela aquisição desta, ou similar, a Fuji está em campanha de reembolso, e por isto é aproveitar.
Como sempre, comentem, bem ou mal, mas comentem!
Abreijos!
Categoriespart(í)culas mu(s)icais

THE GIFT, RECONCILIAÇÃO NO ALTAR DO COLISEU DOS RECREIOS, reportagem em musicaemdx.pt

Reportagem do site www.musicaemdx.pt, gentilmente autorizado.

 
Os The Gift não são estranhos nas nossas vidas. Quando em 1998 apareceram com Vynil considerámos este momento como uma lufada de ar fresco, a esperança que nesses já distantes anos 90 a música portuguesa poderia também passar por registos idênticos aqueles que nos acompanhavam durante a adolescência provenientes de outras bandas estrangeiras.
A música alternativa e independente não tinha naquela altura grande expressão no mercado, ou era de difícil acesso – a liberalização da internet no nosso país dava os primeiros passos, e plataformas como o Audiogalaxy vagamente conheciam as nossas bandas. Foi aqui que nos tornámos fãs desta na altura desconhecida banda de Alcobaça. Poucos anos mais tarde, em 2001, aparecia Film, o segundo álbum da banda, e aqui era a certeza do que procurávamos há tanto tempo. AM-FM em 2004 confirmava os The Gift como uma certeza em Portugal que afinal a banda já não era “só nossa”. Desde então, confessamos, desligámos-nos da banda. Não julgamos percursos tomados por ninguém, mas o seu caminho deixou de nos cativar.
Como em tudo o resto, também na música a vida é cheia de surpresas, ocasiões, e quase que como acidentalmente nos cruzámos com os The Gift na edição de 2017 do Festival Super Bock Super Rock. Num dia dedicado ao hip-pop onde Slow J tinha sido Rei, também o “encaixe” da banda no cartaz deste dia pareceu acidental, que acabou por resultar numa frustrante confirmação de que o percurso de The Gift nos continuava a fazer confusão. Na altura escrevíamos “Se vertermos num receptáculo os seguintes ingredientes: um, palco desproporcional à banda; dois, apresentação de músicas ainda pouco conhecidas do novo álbum; e três, uma sonoridade que pouco tem que ver com aquele dia, o resultado final nunca poderá ser satisfatório. Tecnicamente pouquíssimo haverá a apontar à banda, que ofereceu um espectáculo competente, mas face às circunstancias nem toda a experiência e suor de Sónia Tavares fizeram milagres.”, o que na prática correspondia à imagem que tínhamos da banda. Competente, profissionalíssima, com um percurso respeitável de 23 anos de carreira, mas, onde algo não nos continuava a fazer sentido.
Todas as relações “complicadas” têm os seus momentos de reconciliação, ou tentativa de, e quando nos decidimos cruzar de novo com a banda tínhamos em mente de que esta seria a oportunidade do “agora ou nunca”, do “live or let die”. Por um lado, perceber se “Altar” teria atingido o ponto ótimo de maturidade depois de uma frustrante tentativa no verão passado, por outro, se os The Gift mantinham connosco alguma chama que se pudesse reacender. Em conversa antecipada a este concerto, a banda confessava-nos em entrevista que este dia seria, mais do que uma apresentação de Altar, “23 anos de música alinhada da maneira que melhor servir os espetáculos”. Estava dado o mote para uma oportunidade final, para quem eventualmente pudesse reatar uma relação já duradoura.
20180303 - The Gift Apresentam "Altar" @ Coliseu dos Recreios
Assim fomos ontem, de mente aberta para receber o que os The Gift nos teriam para dar, para o Coliseu dos Recreios em Lisboasabendo que a noite anterior no Porto tinha sido um verdadeiro sucesso.  Assim que entrámos no Coliseu percebemos que poderia ser especial, o público enchia a sala e estava com a banda. Tinha tudo para não ser mais uma noite como a de 14 de Julho 2017. Era uma noite The Gift, com os seus fãs, os mais recentes, e os dos primórdios como nós. Afinal íamos ouvir não só um “Altar” já amadurecido de 1 ano de concertos, mas também reviver toda a história da banda desde o primeiro álbum em que muitos “achavam que a vocalista era um homem” – confissões de Sónia Tavares entre músicas de ontem.
Como primeira parte, a banda convidou IAN, cantautora e violinista russa (primeira violinista da Orquestra Sinfónica do Porto), radicada em Portugal e na cidade do Porto  há vários anos, naquela que foi a sua estreia a solo neste par de concertos no Porto e Lisboa. Numa prestação curta que durou cerca de 20 minutos, deixou-nos o interesse para ver e ouvir mais no futuro próximo.

Terminado o concerto de IAN, inicia-se de imediato em palco um temporizador decrescente de 15 minutos. Seria o tempo necessário para nos prepararmos para os The Gift.
20180303 - The Gift Apresentam "Altar" @ Coliseu dos Recreios
Terminada a curta pausa, o concerto da noite começa por volta das 22h15 com um vídeo de várias frames de filmes e séries de referência nas nossas vidas dos últimos 23 anos, onde não faltaram os The Simpsons, onde todos mencionavam a frase “The Gift”. Estava dado o mote para o inicio.
Mal sabíamos nós que “Lost And Found” era o inicio de uma noite especial. Num alinhamento diferente do concerto do Porto, a noite continuou de imediato com mais temas de “Altar” como “Vitral” ou “Big Fish”, altura em que Sónia Tavares informa o público que o concerto está a ser gravado e lhes pede toda a força para que as suas vozes se oiçam também na gravação. Era a altura dos fotógrafos deixarem o fosso, e entregassem a banda de corpo e alma ao Coliseu. Mais temas do novo álbum se seguiam com “Malifest”, começando depois o desfile pela história com “Doctor” e “Race Is Long” em que Nuno Gonçalves se engana no arranque e Sónia, aproveitando a pausa, confessa ao público ser a sua preferida do álbum “Explode”. “Guess Why” (AM-FM), “Song For A Blue Heart” (Film), “Primavera” (Primavera) ou “OK, Do You Want Something Simple” (Vynil) para regressar a “Altar” e a “Love Without Violins” (com Brian Eno) ou “Clinic Hope”, foi a forma de recordar 23 anos de carreira que já ninguém lhes tira.
20180303 - The Gift Apresentam "Altar" @ Coliseu dos Recreios
Carreira sólida e consistente que, apesar de não agradar a muitos que se transformaram em haters da banda, é honestamente de admirar. Não são muitos os exemplos de bandas portuguesas que conseguiram sobreviver aos sinais dos tempos sem interrupções e reedições de álbuns anteriores de sucesso, e só por isto é de assinalar.
A banda sai de palco sem avisar, e regressa para um primeiro encore com “You Will Be My Queen” (Altar). A banda despede-se mas, o público já rendido há muito, exige que se regresse para um segundo encore com “Fácil de Entender” (Fácil de Entender) a dois no palco (Sónia Tavares e Nuno Gonçalves).
20180303 - The Gift Apresentam "Altar" @ Coliseu dos Recreios
“Question Of Love” (Fácil de Entender) fechava uma grande noite de reconciliação para muitos, nós incluídos, com estes The Gift que merecem a maior salva de palmas que tiveram direito já perto da meia noite e meia lisboeta.

Texto – Carla Santos
Fotografia – Luis Sousa

Categoriespart(í)culas li(t)erárias

A Profecia Asura. o Segundo livro.

Antonio Costeira acabou de lançar o seu segundo livro, inserido numa trilogia que teve inicio em “A Profecia”.
Capa-A Profecia
António Costeira deu-nos o prazer de conversar um pouco com o universo et(h)eriano, sobre este novo livro.
Foto
 

  1. Fala-nos um pouco deste teu novo livro?

 
A história insere-se no género fantástico.
Para dizer algo sobre este segundo romance, tenho que recuar um pouco ao primeiro.
Em A profecia, com o subtítulo Naur’Can, os acontecimentos iniciam-se numa terra chamada Alaghosadar, onde vários reinos coexistem pacificamente. Naur’Can é precisamente a capital do belo reino Elfo onde Davdak, um mago meio Homem, meio Elfo, de valores nobres e elevados, acaba por ser expulso devido a acontecimentos infelizes que culminaram com a destruição da capital. Humilhado, esqueces os nobres valores aprendidos, refugia-se no Reino da Garça e inicia o caminho de uma terrível vingança. Prevendo um futuro de trevas, escorraçado e com a espécie em vias de extinção, Angolon, o sábio Dragão dominante, prevê um futuro de trevas – o inverno do mundo. É precisamente ele que dá a Profecia a Riclamin que depois a oferece ao mundo.
Numa teia narrativa riquíssima em povos, personagens e localidades, Naur’Can é de uma imaginação tremenda que não deixa o leitor indiferente.
 
Em Asura iniciam-se as aventuras de Elvellon e Adanedhel, dois jovens que, por artes da milenar profecia saída da sabedoria de Angolon, são convocados a fazer parte do oráculo vaticinado, num mundo antigo e mágico. Novos seres fantásticos, numa narrativa em crescendo, são adicionados ao enredo de uma forma tão natural, que a leitura torna-se viciante. Na’Akano, o jovem que não conhece as suas origens, SuÄni, a jovem maga aprendiza de Astrid, Raven o Guardião ou ainda Burba o Anão, são exemplos. Edgard, o Duque de Unhais é uma figura notável. O que acontecerá aos três ovos de Dragão, será um mistério que os leitores procurarão desvendar com avidez.
 
 

  1. És um escritor do fantástico. Acreditas que em todos nós existe um mundo imaginário que, na maioria das vezes, fica escondido pelo decorrer dos anos?

 
Essa é uma verdade para mim. De muito debate para os psicanalistas. É a razão pela qual muitos talentos ficam por revelar.
 
 

  1. Como vês a literatura fantástica em Portugal? As diferenças para o resto do mundo.

 
Em Portugal lê-se bastante o fantástico, mas de uma maneira geral de autores estrangeiros. Os autores portugueses têm tanto ou mais qualidade.
 

  1. Quais as tuas expectativas para este segundo livro?

 
Quando um jogador brilha numa equipa secundária, é o craque da equipa e alvo da cobiça das equipes de elite. Em Portugal, como no resto do mundo, é fundamental que o treinador da equipe de elite saiba colocar o promissor jogador no lugar certo em campo. Eu diria que o meu primeiro livro é como o jogador da equipe secundária. Tenho de procurar provar ao treinador que o segundo livro merece subir de escalão.
 

  1. E as tuas expectativas como escritor deste estilo no nosso país e além-fronteiras?

 
A primeira parte da pergunta está intrínseca na resposta anterior. Ao segundo livro, penso que ainda é prematuro pensar em mais do que o mercado nacional. Há os regionais, os distritais e o nacional. Só se pode subir para a divisão imediatamente a seguir. Não gosto de dar um passo maior que a perna. Dá sempre mau resultado.
 

  1. Se fosses um mago, com um simples poder, qual escolherias?

 
Ter o condão de fazer os adultos acreditarem nos sonhos de criança.
 
Grato António Costeira, e em breve teremos mais novidades sobre este autor português. Estamos a preparar um Podcast com uma conversa sobre livros, sobre vidas e sobre um estado do et(h)er.
Até lá, ficam algumas opiniões sobre este autor,
 
Apesar de ser o primeiro  do autor, este livro revela já mestria do género da literatura fantástica. Mesmo aqueles que não são adeptos desse género ficarão presos por um enredo imaginativo que cruza o passado e o presente, aliando a fantasia histórica com a ficção científica. Físico na Universidade de Coimbra como um dos heróis do livro, convido os leitores a entrar na aventura.
Carlos Fiolhais
Professor de Física da Universidade de Coimbra
 
A Profecia apresenta-se como uma obra que alia a ciência e o fantástico, numa teia narrativa dinâmica em que as histórias, narradas em alternância, seguem um percurso temporal repleto de avanços e recuos e guiam o leitor de forma sedutora, através das suas páginas. Elfos, dragões e povos surpreendentes criam uma imprevista aliança, inspirada pela magia das runas, e protagonizam o domínio da mente sobre a matéria.
 
Salomé Raposo
Autora e Licenciada, LLM – Estudos Portugueses
 
Todos os embates entre os Magos ao serviço de Davdak e os Magos da descendência de Astrid e seu dileto discípulo Na’Akano … são de uma violentíssima grandiosidade, digna dos melhores efeitos especiais que tem o cinema.
 
Jorge Magalhães
Arquiteto, Músico e Escritor
 
António Costeira é o mais recente autor a aventurar-se pelos meandros da literatura fantástica com uma nova Profecia, que promete enfeitiçar o coração dos portugueses com magia e superstição. Na verdade, A Profecia reúne os melhores elementos do fantástico medieval e sobrenatural, fundindo-os com alguns elementos reais, numa aventura de exploração e encantamento que, certamente, nos irá tocar com palavras sábias dotadas de um élan arrebatador.
Miguel Simão
Crítico Magazine HD

Categoriespartículas de cinema

A Forma da Água (e do Amor)


A forma da água. Talvez mesmo, a forma do amor.
Muitos foram os que tem cantado, ao longo dos séculos, o verdadeiro amor incondicional. Aquele que supera todas as barreiras, as culturas, a comunicação, a forma. Sim, a forma.
Neste filme cheio de uma beleza muito própria, Guillermo Del Toro traz-nos a luz no meio da escuridão. A forma de o fazer é ligar um ser sobrenaturalmente único, um aquamen, com uma mulher de limpezas muda. Uma mulher sozinha no amor, carente e marcada. Um ser aquático visto por uns como uma aberração da natureza, e por outros como uma ligação divina. Elisa Esposito ( boa interpretação de Sally Hawkins) apaixona-se por um anfíbio capturado na América do Sul, por um ex-militar dominado pela loucura e sequioso por matar o ser que lhe roubou dois dedos. Num ambiente da Guerra Fria, um suposto “Deus” aquático é o centro de duas narrativas, ambas dominadas pela forma. A forma como Elisa descobre na diferença dos universos, uma comunicação de paixão, de amor sem barreiras e de liberdade. A forma como ambos os inimigos (americanos e russos) são conduzidos pela vontade de aniquilarem aquele que poderia ser uma arma, mas rapidamente se torna numa ameaça. E outra forma de amor. A do amor pela ciência, pela descoberta de novos mundos, novas paixões, através de um cientista que abdica da sua posição de espião, para mover esforços em defesa do anfíbio.

Guillermo del Toro já nos habituou a mundos estranhos, diferentes, mas não muito longe dos nossos mais profundos sonhos de menino. Desde o Labirinto do Fauno que explora universos surrealistas para abordar temas tão belos e tão misteriosos. A Forma da Água é uma simples história de amor. Mas é uma bela sinfonia de quando se ama sem nenhuma condição, se consegue ver para lá do que os que olhos, neste caso a fala, alcança. Exemplo disso é uma das cenas de amor mais belas que já assisti no cinema. Um mergulhar nos sentidos, nos corpos que dançam e respiram o desejo de se tocarem. Beleza pura.

Excelente banda sonora.
Excelente ambiente.
Filme de excelência.

Categoriespartículas de cinema

Retribution pelo et(h)eriano Rui Sousa

Lançada originalmente em 2016 com o título “One of us”, esta mini série britânica de 4 episódios foi recentemente relançada na Netflix com o título “Retribution”.
Uma história rodeada de mistério sobre o assassinato de um jovem casal, cujas famílias são amigas há muitos anos, e vizinhas numa grande propriedade rural na Escócia.
No dia do homicidio, o criminoso vai ter com as famílias das vítimas numa brutal noite de tempestade e tem um acidente de carro já na propriedade deles, ficando inconsciente. Estes ao ouvirem os sons do despiste, rapidamente deslocam-se ao local e transportam este indivíduo para uma das casas. Ao revistarem-no ficam em choque ao saberem que estão perante o responsável pelo crime.
Já que naquele momento ele não está acordado para responder a perguntas, mesmo assim tratam as suas feridas e resolvem prendê-lo durante a noite para depois o questionarem. Porém, no dia seguinte quando se juntam todos para ir falar com ele, acabam por descobrir que está morto. Mas como? As feridas não eram assim tão graves.
Como as duas famílias são as únicas que habitam aquele espaço rural e mais ninguém se pode ter aproximado da propriedade devido às más condições climatéricas que os deixaram isolados, isso quer dizer que um deles é o responsável pelo homicídio deste homem. Qualquer um tinha motivo para o fazer.
Para evitar perguntas por parte das autoridades, que entretanto aparecem para os por a par da investigação, este grupo resolve esconder o corpo e o carro enquanto pensam no que fazer.
A partir deste momento inicia-se o mistério. O suspeito pode ser qualquer um e existem perguntas por responder: Porque foi cometido o crime? Quem era este homem? O que pretendia? Quem o matou? Porque se dirigiu para ali?
Devido ao número reduzido de episódios, a história desenvolve-se a bom ritmo (para uma série britânica) e irá revelar algumas surpresas.
Tentem resolver este mistério.

Categoriespartículas do teatro

Nova Produção do GrETUA, Aveiro

O Et(h)er dos Dias espera estar presente e trará assim que puder, as novidades a mais um trabalho do GrETUA.
Sala esgotada para todas as datas
A produção “Peignoir”, espectáculo em forma de banda-desenhada noir, surge após o a edição do curso mais concorrida de sempre, que levou a organizar duas turmas. Na peça participam estudantes da UA, docentes, atores que estarão em palco pela primeira vez e gente já formada em teatro que também quis fazer o curso e até atores que vêm do Porto.
No total, dá 500 lugares, somando os bilhetes vendidos para todas as datas previstas, sala sempre cheia com uma semana de avanço. “Um orgulho enorme”, salienta a direção do GrETUA. Também já tinha acontecido com a produção anterior “Perguntem ao Porteiro”.
A sinopse da peça anuncia: “Bentley é o alter-ego de um homem a quem já só falta a última desilusão: a literatura. Contra tudo e contra a Remington de escrever, vai disparando o que ainda funciona: rir.”
Ficha Técnica:
Direção: Bruno Dos Reis, João Tarrafa, Nuno Dos Reis, Teresa Queirós
Argumento: Bruno dos Reis
Produção: Grupo Experimental de Teatro da Universidade de Aveiro
Apoio à Produção: Maria Calão
Interpretação: Beatriz Fonseca; Bernardo Almeida; Eduardo Queirós; Gaia Viscuso; Iúri Dos Santos; Joana Ratola; Margarida Cerqueira; Margarida Pinto; Pedro Sottomayor; Sheila Carneiro; Sofia Miguel Castro; Sónia Jerónimo; Tiago Lopes
Apoio Coreográfico: Liliana Garcia
Desenho de Luz: Bruno dos Reis, João Valentim; Nuno dos Reis
Operação de Luz: João Valentim
Apoio técnico à Sonoplastia: Bruno Gomes
Guarda-Roupa e Figurinos: Joana Africano
Cenografia: Bruno dos Reis
Execução Cenográfica: Victor Pereira; Pedro Sottomayor
Apoio à execução cenográfica: Filipe Sarabando; João de Pantaleão; João Valentim;
Imagem e Comunicação: Leonor Flores
Apoio à Imagem: João Coutinho; Nuno dos Reis
fonte do texto: UA online